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SAÚDE COM CIÊNCIA
Não existe relação entre câncer e vacina contra a covid-19
Foto: Internet
Boatos que voltaram a circular nas redes sociais afirmam que os casos de câncer teriam aumentado após a vacinação contra a covid-19. A alegação é falsa. Não há dados, estudos ou qualquer evidência científica que sustentem essa narrativa.
A divulgação desse tipo de conteúdo tem provocado dúvidas e insegurança na população. Para esclarecer, é preciso olhar para o que mostram os dados oficiais e o que diz a comunidade científica.
Não existe relação entre vacina e câncer
Instituições de referência, como o Instituto Nacional do Câncer (INCA) e o National Cancer Institute, dos Estados Unidos, já descartaram qualquer ligação entre as vacinas contra a covid-19 e o desenvolvimento da doença.
Segundo o Ministério da Saúde, todas as vacinas aplicadas no país passam por rigorosos testes antes de serem autorizadas e são monitoradas continuamente. Não existe comprovação de que a imunização cause câncer, provoque recorrência ou acelere a evolução de tumores.
Exames na pandemia
Queda nos exames diagnósticos de rotina e de rastreamento durante a pandemia explica diagnósticos tardios. Algumas postagens usam números isolados para tentar criar falsas associações. Mas especialistas explicam que correlação não é causalidade.
Durante a pandemia, consultas e exames preventivos foram interrompidos. Um relatório publicado pela The Lancet Oncology estimou que:
- Cerca de 100 milhões de exames oncológicos deixaram de ser realizados;
- Menos de 1,5 milhão de pacientes com câncer foi atendido;
- 50% não recebeu tratamento no prazo adequado;
- Até 1 milhão de casos pode ter ficado sem diagnóstico.
Com menos exames e atendimentos, muitos tumores só foram identificados em estágios mais avançados. Esse atraso é a principal explicação para o aumento de casos graves detectados posteriormente — não as vacinas.
Dados do DataSUS confirmam: números seguem dentro do esperado
Os registros do Painel de Oncologia do Datasus reforçam que não houve aumento incomum de casos após o início da vacinação contra a covid-19. Nos últimos anos, o Brasil historicamente registra cerca de 600 mil casos por ano, e os números recentes seguem essa tendência:
- 2025 (até novembro): 348.800
- 2024: 637.729
- 2023: 678.039
- 2022: 635.056
- 2021: 573.174
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) já se manifestou afirmando não ter identificado qualquer alta anormal associada à imunização. Além do Inca, outros órgãos de saúde desmentiram esta narrativa.
Como funcionam as vacinas de RNAm
Parte das publicações enganosas cita as vacinas de RNA mensageiro para justificar teorias sem base científica. Mas o funcionamento desses imunizantes é amplamente conhecido:
- O RNAm não entra no núcleo da célula, onde fica o DNA, logo, não interage nem modifica o material genético do indivíduo;
- Ele apenas orienta o corpo a produzir proteínas que estimulam a resposta imune;
- Depois de cumprir sua função, é degradado e eliminado rapidamente.
Não há mecanismo biológico que sustente a ideia de que esse tipo de vacina poderia provocar alterações cancerígenas.
Desinformação compromete a saúde pública
A propagação de conteúdos falsos sobre vacinas alimenta o medo, reduz a adesão às campanhas e deixa a população mais vulnerável a doenças evitáveis. Especialistas reforçam que a hesitação vacinal está ligada à queda na cobertura e ao retorno de enfermidades antes controladas.
As vacinas contra a covid-19 são seguras, eficazes e essenciais para a proteção coletiva. Antes de compartilhar conteúdos alarmistas, é fundamental verificar a fonte e buscar informações em órgãos oficiais.
Fontes
As referências usadas nesta matéria são:
A mentira do “câncer turbo” e vacinas contra covid-19
Fake News Não Pod #117: É falso que vacinas da covid-19 causam câncer
Vacina contra covid-19 não vai causar aumento das taxas de câncer em homens