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Tamar participa da Semana de Proteção ao Rio Doce
Publicado em
15/03/2018 19h13
Evento é promovido pela Assembleia Legislativa do ES e os debates conduzidos pela Cipe Rio Doce.
Sandra Tavares
sandra.tavares@icmbio.gov.br
No segundo dia do evento, e sob o tema “Proteção ao Rio Doce”, o professor da Universidade Federal do Espírito Sato (UFES), Alex Bastos, falou sobre o papel de apoio e suporte que o meio acadêmico tem dado ao poder público desde o dia em que a lama de rejeitos da mineradora Samarco chegou à foz do rio Doce. Segundo dados do Programa de Proteção Ambiental das Nações Unidas, citados por Alex, o mundo coleciona 328 desastres ocorridos por rompimento de barragens, tanto em países desenvolvidos quanto subdesenvolvidos. A Organização das Nações Unidas classifica esses acidentes ou desastres pelo nível de produtos nocivos lançados e pela extensão de área impactada.
Um desastre é classificado como muito sério se descarregar 1 milhão de metros cúbicos de rejeito e alcançar uma extensão de 20 km. “Podemos ver pelo desastre ocorrido no Brasil, em que houve aporte de mais de 35 milhões de m³ lançados no meio ambiente e de 700 km de extensão, que o caso Samarco foi extremamente sério”, frisou Alex.
Recente relatório intitulado
‘Mine Tailings Storage: Safety Is No Accident’ (Armazenamento de rejeitos de mina: segurança é nenhum acidente)
mostrou que o número de barragens contendo rejeitos de mineração cresceu em todo o mundo, e que os acidentes coincidem com altos picos de produtividade dessas empresas, elevando o risco de acidentes em mais de 20 vezes.
“O acidente da Samarco por exemplo coincidiu com o período de 30% de aumento na produção da Samarco. Soluções tecnológicas existem, mas não são adotadas pelas empresas. Se para ter minério se produz três vezes mais rejeito, é preciso pensar alternativas sustentáveis para esse produto. Será que o modelo de armazenamento desse produto em grandes volumes é solução viável?”, frisou o professor da Ufes, Alex.
“Continuamos o monitoramento desde novembro de 2015, embarcados, por meio dos sobrevoos e por mapeamentos via satélite”, destacou o coordenador do Tamar/ICMBio. O ICMBio preside a Câmara Técnica de Biodiversidade (CTBio), junto ao Comitê Interfederativo (CIF), contribuindo para que programas de monitoramento da biodiversidade aquática, incluindo água doce, zona costeira e estuarina, e toda a área marinha impactados, sejam executados. “Quando se pensa no impacto social do desastre, na desestruturação das comunidades que vivem da pesca e nas dimensoes da tragédia, vê-se que todos os modelos matemáticos para prever o que poderia acontecer falharam”, reiterou Joca.
"O meio e a biota aquática foram contaminados de forma aguda nos primeiros meses e de forma crônica para alguns elementos como Ferro, alumínio, entre outros. O monitoramento contínuo realizado pelas universidade, agora com apoio da Fundação Renova, mostrará a capacidade de resiliência dos ambientes e organismos, assim como as transformações que o ambiente sofreu com a intensa deposição e dispersão de sedimentos".
O diretor programas da Fundação Renova, Willian Carried, apresentou histórico da Fundação criada com a finalidade de minimizar e compensar os impactos causados à sociedade e ao ambiente. Segundo ele já houve investimentos na melhoria de 14 estações de tratamento de água, bem como entrega de 6 adutoras. “Já foram investidos 500 milhões em 39 municípios impactados”.
O diretor-presidente da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), Leonardo Deptuski, destacou a importância do Termo de Ajuste de Conduta assinado pelas empresas e órgãos de governo com a criação do Comitê Interfederativo- CIF, órgão deliberativo do acordo, e opinou que mesmo o comitê não sendo um modelo ideal, ele tem se mostrado melhor do que o ocorrido em desastres ambientais do passado no Brasil e no mundo, em que houve a judicialização dos processos de reparação e recuperação dos danos ambientais, prejudicando o inicio destes trabalhos.
O representante do Fórum Capixaba em Defesa do Rio Doce, Gilmar Ferreira, fez uma fala emocionada lembrando que os atingidos são pessoas simples, e que a linguagem do CIF ou mesmo das instâncias jurídicas não comunicam bem. “O que houve do dia do desastre até hoje é um crime, pelas vidas ceifadas. Mas não nos contentaremos com as migalhas oferecidas”, frisou Gilmar se referindo às alternativas de mitigação dos impactos adotadas até o momento. Segundo ele ‘todos somos atingidos’.
O engenheiro ambiental, representante do movimento “Todos pelo Rio Doce”, Henrique Lobo Gonçalves, falou sobre a geografia da Bacia Hidrográfica do Rio Doce e de seu contexto já fragilizado quando o desastre ocorreu. “O rio já estava seco, com a boca da barra fechada, e de 2005 para cá a cunha salina já estava adentrando o rio. Preconizei nos anos 80 que o rio Doce ficaria ‘fio de água’ em 2065. Errei por 40 anos na minha previsão”, destacou Lobo.
Programação do evento
Dia 14/03 – 13 às 17 horas
I Encontro Legislativo de Comitês de Bacias Hidrográficas do Espírito Santo
Local: Auditório Hermógenes Lima Fonseca
Participantes
Arilsom Luz – Comitê da Bacia do Rio São Mateus
Sinval Rosa da Silva – Comitê da Bacia do Rio Benevente
Elio de Castro Paulino – Comitê da Bacia do Rio Jucu
Mario Camilo de Oliveira Neto – Comitê da Bacia do Rio Santa Maria da Vitória
Kleilson Martins Rezende – Comitê da Bacia do Rio Itaúnas
Leonardo Deptuski – Diretor-presidente da Agerh
Barbará Sales – Presidente regional da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento do ES (Assemae)
Maria Helena Alves – Chefe da Divisão de Meio Ambiente da Cesan
Daniel Hernandez Dalla Favarato – Diretor-geral do Serviço Colatinense de Saneamento Ambiental (Sanear)
Fabio Hell Andrade – Diretor-executivo do Consórcio Intermunicipal de Saneamento Básico do ES (Cisabes)
Guerino Zanon – Presidente da Associação dos Munícipios do Estado do Espírito Santos (Amunes)
Vereador Wilton Minarini – Presidente da Associação das Câmaras Municipais do ES (Ascames)
Dia 15/03 – 13 às 17 horas
Encontro “Rompimento da Barragem de Fundão: Visão dos Atingidos”
Local: Auditório Hermógenes Lima Fonseca
Participantes
Nico Dias – representante do Fórum Capixaba em Defesa do Rio Doce
Cristiana Losekann – professora do Departamento de Ciências Sociais da Ufes e coordenadora do Grupo de Pesquisa e Extensão (Organon)
Jóeci Miranda – representante da Comissão dos Atingidos da foz sul do Rio Doce
Eliane Balke – representante da Comissão dos Atingidos da foz norte do Rio Doce
Nego da Pesca – Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais
Paulo Henriques Camargos Trazzi – Procurador da República do Ministério Público Federal (MPF) em Linhares
Wilton Minarini – presidente da Associação das Câmaras Municipais do Espírito Santo (Ascames)
Nico Dias – representante do Fórum Capixaba em Defesa do Rio Doce
Dias 12 a 16/03 – 7 às 19h
Exposição sobre o trabalho do Projeto Tamar em Regência, na foz do Rio Doce.
Exposição de fotografias do Rio Doce feitas por Tonico, fotógrafo da Assembleia Legislativa
Local: Pilotis da Ales
A Semana Legislativa de Proteção ao Rio Doce foi instituída pela Resolução 2.885/2010. De acordo com a legislação, deve ser realizada anualmente na semana do dia 22 de março, quando se comemora o Dia Estadual de Proteção ao Rio Doce (Lei 9.308/2009). Em 2018, excepcionalmente, está sendo promovida na semana anterior por causa do Fórum Mundial da Água, que será de 19 a 23 de março, em Brasília.
Cipe
Criado em 2001, a Cipe Rio Doce é um colegiado interestadual composto por deputados estaduais do Espírito Santo e Minas Gerais.
O Projeto Tamar está com exposição sobre o trabalho que é realizado em Regência, na foz do Rio Doce. No pilotis da Ales ocorre, ainda, exposição de fotografias do Rio Doce feitas por Tonico, fotógrafo da Assembleia Legislativa.