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ICMBio e Marinha iniciam construção de moderna Estação Científica no meio do Atlântico
O pequeno arquipélago tem uma área emersa de apenas 1,7 hectare, o que equivale a menos de quatro campos de futebol - Foto: Marcos Tito
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Marinha do Brasil iniciaram a construção da nova Estação Científica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP), localizado no Atlântico Equatorial. A obra dá continuidade ao projeto arquitetônico aprovado em outubro do ano passado e representa um novo marco para a pesquisa científica e a conservação marinha em uma das áreas mais remotas e estratégicas do território brasileiro.
Com investimento superior a R$ 7 milhões, esta será a terceira versão da Estação Científica instalada no arquipélago, com previsão de implantação até o final deste ano.
O ICMBio participa da gestão do arquipélago desde 2018, quando toda a área das ilhas e um raio de 200 milhas náuticas em seu entorno passaram a ser protegidos por duas unidades de conservação federais: a Área de Proteção Ambiental (APA) do Arquipélago de São Pedro e São Paulo e o Monumento Natural (Mona) do Arquipélago de São Pedro e São Paulo. A gestão ambiental é compartilhada entre o Instituto e a Marinha nacional, com presença permanente no arquipélago.
A criação dessas unidades, em março de 2018, fez com que o Brasil atingisse a marca de 26% de sua área marinha protegida, ampliando significativamente a conservação dos ecossistemas oceânicos sob jurisdição nacional.
Engenharia pensada para décadas
O projeto da nova estação foi desenvolvido pelo laboratório de planejamento de projetos da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), sob coordenação da professora doutora Cristina Engel, responsável também pelos projetos das estações anteriores, implantadas em 1998 e 2008. A equipe técnica dedicou mais de um ano de estudos para adaptar a estrutura às condições ambientais extremas do arquipélago.
Localizado a cerca de 1,1 mil quilômetros do continente, o Arquipélago apresenta espaço físico reduzido, mar revolto, ventos intensos, forte corrosão marinha e ocorrência de abalos sísmicos. Entre as principais mudanças do novo projeto está a substituição da madeira por materiais mais leves e altamente resistentes à corrosão, tanto nas paredes da estação quanto na passarela de acesso ao farol.
“Resolvemos trocar a madeira, que requer manutenção mais cuidadosa, para um material mais leve e altamente resistente à corrosão, que requer o mínimo esforço de manutenção”, destaca Bernardo Dias, arquiteto da equipe da UFES.
Outro avanço é o sistema de montagem por encaixe, que reduz drasticamente o uso de parafusos, componentes que, nas versões anteriores, sofriam desgaste acelerado pela corrosão. A nova estação contará com mais espaço interno, áreas de convivência, um abrigo de segurança (shelter) e uma passarela de ligação com o farol, já construída em dezembro passado, no ponto mais alto da ilha principal, reduzindo a necessidade de manutenção em um local de difícil acesso.
Confira a maquete virtual da Estação.
Pesquisa científica e desafios logísticos
Além das atividades permanentes de monitoramento conduzidas pelo ICMBio, o arquipélago abriga atualmente 15 projetos de pesquisa científica, vinculados ao Programa de Incentivo à Ciência no Arquipélago, coordenado pela Marinha do Brasil e financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
As pesquisas abrangem áreas como ecologia de ecossistemas, comportamento e genética animal, oceanografia biológica, biofísica de processos, geociências e recursos pesqueiros. O acesso ao arquipélago é restrito e exige preparo rigoroso: todos os pesquisadores passam por treinamento intensivo de sobrevivência no mar, oferecido pela Marinha, que também é responsável por toda a logística de transporte, abastecimento e manutenção da Estação Científica.
Para o chefe das Grandes Unidades Oceânicas do ICMBio, Júlio Rosa, a produção científica no arquipélago é fundamental para embasar as decisões de gestão ambiental. Ele também ressalta que a pesquisa é essencial para a tomada de decisões sobre a conservação da biodiversidade em territórios tão singulares.
“Nosso trabalho tem grande foco nas parcerias. Conseguir viabilizar uma obra de tamanha complexidade, a muitas mãos, é um indicativo de que estamos no caminho certo”, afirma Júlio, chefe das Grandes Oceânicas do ICMBio.
Soberania, Amazônia Azul e uso sustentável
Manter o Arquipélago de São Pedro e São Paulo habitável é também uma estratégia de afirmação da soberania nacional. A presença permanente de brasileiros no local amplia a Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do país em um raio superior a 370 quilômetros ao redor do arquipélago.
Essa área integra a chamada Amazônia Azul, que corresponde a mais de 5,7 milhões de quilômetros quadrados de águas sob jurisdição brasileira e concentra elevado potencial ambiental, econômico e estratégico.
No entorno do arquipélago, a principal atividade econômica associada é a pesca industrial de atum, com destaque para os estados do Rio Grande do Norte e do Ceará. As modalidades de espinhel pelágico e pesca de cardume abastecem mercados nacionais e internacionais. No primeiro semestre de 2025, as exportações potiguares de atum superaram US$ 8 milhões, evidenciando a relevância econômica da atividade.
Por estar inserida em uma Área de Proteção Ambiental, a exploração pesqueira na região ocorre sob normas específicas de uso sustentável, que buscam conciliar produção econômica e conservação da biodiversidade marinha.
Comunicação ICMBio com informações das Grandes Oceânicas
comunicacao@icmbio.gov.br
(61) 2028-9280


