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Quando o caminho sensibiliza: interpretação ambiental transforma a visitação nas UCs federais
Descoberta em família: a interpretação ambiental convida visitantes de todas as idades a compreender e valorizar a biodiversidade - Foto: Nico Ferri/Conservation International Brasil
O som das cataratas ao fundo, o cheiro da floresta úmida, o barulho dos animais pelo parque e, no meio da trilha, uma placa lhe convida a desacelerar. Em poucas linhas, ela revela que aquela mata guarda histórias geológicas, espécies ameaçadas e memórias culturais de diferentes povos. Não é apenas informação, é um convite para olhar a paisagem com outros olhos. Essa experiência tem nome: interpretação ambiental – e vem se tornando uma das principais ferramentas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para aproximar pessoas e natureza. A proposta é transformar cada trilha, placa ou exposição em uma ponte entre o visitante e a conservação.
A interpretação ambiental é uma ferramenta de gestão de áreas protegidas utilizada por diversas instituições em todo o mundo. A coordenadora substituta da Coordenação de Estruturação da Visitação (COEST), Serena Turbay, explica que a prática “é um conjunto de estratégias de comunicação destinadas a revelar os significados dos recursos ambientais, históricos e culturais, a fim de provocar conexões pessoais entre o público e o patrimônio protegido”. Essas estratégias vão desde a instalação de placas e sinalização interpretativa nas trilhas até exposições, materiais educativos, conduções guiadas e ações de atendimento ao público. Mais do que transmitir informações, a proposta é sensibilizar e engajar.
Por esse motivo, a interpretação ambiental deixou de ser apenas uma iniciativa local para se tornar parte das estratégias institucionais do ICMBio. Cursos, projetos e diretrizes vêm sendo implementados em todo o país para integrar comunicação, educação ambiental e gestão da visitação.
Experiências em Parques Nacionais
No Parque Nacional do Pau Brasil, no sul da Bahia, essa diretriz institucional ganhou forma no território. A experiência interpretativa começa ainda no centro de visitantes, onde uma exposição permanente apresenta, do geral ao específico, o contexto da Mata Atlântica, a biodiversidade local e a história da ocupação humana na região, preparando o olhar de quem chega antes mesmo de entrar na floresta. E em breve, o conteúdo se estenderá pelas trilhas, com sinalização distribuída ao longo dos percursos para alcançar também quem visita a unidade sem condutor. Para a servidora responsável pela área de uso público no parque, Dayse de Souza, o objetivo é fazer com que o visitante compreenda o significado daquele espaço desde o primeiro momento. “Logo na chegada, a pessoa já consegue entender um pouco do que aquele lugar vai contar para ela, que sentido ele tem”, explica.
A iniciativa do Parna do Pau Brasil não é isolada. Nos últimos anos, o Instituto Chico Mendes vem ampliando a capacitação de servidores, condutores, monitores e equipes de uso público em todo o país, com cursos, oficinas e produção de diretrizes técnicas voltadas à interpretação ambiental. A proposta é integrar essa abordagem ao planejamento de todas as unidades de conservação (UCs) federais. Na prática, isso se traduz em recursos diversos – trilhas com pontos de parada, placas temáticas, exposições, materiais gráficos, aplicativos e conduções guiadas – que ajudam a transformar a visita em uma experiência de descoberta e pertencimento.
Por trás dessa experiência, no entanto, há um trabalho minucioso de planejamento. O Parque Nacional do Iguaçu, por exemplo, está há cinco anos com o projeto de implementação. Segundo o chefe do Parque, localizado no extremo oeste do estado do Paraná, Ulisses dos Santos, cada elemento interpretativo é pensado com critério: as mensagens seguem eixos temáticos, priorizam linguagem simples e direta e evitam excesso de informações. “A gente trabalha com a ideia de uma mensagem principal por placa. Se tentar dizer tudo ao mesmo tempo, o visitante não leva nada”.
O desenvolvimento envolve estudos de conteúdo, definição de narrativas, contratação de empresas especializadas e até a avaliação de como o público reage aos materiais. O objetivo é estimular a reflexão, não sobrecarregar e garantir que a interpretação ambiental funcione como estratégia técnica de comunicação – e não como improviso ao longo do caminho.
Interpretar é conservar
Ao integrar essas iniciativas ao cotidiano das unidades, o ICMBio reforça que interpretar também é conservar. Aproximando ciência, história e cultura da experiência do visitante, o Instituto transforma a visitação em oportunidade de sensibilização e corresponsabilidade, convidando a sociedade a participar ativamente da proteção da biodiversidade. É simples: quando as pessoas entendem o valor daquele território, elas tendem a respeitar regras, reduzir impactos e se tornar aliadas da conservação. Interpretar deixa de ser apenas apoio à gestão e passa a fazer parte da própria missão de cuidar do patrimônio natural brasileiro.
De volta à trilha, você, visitante, diminui o passo diante de mais uma placa, descobre o nome de uma árvore centenária, entende o papel das nascentes, percebe sons e detalhes que antes passariam despercebidos. A paisagem deixa de ser apenas cenário e ganha significado. Ao sair do parque, leva consigo mais do que fotos: leva histórias, perguntas e um novo olhar sobre a natureza. No fim das contas, a trilha não é só caminho – é aprendizado, vínculo e convite permanente ao cuidado.
Quer saber mais sobre a interpretação ambiental no ICMBio? Confira a publicação “Interpretação Ambiental nas Unidades de Conservação Federais” clicando aqui.
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