Situação Epidemiológica
O Brasil já eliminou a circulação do vírus do sarampo, mas ainda registra casos esporádicos, principalmente relacionados à importação do vírus de outros países.
Após o último registro de casos em 2015, o país recebeu, em 2016, da Organização Pan-Americana da Saúde, a certificação de eliminação do sarampo. Em 2016 e 2017, não houve confirmação de casos no território nacional.
No entanto, a partir de 2018, houve retorno da circulação do vírus, associado ao fluxo migratório e à redução das coberturas vacinais. Em 2019, o Brasil perdeu a certificação após manter a transmissão do vírus do sarampo por mais de 12 meses.
Entre 2018 e 2022, foram registrados 39.816 casos de sarampo no país, com maior concentração em 2019 com o registro de 21.741 (54,6%) casos. A partir de 2021, houve queda acentuada, chegando a 41 casos em 2022. Em 2023, não houve casos confirmados.
Com relação aos óbitos por sarampo, foram registrados 40 óbitos no período de 2018 a 2021. Em 2018 foram registrados 12 (30,0%) óbitos sendo, 6 (50,0%) no estado do Amazonas, 4 (33,3%) em Roraima e 2 (16,7%) no Pará. Em 2019 o país registrou o maior número de óbitos, 16 (40,0%) sendo, 1 (6,3%) no estado do Pará, 1 (6,3%) em Pernambuco e 14 (87,5%) em São Paulo. Em 2020 foram registrados 10 (25,0%) óbitos sendo, 8 (80,0%) no Pará, 1 (10,0%) no Rio de Janeiro e 1 (10,0%) em São Paulo. Em 2021, foi o último ano com registro de óbitos por sarampo no país, foram contabilizados 2 (5,0%) óbitos no estado do Amapá.
Em 2024, foram confirmados 5 casos, sendo 1 (20,0%) caso no estado de Minas Gerais, 1 (20,0%) no Rio Grande do Sul, e 2 (40,0%) no estado de São Paulo, todos foram casos importados e 1 (20,0%) caso confirmado no estado do Rio de Janeiro com fonte de infecção desconhecida.
Em 2025, foram confirmados 38 casos no Brasil, sendo 2 (5,3%) casos no estado do Rio de Janeiro com fonte de infecção desconhecida; 1 (2,6%) caso importado no Distrito Federal, genótipo identificado foi o D8 e a linhagem foi 100% de identidade genômica detectadas nas regiões do Pacífico Ocidental; 2 (5,3%) casos em São Paulo, 1 caso importado e 1 caso relacionado a importação, genótipo identificado foi B3 e linhagem foi 100% de identidade genômica com a cepa nomeada MVs/New South Wales.AUS/10.24; 1 (2,6%) caso em Rio Grande do Sul, genótipo identificado foi B3 e a linhagem identificada foi 100% de identidade genômica com a cepa nomeada MVs/New South Wales.AUS/10.24; 1 (2,6%) caso no Maranhão com genótipo identificado foi D8 e a linhagem foi 100% de identidade genômica com a cepa nomeada MVs/Ontario.CAN/47.24 (DSId 9171); 6 (15,8%) casos no Mato Grosso, 3 casos importados e 3 casos relacionados a importação, genótipo identificado foi o D8 e não houve identificação de linhagem.
Destaca-se a ocorrência de um surto no estado do Tocantins, com 25 (65,8%) casos confirmados, 4 foram casos importados e 21 casos foram relacionados a importação, genótipo identificados foi o D8 e a linhagem foi 100% de identidade genômica com a cepa nomeada MVs/Ontario.CAN/47.24 (DSId 9171). Este surto foi associado à introdução do vírus por uma família procedente da Bolívia, país com circulação ativa da doença à época. A cadeia de transmissão evidenciou que 84% dos casos (22/25) ocorreram em uma comunidade tradicional com baixa cobertura vacinal, na qual 100% dos indivíduos não possuíam registro de vacinação contra o sarampo.
Em 2026, até a semana epidemiológica 38, foram confirmados 42 casos sendo, 36 (85,7%) casos, registrados no estado de São Paulo (2 em São Bernardo do Campo, 1 em Guarulhos, 1 em Santo André, os demais casos, foram registrados na capital), 2 casos foram importados (associado a viagem internacional, 1 com ausência de vacinação e 1 vacinado) e 34 casos com fonte de infecção desconhecida; 1 (2,4%) caso no Rio de Janeiro, com fonte de infecção desconhecida e ausência de registro de vacinação, sem histórico de viagem internacional; 5 (11,9%) casos foram confirmados no estado do Amazonas.
Em novembro de 2024, o Brasil recebeu novamente da Organização Pan-Americana da Saúde a recertificação da eliminação da circulação endêmica do sarampo e mantém o status de país livre da doença até os dias atuais.
Importante: Casos isolados (fonte de infecção desconhecida) ou importados ou relacionados a importação, não significam o retorno da doença como problema de saúde pública. No entanto, indicam a necessidade de manter altas coberturas vacinais.
A vacinação é a principal forma de prevenção e está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).