Sarampo
O sarampo é uma doença infecciosa altamente contagiosa que já foi uma das principais causas de mortalidade infantil em todo o mundo. Apesar dos avanços significativos no controle e prevenção por meio da vacinação, o sarampo ainda representa um desafio para a saúde pública, especialmente em regiões com baixas taxas de imunização. Caracterizado por sintomas que podem ser confundidos com os de outras doenças virais, o sarampo exige atenção e conhecimento para ser identificado e tratado adequadamente.
Transmissão e prevenção
A transmissão do vírus do sarampo ocorre de pessoa a pessoa, por via aérea, ao tossir, espirrar, falar ou respirar. O sarampo é tão contagioso que uma pessoa infectada pode transmitir para 90% das pessoas próximas que não estejam imunes.
A transmissão pode ocorrer entre 6 dias antes e 4 dias após o aparecimento das manchas vermelhas pelo corpo.
O sarampo é uma doença prevenível por vacinação. Os critérios de indicação da vacina são revisados periodicamente pelo Ministério da Saúde e levam em conta: características clínicas da doença, idade, ter adoecido por sarampo durante a vida, ocorrência de surtos, além de outros aspectos epidemiológicos. A prevenção do sarampo está disponível em apresentações diferentes. Todas previnem o sarampo e cabe ao profissional de saúde aplicar a vacina adequada para cada pessoa, de acordo com a idade ou situação epidemiológica.
Tipos de vacinas
- Dupla viral: Protege do vírus do sarampo e da rubéola. Pode ser utilizada para o bloqueio vacinal em situação de surto.
- Tríplice viral: Protege do vírus do sarampo, caxumba e rubéola.
- Tetra viral: Protege do vírus do sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora).
Vacinação
Na rotina dos serviços de saúde, todas as pessoas de 12 meses a 59 anos de idade têm indicação para serem vacinadas contra o sarampo. Adolescentes e adultos não vacinados ou com esquema incompleto contra o sarampo devem iniciar ou completar o esquema vacinal de acordo com a situação encontrada, respeitando as indicações do Calendário Nacional de Vacinação. Na rotina dos serviços públicos de vacinação, há duas vacinas disponíveis para proteção contra o sarampo: vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).
A vacina tríplice viral é contraindicada durante a gestação. As gestantes não vacinadas ou com esquema incompleto deverão receber a vacina no puerpério.
A depender da situação epidemiológica de cada localidade, há a necessidade de estabelecer outras estratégias. Assim, além das doses de rotina estabelecidas no Calendário Nacional de Vacinação, a vacinação para o sarampo pode ser indicada para crianças de seis meses a menores de um ano, em localidades com o surto da doença, a depender da avaliação e indicação conjunta das três esferas de gestão.
Sintomas
Os principais sinais e sintomas do sarampo são:
Manchas vermelhas (exantema) no corpo e febre alta (acima de 38,5°) acompanhada de um ou mais dos seguintes sintomas:
- Tosse seca
- Irritação nos olhos (conjuntivite)
- Irritação nos olhos (conjuntivite)
- Mal-estar intenso
Em torno de 3 a 5 dias é comum aparecer manchas vermelhas no rosto e atrás das orelhas que, em seguida, se espalham pelo restante do corpo. Após o aparecimento das manchas, a persistência da febre é um sinal de alerta e pode indicar gravidade, principalmente em crianças menores de 5 anos de idade.
Caso você apresente estes sinais e sintomas, procure um serviço de saúde.
Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização (ESAVI)
As vacinas tríplices viral e tetraviral, em geral, causam pouca reação. Os eventos adversos mais observados são febre, dor e rubor no local da administração e exantema. As reações de hipersensibilidade são raras. Saiba mais
Complicações
O sarampo é uma doença grave que pode deixar sequelas por toda a vida ou até mesmo causar a morte. A vacina é a maneira mais efetiva de evitar que isso aconteça. Algumas das complicações do sarampo são:
- Pneumonia (infecção no pulmão): Cerca de 1 em cada 20 crianças com sarampo pode desenvolver pneumonia, causa mais comum de morte por sarampo em crianças pequenas;
- Otite média aguda (infecção no ouvido): Ocorre em cerca de 1 em 10 crianças com sarampo e pode resultar em perda auditiva permanente;
- Encefalite aguda (inflamação no cérebro): 1 a 4 em cada 1.000 crianças podem desenvolver essa complicação e 10% destas podem morrer;
- Morte: 1 a 3 a cada 1.000 crianças doentes podem morrer em decorrência de complicações da doença.
Diagnóstico
O diagnóstico pode ser clínico (pessoas que apresentam os sinais e sintomas da doença), no entanto, o ideal é que seja laboratorial, por sorologia (amostra de sangue), e também por biologia molecular (amostras de secreção de orofaringe, nasofaringe, urina).
Para o sarampo, o diagnóstico laboratorial é padrão-ouro. É realizado por meio de sorologia para detecção de anticorpos IgM específicos e soroconversão, ou aumento de títulos de anticorpos IgG em amostras de sangue (soro), e a detecção viral por meio de RT-PCR, com a coleta de amostras de secreção nasofaríngea, orofaríngea e urina. É imprescindível que a coleta de amostras para realização de sorologias e RT-PCR de casos suspeitos, seja realizada no primeiro contato com o paciente.
Prazos da coleta de espécimes clínicos:
Primeira amostra de sangue (S1):
Deve ser coletada entre o 1º e o 30º dia do aparecimento do exantema.
Segunda amostra de sangue (S2):
Deve ser coletada de 15 a 25 dias após a coleta da S1.
As amostras de secreção nasofaríngea, orofaríngea e urina para detecção viral devem ser coletadas até o 7º dia, a partir da data do início do exantema.
O diagnóstico também pode ser clínico, mas a confirmação do caso por este critério não é recomendada na rotina. Contudo, em situações de surto, esse critério poderá ser utilizado.
Os critérios para confirmação ou descarte de casos, e outras informações podem ser encontradas no Guia de Vigilância em Saúde.
Tratamento
Não existe tratamento específico para o sarampo. Os medicamentos são utilizados para reduzir o desconforto ocasionado pelos sintomas da doença. Não faça uso de nenhum medicamento sem orientação médica e procure o serviço de saúde mais próximo, caso apresente os sintomas descritos acima.
Não existe tratamento específico para a infecção por sarampo. O uso de antibiótico é contraindicado, exceto se houver indicação médica pela ocorrência de infecções secundárias. Para os casos sem complicação, devem-se manter a hidratação e o suporte nutricional, e diminuir a hipertermia. Muitas crianças necessitam de quatro a oito semanas para recuperar o estado nutricional.
Recomenda-se a administração do palmitato de retinol (vitamina A), mediante avaliação clínica e/ou nutricional por um profissional de saúde, em todas as crianças com suspeita de sarampo, para redução da mortalidade e prevenção de complicações pela doença, nas dosagens indicadas.
Indicação do uso de vitamina A (Palmitato de Retinol) para crianças consideradas casos suspeitos de sarampo, segundo faixa etária:
Crianças menores de 6 meses de idade
Dose: 50.000 UI
Administração: Duas doses via oral (uma no dia da suspeita e outra no dia seguinte)
Crianças entre 6 e 11 meses e 29 dias de idade
Dose: 100.000 UI
Administração: Duas doses via oral (uma no dia da suspeita e outra no dia seguinte)
Crianças maiores de 12 meses de idade
Dose: 200.000 UI
Administração: Duas doses via oral (uma no dia da suspeita e outra no dia seguinte)