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Mosaico da Serra do Espinhaço retoma implementação com foco na atuação integrada de UCs
O Parque protege aquíferos e nascentes que abastecem a Região Metropolitana de Belo Horizonte - Foto: Divulgação/Parna da Serra da Gandarela
Foi realizado no último mês, dezembro do ano passado, o primeiro encontro do Mosaico Serra do Espinhaço – Quadrilátero Ferrífero (MG), uma grande conquista ao Parque Nacional (Parna) da Serra da Gandarela. O Mosaico foi criado por Portaria do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em dezembro de 2018, esta reunião foi o marco da retomada de sua implementação para que as Unidades de Conservação (UCs) possam planejar e executar ações em conjunto relativas a diversos temas. Estes, como restauração ambiental, proteção e conservação das águas e aquíferos, licenciamento ambiental, Manejo Integrado do Fogo, corredores ecológicos, educação ambiental, uso público em trilhas de longo curso como a Transgandarela e a Transespinhaço, dentre outros assuntos.
Segundo Tatiana Pereira, gestora do Parna Serra do Gandarela, tornar o Mosaico atuante irá possibilitar que cerca de 30 UCs trabalhem de forma integrada. “Isso fortalece a gestão e a conservação ambiental, pois os esforços que fazemos para proteger as águas em um parque se potencializam quando investidos de forma coordenada por tantos atores”, afirma.
Primeiro encontro
O encontro foi marcado por grande motivação de seus participantes para constituir o Conselho e implementar o Mosaico como agenda prioritária para 2026. Muitas das áreas protegidas presentes reivindicaram a sua inclusão dentre aquelas que já compõem o Mosaico oficialmente. E, apesar de ter sido esclarecido que tais UCs também poderão participar do Mosaico e de suas atividades, foi encaminhado que uma das primeiras ações após a constituição oficial do Conselho será uma recomendação para a atualização das UC que constituem o Mosaico.
Para além de representantes do Parque, participaram dezenas de UCs estaduais, municipais, além de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), prefeituras municipais, instituições de ensino, pesquisa e extensão, comunidades, movimentos sociais, organizações não governamentais (ONGs) e empresas que atuam na região.
Tatiana enfatiza a alegria do Parque em ter mobilizado a primeira reunião do Mosaico, resultando em uma reunião com mais de 90 representantes de diversos setores. “O Mosaico certamente poderá contribuir para um avanço importante na gestão integrada de nossas áreas protegidas, o que já ocorre para o Manejo Integrado do Fogo, mas poderá ser aprimorado e feito em outras áreas”, indica.
O Mosaico
O Mosaico contempla a porção sul da Serra do Espinhaço, região que coincide com o Quadrilátero Ferrífero. Os outros dois Mosaicos da Serra do Espinhaço reúnem UCs da porção média e norte mineira, englobando os Parques Nacionais da Serra do Cipó e das Sempre Vivas, respectivamente. Pode-se considerar que o Espinhaço começa na região metropolitana de Belo Horizonte e segue em direção à Bahia. “É um território com várias Unidades de Conservação que se sobrepõem ou estão próximas. Um processo de licenciamento ou mesmo um incêndio que impacta uma, afeta outras. Se elas têm um fórum para discutirem juntas essas questões, todas se fortalecem”, resume Tatiana.
O Parque Nacional
Localizado a 40 quilômetros de Belo Horizonte, o Parque Nacional da Serra do Gandarela foi criado em 2014 para proteger aquíferos, rios, cangas e seus ecossistemas associados, além de diversas espécies de fauna e flora ameaçadas de extinção. O território alcança oito municípios da região e integra as bacias dos rios São Francisco e Doce. O Parque apresenta exuberantes serras, rios e cachoeiras. A vegetação é composta de um dos mais contínuos fragmentos de Mata Atlântica de Minas Gerais em transição com formações do Cerrado, como os campos rupestres ferruginosos e quartizíticos.
Demais conquistas em 2025
Outra conquista do Parque no último ano é em relação à decisão do Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) Rio das Velhas. Tatiana destaca que é o maior avanço desde a criação da Unidade de Conservação, em 2014. “A nova classificação assegura a conservação da qualidade das águas que o Parque Nacional da Serra do Gandarela foi criado para preservar”, explica. Algo de grande importância, pois algumas nascentes do Ribeirão da Prata estão fora dos limites do parque. Agora, esses cursos d’água não poderão sofrer qualquer impacto que altere suas condições naturais. O Ribeirão da Prata nasce na Serra do Gandarela, deságua no Rio das Velhas e, em conjunto com os demais aquíferos da região, é considerado a caixa d’água da região metropolitana de Belo Horizonte.
Após dois anos de intensos debates, a deliberação do CBH ocorreu em novembro e terá vigência de 20 anos. O comitê é composto por representantes do Poder Público, da sociedade civil e de usuários dos serviços hídricos, como, por exemplo, concessionárias de saneamento, agricultura e mineração.
Comunicação ICMBio com informações do Parque Nacional da Serra da Gandarela
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