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SAÚDE INDÍGENA
Ministério da Saúde promove mutirão de cirurgia oftalmológica para comunidades indígenas no Ceará
Foto: Rayane Bueno
Para promover qualidade de vida às populações indígenas, o Ministério da Saúde realiza, entre os dias 27 e 28 de junho, um mutirão de cirurgias oftalmológicas para atender cerca de 200 indígenas de quatro comunidades no Ceará. A iniciativa, que pode devolver a visão a muitas pessoas, faz parte do programa Agora Tem Especialistas, do Governo do Brasil, que tem como objetivo reduzir o tempo de espera por atendimentos especializados e ampliar o acesso à saúde em regiões de difícil acesso. O impacto das ações no estado vai além da assistência oftalmológica: apenas este mês, as equipes já ultrapassaram 7 mil atendimentos nos territórios locais. No segundo semestre de 2025, o programa realizou mais de 21 mil atendimentos em aldeias de todo o país.
Nesta nova etapa, serão realizadas cirurgias de catarata e pterígio (crescimento de tecido na córnea), conforme a indicação para cada paciente. Ambos os procedimentos são ambulatoriais — ou seja, sem necessidade de internação — e duram cerca de 30 minutos. O trabalho é o desdobramento da fase clínica promovida de 8 a 12 de junho, quando 800 indígenas passaram por consultas e exames. A ação, realizada em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) e o projeto Aldeia em Foco, ocorrerá em uma clínica oftalmológica no município de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (CE).
A secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé, ressalta que a iniciativa é uma extensão das ações do Governo Brasil voltadas às comunidades indígenas em todo o país. “Estamos levando o SUS cada vez mais próximo das aldeias. Por meio do Agora Tem Especialistas e das instituições parceiras, as comunidades indígenas têm cada vez mais acesso à assistência especializada, ao cuidado integral e a procedimentos com tecnologia de ponta. Tudo isso ocorre com um olhar personalizado, respeitando nossas culturas e valorizando a saúde indígena. Esse mutirão reforça nosso compromisso em levar assistência às comunidades remotas e historicamente desassistidas”, afirmou a secretária.
Após a cirurgia, o cuidado com os pacientes das etnias Anacé, Jenipapo-Kanindé, Pitaguary e Tapeba continua. Eles serão acompanhados por 30 dias por equipes de saúde do projeto Aldeia em Foco, que fornecerão os medicamentos e colírios indicados para o pós-operatório. Finalizado esse período, a assistência e o acompanhamento clínico contínuo serão assumidos pelo Distrito Sanitário Especial Indígena do Ceará (DSEI/CE).
Os mutirões indígenas do Agora Tem Especialistas realizados entre fevereiro e 24 de junho de 2026 já somam mais de 17 mil atendimentos — entre consultas, exames, procedimentos e cirurgias —, contemplando territórios como: Médio Rio Solimões, Alto Rio Negro, Maturacá-Yanomami, Guatoc-Arapiuns, Altamira, Guatoc-Mapuera, Médio Rio Purus, Rio Tapajós e Vale do Javari, além do DSEI Ceará, DSEI Pernambuco e CASAI Macapá. Os dados gerais ainda estão em consolidação.
A técnica de enfermagem Lívia Almeida, de 27 anos, é indígena da etnia Jenipapo-Kanindé e foi uma das beneficiadas pelo mutirão. Segundo ela, o pterígio a incomodava há anos, afetando sua qualidade de vida e a rotina diária. Para Lívia, o cuidado especializado e o olhar humano dos profissionais foram essenciais em seu atendimento. "Estou feliz por ter essa oportunidade, não só por mim, mas por todas as comunidades indígenas atendidas aqui. Estou muito grata pelo cuidado que tiveram. Eu estava com medo, mas a médica segurou minha mão", contou.
Saúde mais perto das aldeias
O Ceará é um dos quatro estados contemplados com ações do Agora Tem Especialistas previstas para os meses de junho e julho. Ao todo, serão cinco mutirões, promovidos também em Pernambuco, no Amapá e no Pará. A expectativa é alcançar cerca de 13 mil atendimentos especializados, englobando exames e consultas em oftalmologia, pediatria, ginecologia e obstetrícia, clínica médica e odontologia.
Na avaliação do diretor-presidente da AgSUS, André Longo, a estratégia amplia o acesso dos povos indígenas à atenção especializada. “O programa Agora Tem Especialistas nas Aldeias amplia o acesso a consultas, exames e procedimentos especializados dentro dos territórios indígenas. Isso significa aproximar o SUS de quem mais precisa. Essa estratégia reduz barreiras de acesso, diminui o tempo de espera por atendimento e fortalece a integralidade do cuidado, respeitando as especificidades culturais e as realidades de cada povo indígena”.
Até o momento, além do Ceará, foram realizados cerca de 4.753 atendimentos em Pernambuco e 870 em Macapá. Em outras regiões, as ações ocorrem em parceria com a Associação Médicos da Floresta (AMDAF), o Hospital Israelita Albert Einstein e a ONG Zoé. A estimativa total é realizar 300 cirurgias oftalmológicas nas regiões contempladas, onde também já foram distribuídos 668 óculos aos pacientes atendidos.
Rayane Bueno
Ministério da Saúde