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FLORESTAS PRODUTIVAS
Programa Florestas Produtivas é destaque em evento da ONU, em Nova York
Foto: Thiago Lima, AI/MDA
O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) esteve presente na 21ª Sessão do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas (UNFF 21), no último dia 13 de maio. Com a mesa "Ação florestal centrada nas pessoas: Agrofloresta sustentável e agricultura familiar como impulsionadores para as entregas da COP 30", o ministério, em conjunto com a Food and Agriculture Organization (FAO) apresentou suas ações para a centralidade da agricultura familiar na construção da transição ecológica.
O objetivo da atividade foi a promoção da Iniciativa Global de Florestas Produtivas (GPFI), capitaneada pelo MDA, tendo por base fundamental o próprio Programa Nacional de Florestas Produtivas, que tem as famílias agricultoras, Povos Indígenas e comunidades tradicionais no centro das ações de agrofloresta e restauração. A Iniciativa foi lançada em março, na FAO, em Roma, e agora é levada à instância máxima para discussão sobre florestas, na ONU. Vale destacar que a Iniciativa compõe o Plano de Aceleração de Soluções TERRA, criado para acelerar transições agroecológicas e agroflorestais. Liderado pelo MDA, o TERRA é a resposta do ministério e de seus parceiros internacionais ao chamado da Agenda de Ação da COP30.
Para Moisés Savian, secretário de Governança Fundiária, Desenvolvimento Territorial e Socioambiental do MDA, o evento em Nova York é uma das ações resultantes da COP 30, ocorrida, em novembro de 2025, em Belém (PA). “Nós levamos as pessoas para conhecerem de perto as iniciativas do Florestas Produtivas, e isso teve um impacto direto no que estamos fazendo aqui.” Moisés ressalta que o Brasil sempre foi uma liderança no tema, e que agora apresenta soluções para além da proteção ambiental. “As famílias são elementos chaves no programa, já que a inclusão social e o desenvolvimento sustentável estão sendo entendidos como elementos fundamentais no sucesso da transição ecológica.”
Entre os eixos norteadores da mesa estão as cinco alavancas de aceleração para transição agroecológica e agroflorestais sustentáveis: o fortalecimento de cooperativas e organizações da agricultura familiar, construção de capacidade técnica e extensão; mobilização de financiamento misto; melhoria no acesso a sementes, bioinsumos e tecnologias adequadas, além da abertura e consolidação de novos mercados de comercialização.
Agricultura Familiar Global
“Há muito tempo a questão do meio ambiente não é mais um debate setorizado, e sim transversal a todas as esferas da sociedade”, diz Thiago Lima, Coordenador de Cooperação Internacional do MDA. Ele explica que o entendimento global é de que o desenvolvimento sustentável precisa envolver tanto governos quanto o setor privado e a sociedade civil. “Esse entendimento foi reforçado pelo Governo do Brasil e todos os participantes da COP 30. E nós, do MDA, entendemos que as agricultoras e os agricultores familiares podem ser protagonistas de um reflorestamento que produza comida para as famílias e renda para as comunidades”, completou.

- Foto: Rafael Rodrigues, MMA
A estratégia para a 21ª Sessão da UNFF foi previamente alinhada no governo brasileiro por meio de uma Reunião de Coordenação Interministerial. Em parceria com o Ministério das Relações Exteriores, a Esplanada de Brasília discutiu as contribuições nacionais, e alinhou as posições dos diferentes órgãos e ministérios envolvidos antes da ida a Nova York.
O diplomata brasileiro Nicola Esperanza, chefe de gabinete da Presidência da COP30, fez a fala de abertura do evento e destacou que o TERRA e a Iniciativa Global de Florestas Produtivas está plenamente alinhado ao Roteiro para Deter e Reverter o Desmatamento e a Degradação Florestal até 2030, em preparação pela própria Presidência da COP30. Speranza sublinhou ainda que “A iniciativa também contribui diretamente para a implementação das Metas Globais para as Florestas e para os objetivos mais amplos do Plano Estratégico das Nações Unidas para as Florestas 2017–2030.
Mia Crawford, agicultora familiar e Diretora Florestal para Assuntos da União Europeia e Internacionais da Federation of Agricultores da Suécia, defendeu que o direito à terra é essencial e apontou a desigualdade entre homens e mulheres na Suécia neste quesito. “O cooperativismo na Suécia começou para os agricultores terem mais poder de mercado com fornecedores e compradores, mas o governo incentivou que eles também criassem suas próprias indústrias de beneficiamento e assim nós conseguimos aumentar nossos rendimentos”, completo ela.
Ana Tavares, da Associação Internacional de Estudantes de Silvicultura e do Major Group de Crianças e Jovens, cobrou maior espaço para a Juventude na institucionalização da Iniciativa e nas alavancas do PAS TERRA.
Texto: Jerônimo Calorio, Ascom SFDT/MDA