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SAÚDE COM CIÊNCIA
É falsa relação entre vacinação e aumento de câncer
Foto: Walterson Rosa/MS
A alegação de que vacinas estariam associadas ao aumento de casos de câncer é falsa e não tem qualquer respaldo científico. Trata-se de uma desinformação que volta a circular nas redes sociais, gerando medo e insegurança na população. Dados, pesquisas e posicionamentos de instituições de referência no Brasil e no exterior descartam essa relação.
O Ministério da Saúde e o Instituto Butantan já publicaram notas técnicas e esclarecimentos reafirmando a segurança dos imunizantes, incluindo as vacinas contra a covid-19 e a gripe. Não há evidências de que a vacinação cause câncer, acelere a progressão de tumores ou provoque recorrência da doença. Pelo contrário, as vacinas seguem protocolos rigorosos de avaliação antes e depois de serem disponibilizadas à população.
Saúde em primeiro lugar
Câncer é uma doença grave, que exige diagnóstico precoce e acompanhamento médico adequado. Associar falsamente a imunização ao surgimento de tumores pode afastar pessoas das campanhas de vacinação e comprometer a saúde pública. A discussão precisa ser feita com base em evidências, não em boatos.
Segurança e controle rigoroso
Todas as vacinas aplicadas no Brasil passam por processos rigorosos de testes e análises antes da autorização e seguem sob monitoramento contínuo. Nenhum imunizante aprovado contém substâncias que provoquem mutações celulares ou tumores cancerígenos. Também é falsa a afirmação de que vacinas carregariam vírus ou fungos “causadores de câncer”. Não há contaminação desse tipo nos imunizantes ofertados à população.
No caso da vacina contra a gripe produzida pelo Instituto Butantan, por exemplo, o único vírus presente na composição é o influenza inativado, incapaz de se replicar ou provocar doença, muito menos câncer. O processo produtivo é padronizado, controlado e monitorado em diversas etapas, com dezenas de análises ao longo da fabricação. O imunizante possui Certificado de Boas Práticas de Fabricação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pré-qualificação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O que dizem os dados sobre câncer
Boatos também tentam associar a vacinação contra a covid-19 a um suposto aumento de casos de câncer. Não há dados ou estudos que sustentem essa narrativa. Registros do Painel de Oncologia do DataSUS mostram que os números seguem
dentro do padrão histórico, com cerca de 600 mil casos anuais no país nos últimos anos, sem alta anormal após o início da vacinação.
Durante a pandemia, houve redução significativa na realização de exames preventivos e de rastreamento. Estimativas publicadas na revista The Lancet Oncology indicam que milhões de exames deixaram de ser feitos e muitos pacientes não receberam tratamento no prazo adequado. O atraso nos diagnósticos explica o aumento de casos detectados em estágios mais avançados, e não as vacinas.
A ciência garante
Parte da desinformação envolve as vacinas de RNA mensageiro. Esse tipo de imunizante orienta o organismo a produzir proteínas que estimulam a resposta imune contra o vírus. O RNAm não entra no núcleo da célula, não interage com o DNA e não provoca alterações genéticas. Após cumprir sua função, é degradado e eliminado rapidamente do organismo.
Além disso, algumas vacinas são ferramentas importantes na prevenção do câncer. A vacina contra o HPV, por exemplo, reduz o risco de tumores de colo de útero, vagina, pênis e ânus ao combater o vírus responsável por esses tipos de câncer.
Segurança no Brasil e no mundo
O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (National Cancer Institute) já se posicionou de forma enfática: não há evidências científicas de que as vacinas contra a covid-19 causem câncer ou afetem negativamente a saúde das pessoas nesse aspecto.
Vale destacar também que, em relação à vacinação, de acordo com a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), não há contraindicação para que pessoas que estejam com câncer recebam a vacina.
O Ministério da Saúde também se manifestou sobre o assunto e afirmou que nenhum imunizante aprovado pela Anvisa e ofertado à população contém substâncias tóxicas que causam câncer, eles não provocam mutações em células e não geram tumores cancerígenos.
Diga não à desinformação
A propagação de informações falsas compromete campanhas de imunização e aumenta a vulnerabilidade da população a doenças evitáveis. Para informações confiáveis e baseadas em evidências científicas, a orientação é consultar fontes oficiais, como o Ministério da Saúde, a Organização Mundial da Saúde e órgãos de referência em oncologia.
Fontes
As referências usadas nesta matéria são:
Vacina contra Covid-19 não vai causar aumento das taxas de câncer em homens
Não existe relação entre câncer e vacina contra a covid-19
Vacina contra covid-19 não causa tumores
Vacina contra gripe do Butantan não causa câncer e pode ser usada sem medo
Ministério da Saúde