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Pequenos vertebrados são os que mais morrem com incêndios florestais no Brasil, aponta artigo
Pantanal foi a região com mais registros enviados - Foto: Ramilla Yamanaka/ICMBio
Um artigo publicado na revista Science of the Total Environment revela que vertebrados com peso menor que 1kg são os mais suscetíveis à mortalidade devido a incêndios florestais no Brasil. Os répteis (como serpentes e lagartos) foram o grupo com maior mortalidade registrada (um a cada 60), seguidos de mamíferos, anfíbios e aves.
Os dados foram obtidos por ciência cidadã e integraram um Banco de Dados organizado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação dos Mamíferos Carnívoros (CENAP) e Universidade Federal de Viçosa (UFV). Este foi o primeiro na literatura que utilizou essa abordagem para documentar animais impactados pelo fogo.
Este banco de dados é formado por imagens enviadas de maneira voluntária por brigadistas, servidores de órgãos ambientais e pesquisadores que atuam no monitoramento de queimas prescritas e combates a incêndios florestais, organizações não governamentais, além de três bancos de dados publicados por pesquisadores parceiros e fotografias coletadas de notícias online entre os anos de 1998 e 2024. No total, 2.850 registros de animais foram realizados.
As fotografias foram classificadas taxonomicamente (classe, ordem, família, gênero e espécie), bioma, estado, local da área atingida e tipo de evento, incêndio e queima prescrita. Os animais foram classificados com base no tamanho corporal: pequeno (menor que 1kg), médio (entre 1 e 7kg) e grande (acima de 7kg).
A maioria dos registros foi feita no Pantanal (mais de 65%), seguido pelo Cerrado, Amazônia, Mata Atlântica e Caatinga. Não houve registro no bioma Pampa. Quase metade das fotos foi realizada em áreas protegidas, incluindo unidades de conservação, terras indígenas e áreas protegidas privadas. Oito em cada dez fotos foram registradas em incêndios florestais.
Anfíbios e répteis representaram 67,55% dos registros, entre serpentes (859), lagartos (558), tartarugas (58), jacarés (82) e sapos (223). Dentre os mamíferos, a maior mortalidade foi de roedores e artiodátilos (ordem que inclui animais como queixada, veados, antas). Com base na análise destas informações, o estudo aponta que os animais de pequeno porte (com até 1kg) e com menor mobilidade são os mais impactados pelo fogo. Essa descoberta contrasta com o que se acreditava até então: que animais de pequenos portes tendem a encontrar refúgio mais facilmente durante incêndios e que animais com pelo curto, escamas ou pele lisa apresentam menor vulnerabilidade ao fogo. Este é um resultado que está alinhado a estudos conduzidos no Pantanal que revelam que répteis e anfíbios foram os mais impactados pelo fogo em 2020.
Segundo o analista ambiental Christian Berlinck, um dos autores, “além de analisar os grupos animais mais afetados negativamente pelo fogo, buscamos entender quais funções ecológicas estas espécies prestam, para então inferirmos os impactos a médio e longo prazo sobre a biodiversidade, serviços ecossistêmicos e restauração das áreas afetadas pelos incêndios. Ao mesmo tempo, estas análises podem orientar ações de prevenção e restauração ambiental mais eficientes. Importante ressaltar que este banco de dados continua a ser alimentado, portanto, solicitamos a todos que tenham registros de animais vivos e mortos em área queimada que nos envie. Neste momento, estamos analisando os efeitos indiretos, positivos e negativos, que afetam refúgios e recursos”.
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