A Esclerose Lateral Amiotrófica, mais conhecida como ELA, é uma doença grave e progressiva que afeta o sistema nervoso. Ela faz parte de um grupo de condições chamadas doenças do neurônio motor.
De forma simples, a ELA ataca as células nervosas (neurônios) responsáveis por comandar os movimentos do nosso corpo. Com o tempo, o cérebro perde a capacidade de iniciar e controlar esses movimentos. Isso leva a uma fraqueza muscular que piora gradualmente, afetando a capacidade de realizar atividades como andar, falar, engolir e até respirar. A doença não costuma afetar a inteligência, a sensibilidade (tato) ou os sentidos (visão, audição, olfato e paladar)
A ELA é uma condição rara, que geralmente aparece entre os 55 e 75 anos de idade, e a maioria dos casos (mais de 90%) acontece sem causa definida.
Na grande maioria dos casos, a causa da ELA é desconhecida. Chamamos esses casos de esporádicos. Em uma pequena parcela dos pacientes (menos de 10%), a doença é familiar, ou seja, é herdada e pode haver mais de um caso na mesma família. Para esses casos, o aconselhamento genético é recomendado.O que se sabe é que a doença envolve a degeneração e a morte dos neurônios motores, mas os motivos exatos para que isso aconteça ainda são estudados pela ciência.
Sinais e Sintomas
Os sintomas da ELA surgem da fraqueza muscular causada pela perda dos neurônios. Eles podem variar de pessoa para pessoa, mas os principais incluem:
Sinais de alerta iniciais
Fraqueza em uma mão, no braço ou em uma perna, como deixar cair objetos ou tropeçar com frequência.
Cãibras musculares e contrações involuntárias e visíveis dos músculos (fasciculações), principalmente na língua.
Dificuldade para falar (disartria), com a voz ficando anasalada ou pastosa.
Dificuldade para engolir (disfagia).
Sintomas de progressão da doença
Problemas de movimento: Fraqueza muscular generalizada, atrofia (o músculo "diminui" de tamanho), espasticidade (rigidez muscular) e reflexos exagerados.
Problemas respiratórios:
Falta de ar, cansaço fácil, dificuldade para dormir, sonolência durante o dia e dor de manhã (sinais de que a respiração não está sendo eficiente). A fraqueza dos músculos da respiração é a principal causa de complicações graves.
Problemas de deglutição e fala: Dificuldade progressiva para engolir alimentos e líquidos, aumentando o risco de engasgos. A fala pode se tornar quase incompreensível.
Sialorreia (excesso de saliva) e/ou saliva muito espessa.
Labilidade emocional:
Crises de choro ou riso incontroláveis e sem motivo aparente.
Importante: a ELA não causa dormência ou perda de sensibilidade na pele.
Diagnóstico
Não existe um exame único para diagnosticar a ELA. O diagnóstico é clínico, ou seja, o médico especialista (neurologista) avalia os sintomas, o histórico do paciente e faz um exame físico detalhado, procurando sinais de acometimento dos neurônios motores superiores e inferiores.
Para confirmar o diagnóstico e, principalmente, para descartar outras doenças que podem ter sintomas parecidos, o médico pode solicitar alguns exames complementares, como:
Eletroneuromiografia (ENMG):
Fundamental para avaliar a atividade elétrica dos músculos e nervos, confirmando o padrão de lesão típico da ELA.
Ressonância Magnética (RM) do crânio e coluna:
Para verificar se não há outras causas para os sintomas, como tumores ou hérnias de disco.
Exames de sangue:
Para avaliar o funcionamento do fígado e dos rins e descartar outras condições.
O diagnóstico pode demorar alguns meses para ser concluído, pois é preciso acompanhar a progressão dos sintomas e afastar todas as outras possibilidades.
Onde buscar atendimento
O atendimento começa na Atenção Primária à Saúde (Postos de Saúde e Unidades Básicas de Saúde - UBS), que é a porta de entrada para o sistema. De lá, o paciente é encaminhado para a Atenção Especializada .
Os locais de referência para o tratamento da ELA são:
Serviços de Neurologia em hospitais públicos.
Serviço de Referência em Doenças Raras.
Centros Especializados em Reabilitação (CER) credenciados pelo SUS, que oferecem atendimento multidisciplinar.
Importante: Em casos mais avançados, o paciente pode ser atendido por Serviço de Atenção Domiciliar, que leva o cuidado até a residência do paciente.

