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3ª CNDRSS
Destaques da 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário
Foto, Diana do Vale, Ascom MDA
A 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (3ª CNDRSS), encerrada nesta sexta-feira (27) em Brasília, reuniu delegados, movimentos sociais e milhares de participantes de todo o país. A secretária-executiva e futura ministra do MDA, Fernanda Machiaveli, destacou os avanços coletivos alcançados para a agricultura familiar, reforma agrária e valorização das comunidades tradicionais.
“Hoje é um dia de grandes conquistas, de celebrar tudo que a sociedade civil conquistou ao longo desses últimos três anos, um processo que foi árduo, um processo de reconstrução das políticas públicas para a agricultura familiar, as políticas para a reforma agrária, para o acesso à terra, para o acesso ao território, para a garantia da preservação dos nossos recursos naturais e a nossa biodiversidade, de valorização dos povos e comunidades tradicionais, de retomada de uma política de abastecimento alimentar e visando o fortalecimento do cooperativismo, do associativismo e o alcance da nossa soberania alimentar”, ressaltou Fernanda.

- Foto: Diana do Vale, Ascom MDA
Confira a seguir tudo o que aconteceu ao longo dos quatro dias de debates, cultura e mobilização popular na conferência.
Abertura marcada por anúncios e fortalecimento da democracia
A programação começou na terça-feira (24), com anúncios voltados à reforma agrária e ao fortalecimento do campo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a renegociação de dívidas de mais de 500 mil agricultores familiares pelo Desenrola Rural, o fortalecimento do Plano Safra e investimentos em programas como Florestas Produtivas e Coopera Mais. Também foram assinados decretos como a regulamentação do Programa Garantia Safra e a criação do Terras do Brasil, além da entrega de títulos quilombolas, incluindo Alcântara (MA), e novos decretos de desapropriação. Outro marco foi o anúncio de Fernanda Machiaveli como futura ministra, substituindo Paulo Teixeira, que disputará eleição para deputado federal. Fernanda será a primeira mulher a ocupar o cargo de ministra no MDA.
Participação social e construção coletiva
Antes de chegar à etapa nacional, a conferência percorreu um longo caminho, com mais de 560 etapas preparatórias em todo o Brasil. Desse processo surgiram cerca de 1.000 propostas, sendo 300 reunidas no Caderno Nacional de Propostas. Ao todo, mil delegados foram eleitos, representando todas as regiões do país: Nordeste (352), Norte (208), Sudeste (184), Centro-Oeste (128) e Sul (128). Pela primeira vez, a participação também aconteceu no ambiente digital, pela plataforma Brasil Participativo, que registrou 130 mil acessos, mais de 300 propostas cadastradas, 8 mil votos e a eleição de 20 delegados nacionais.
Debates estratégicos e inclusão social
Durante os quatro dias, os participantes se debruçaram sobre temas centrais organizados em seis eixos, como agroecologia, reforma agrária, sistemas alimentares e governança. Entre as vozes presentes, a delegada Zilma da Silva, de São Paulo, compartilhou sua trajetória e o significado de participar desses espaços de construção coletiva. “A primeira conferência que participei aqui em Brasília foi em 2009, passei a virada de ano longe da minha família só para participar de uma conferência. Tenho 62 anos e gosto de participar para poder ajudar a atualizar a realidade do nosso país, buscando os formatos de políticas públicas de uma maneira que atenda nossas necessidades. Fico muito satisfeita!”.
Cultura, identidade e diversidade
Além dos debates, a conferência também abriu espaço para a cultura e para a identidade dos povos do campo, das águas e das florestas. A Mostra de Cultura Maloca Raiz reuniu apresentações tradicionais como samba, forró, maracatu e quadrilha, evidenciando a riqueza cultural brasileira. Já a Feira da Agricultura Familiar aproximou produtores e consumidores, com destaque para alimentos agroecológicos e produção local.
Encerramento com perspectiva de futuro
Ao final, a conferência deixou como principal legado diretrizes para um Brasil rural mais justo, sustentável e inclusivo. O Documento Final reúne as propostas debatidas e servirá de base para políticas públicas voltadas à soberania alimentar, à justiça social e ao desenvolvimento territorial. Com forte participação popular e integração entre governo e sociedade civil, a 3ª CNDRSS marca a retomada, após 13 anos, da democracia participativa no campo.
Para o secretário executivo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável, Samuel Carvalho, o maior impacto esteve no esforço coletivo de diálogo e construção. “O impacto principal dessa conferência é o sucesso desse esforço de conseguir, de fato, nesses grupos enormes, com 100 pessoas, 200 pessoas, 300 pessoas, debater e chegar a um consenso para poder produzir esse Documento Final”.
Texto: Diana do Vale, Ascom MDA