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DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
MDA apresenta a Iniciativa Global de Florestas Produtivas na FAO
Foto: Albino Oliveira/Ascom-MDA
No dia 19 de março de 2026, em Roma, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) levou à sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) uma importante agenda para o debate internacional sobre desenvolvimento sustentável: a Iniciativa Global de Florestas Produtivas. A apresentação foi feita pela Assessoria Internacional do Ministério (AI/MDA) durante o seminário técnico “Florestas e Economias: caminhos para a produção sustentável e a bioeconomia”, realizado no contexto do Dia Internacional das Florestas.
Promovido pela FAO em conjunto com o Grupo de Amigos da Bioeconomia para Sistemas Alimentares e Agricultura Sustentáveis, copresidido pelo Brasil e pela União Europeia, o encontro reuniu representantes governamentais (Austrália, Áustria, Colômbia, Israel, Japão, Malásia, Panamá, Sérvia, Suécia, Tanzânia), especialistas e organizações de diversos países. Em sua abertura, participou a embaixadora Carla Barroso Carneiro, representante permanente do Brasil junto à FAO, ao Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e ao Programa Mundial de Alimentos (PMA). Já no painel de experiências nacionais, regionais e globais, o MDA foi representado por Inez Varoto Correa, Coordenadora de Negociações Ambientais.
A contribuição levada pela AI/MDA partiu de uma ideia simples, mas decisiva: a de que a relação entre floresta, produção e desenvolvimento precisava ser repensada. Nessa perspectiva, os territórios florestais não deveriam ser vistos apenas como áreas a serem protegidas da atividade econômica nem como fronteiras de expansão predatória. Eles também poderiam ser entendidos como espaços de produção sustentável, inclusão social e segurança alimentar, sobretudo quando articulados a políticas públicas voltadas à agricultura familiar, à recuperação ambiental e à valorização dos territórios.
Tudo isso ganha ainda mais relevância quando se observa a realidade da região Norte do nosso país. O MDA chama atenção para a conexão entre insegurança alimentar e desmatamento: economias associadas à derrubada da floresta intensificam a degradação ambiental, comprometem a produção de alimentos e aprofundam a insegurança alimentar. Ao mesmo tempo, a própria vulnerabilidade social pode empurrar populações para atividades que reforçam esse mesmo ciclo. Rompê-lo exigiria, portanto, abordagens capazes de tratar, de forma simultânea, meios de vida, sistemas alimentares e conservação florestal.
Inserido nesse contexto, como resposta concreta a essa questão, o MDA apresentou o Programa Nacional de Florestas Produtivas (PNFP), iniciativa do Governo do Brasil que já mobilizou R$ 1,8 bilhão entre recursos nacionais e de cooperação internacional, como os do Fundo Amazônia. O PNFP é voltado à promoção de sistemas produtivos sustentáveis de base florestal, com prioridade para sistemas agroflorestais, restauração produtiva e cultivo de espécies nativas, especialmente no âmbito da agricultura familiar. Ao articular produção sustentável, inclusão socioeconômica e recuperação ambiental, o programa busca fortalecer a segurança alimentar, gerar renda e contribuir para a mitigação das mudanças do clima.
Do PAS TERRA à Iniciativa Global de Florestas Produtivas
Após visita da FAO ao PNFP, em setembro de 2025, ganhou força a compreensão de que as ideias ali mobilizadas poderiam ter alcance maior: não apenas como contribuição conceitual, mas também como ponto de convergência entre iniciativas que já vinham sendo desenvolvidas em diferentes partes do mundo, ainda de forma pouco articuladas entre si.
Foi desse movimento que as reflexões em torno das florestas produtivas avançaram para a trilha de diálogo político do PAS (Plano de Aceleração de Soluções) TERRA, iniciativa lançada no âmbito da Agenda de Ação da COP30. O objetivo dele é ampliar soluções em agroecologia e agrofloresta com foco em restauração da biodiversidade, resiliência climática, segurança alimentar e geração de renda rural, especialmente para agricultores familiares, povos indígenas e comunidades locais. Ainda, desse mesmo processo surgiu a proposta da Iniciativa Global de Florestas Produtivas, voltada a três frentes principais: 1) contribuir com insumos para o roteiro da COP30 para deter e reverter o desmatamento; 2) construir bases analíticas e políticas para um mandato do Comitê de Florestas da FAO sobre o tema até 2028; e 3) mobilizar recursos para apoiar países interessados em acelerar transições agroflorestais centradas nas pessoas e nos territórios, já a partir de 2026.
O valor da floresta em pé
Há, ainda, uma dimensão estratégica nessa agenda que vale ser ressaltada. Ao recolocar no centro o valor da floresta em pé, a participação brasileira procurou mostrar que preservação ambiental e dinamização econômica não são termos inconciliáveis. Estudos sugerem que os retornos econômicos de longo prazo das florestas em pé podem superar aqueles obtidos com a conversão para pecuária extensiva ou expansão agrícola de baixa produtividade.
Mais do que apresentar um programa em um fórum internacional, a AI/MDA levou à FAO uma determinada leitura sobre desenvolvimento. A ideia central é a de que a floresta em pé pode e deve ser valorizada como base de produção sustentável, geração de renda, segurança alimentar e futuro para os territórios. Nessa perspectiva, a agricultura familiar deixa de aparecer como elemento lateral e passa a ocupar lugar constitutivo em uma estratégia que procura articular justiça social, conservação ambiental e cooperação internacional.
Para mais informações sobre o evento, acesse o site da FAO clicando aqui!
