Situação Epidemiológica
Após o registro dos últimos casos de sarampo no ano de 2015, o Brasil recebeu em 2016 a certificação da eliminação do vírus. Nos anos de 2016 e 2017 não foram confirmados casos da doença, no entanto, em 2018, com o grande fluxo migratório associado às baixas coberturas vacinais, o vírus voltou a circular, e em 2019, após um ano de franca circulação do vírus por mais de 12 meses com o mesmo genótipo (D8), o Brasil perdeu a certificação de “país livre do vírus do sarampo”.
Entre os anos de 2018 a 2022 foram confirmados 9.329, 21.704, 8.035, 670 e 41 casos de sarampo, respectivamente.
Em 2022, os estados que confirmaram casos foram: Rio de Janeiro, Pará, São Paulo e Amapá, sendo que o último caso confirmado foi registrado no estado do Amapá, com data de início do exantema em 05/06/2022.
Em 2023, não houve registro de casos confirmados de sarampo no Brasil.
No ano de 2024, o país notificou cinco casos confirmados de sarampo destes, quatro foram importados: Em janeiro/2024: 1 (um) caso no Rio Grande do Sul, criança do sexo masculino com 3 anos de idade com histórico de viagem ao Paquistão. O genótipo identificado foi B3; em agosto/2024: 1 (um) caso em Minas Gerais do sexo masculino com 17 anos de idade, proveniente da Inglaterra. O genótipo identificado foi D8, linhagem MVs/Victoria.AUS/39.22. E em outubro/2024: 2 (dois) casos em São Paulo, 1 sexo masculino de 37 anos de idade e 1 do sexo feminino com 35 anos de idade com histórico de viagem à Itália. O genótipo identificado foi D8, linhagem MVs/São Paulo.BRA/41.24, com 99,6% de identidade genômica com a linhagem Bern. Apenas 1 (um) caso não foi possível identificar a fonte de infecção. Trata-se de uma criança de 6 anos de idade, do sexo masculino, residente no município de Itaboraí/RJ, notificado em outubro de 2024.
No Brasil, no ano de 2025, foram confirmados 38 casos de sarampo, distribuídos no Distrito Federal (n=1), Rio de Janeiro (n=2), São Paulo (n=2), Rio Grande do Sul (n=1), Tocantins (n=25), Maranhão (1) e Mato Grosso (6).
No estado do Rio de Janeiro, os casos referem-se a duas crianças menores de um ano, sem histórico vacinal, cuja fonte de infecção não foi identificada. O início do exantema ocorreu entre 28 de fevereiro e 2 de março de 2025.
No Distrito Federal e no Rio Grande do Sul, os casos foram classificados como importados. O caso do Distrito Federal corresponde a uma mulher de 35 anos, com início do exantema em 1º de março de 2025, enquanto o caso do Rio Grande do Sul corresponde a um homem de 50 anos, com início do exantema em 6 de abril de 2025. Ambos apresentavam histórico de viagens internacionais.
Em São Paulo, foram confirmados 2 casos, o primeiro foi notificado em pessoa do sexo masculino de 31 anos, sem histórico de viagens internacionais e sem registro vacinal contra o sarampo, o exantema ocorreu em 5 de abril de 2025 e a fonte de infecção desconhecida. O segundo caso, trata-se de pessoa do sexo masculino de 27 anos, com histórico de viagem para os Estados Unidos, sem registro vacinal contra o sarampo, o exantema ocorreu em 05/12/2025.
Em julho de 2025, iniciou-se um surto de sarampo no estado do Tocantins, no município de Campos Lindos (TO) associado ao retorno de quatro brasileiros de uma comunidade com baixa adesão à vacinação, sendo dois adultos e duas crianças, que estiveram na Bolívia por 1 mês e voltaram infectados, resultando em 25 casos confirmados, deste, 22 são da comunidade e três são da população geral. O último caso teve exantema em 12 de setembro de 2025.
No Maranhão, o único caso confirmado ocorreu em uma mulher de 46 anos, não vacinada, residente no município de Carolina (MA), em área rural, mas que teve contato com membros da comunidade em Campos Lindos (TO).
Em 22 de setembro de 2025, foram confirmados seis casos de sarampo no estado de Mato Grosso. Os primeiros registros ocorreram em uma família, uma mulher de 27 anos e seus dois filhos, de 4 anos e de 1 ano e 2 meses, que havia permanecido na Bolívia por dois meses.
É importante destacar que, em novembro de 2024, o Brasil recebeu a recertificação da eliminação da circulação endêmica do sarampo, concedida pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS). Casos esporádicos, como os descritos, não comprometem a manutenção dessa certificação.