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ICMBio apresenta iniciativas na exposição latino-americana de manejo do fogo
O MIF reconhece o fogo como elemento natural e cultural dos ecossistemas, promovendo sua gestão de forma sustentável e respeitosa com as comunidades e territórios. Foto: Ramilla Yamanaka/Cemif
Foi lançada na última semana (5), a plataforma ExpoMIF, espaço virtual que reúne boas práticas em Manejo Integrado do Fogo (MIF) de nove países da América Latina. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) participa da mostra com quatro iniciativas distribuídas nos eixos Governança para a Sustentabilidade, Práticas de Manejo do Fogo e Comunicação e Sensibilização. Os trabalhos podem ser acessados aqui.
No eixo Governança para a Sustentabilidade — dedicado a regras, acordos e planos que orientam o manejo integrado — o ICMBio apresenta a Aliança Interinstitucional e Indígena no Manejo do Fogo da Amazônia Sul. A ação envolve ainda o Prevfogo/Ibama e a Brigada Indígena Tenharim-Marmelos. Com planejamento conjunto, divisão de responsabilidades e integração de saberes tradicionais, a iniciativa aprimorou o MIF em três áreas protegidas. Entre os impactos observados estão a redução da área queimada no enclave do Cerrado, o aumento da eficiência das ações preventivas, a inclusão de povos indígenas na gestão do fogo e o fortalecimento da governança compartilhada.
Na categoria Práticas de Manejo do Fogo, que reúne técnicas e operações voltadas à gestão do fogo, o Instituto apresenta duas iniciativas. A primeira é o uso autorizado e controlado do fogo no Parque Nacional da Serra da Canastra (MG), que reduziu significativamente a ocorrência de incêndios florestais desde sua adoção. A medida também aproximou o ICMBio dos comunitários canastreiros, minimizando conflitos e garantindo o uso tradicional de forma segura, com menor risco de perdas econômicas e ambientais.
O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT) inscreveu duas práticas. Também em Práticas de Manejo do Fogo, destaca-se o uso de arco e flecha como mecanismo de ignição em áreas de difícil acesso. As ferramentas, adaptadas de técnicas tradicionais de caça, são confeccionadas com materiais locais pelos próprios brigadistas, garantindo sustentabilidade ambiental e econômica, além de resgatar significados culturais.
A segunda iniciativa do Parque está no eixo Comunicação e Sensibilização, voltado a ações de informação e engajamento sobre prevenção e uso do fogo. O programa “Comunicando sobre o Manejo Integrado do Fogo” promove atividades voltadas à imprensa e à comunidade. Uma das ações foi a Oficina de MIF para jornalistas, que qualificou a cobertura jornalística, aumentou o engajamento da mídia e contribuiu para fortalecer a confiança pública. Como resultados, houve redução de erros conceituais, retorno positivo dos participantes e maior reconhecimento institucional. O modelo foi replicado em outras unidades, como o Parque Nacional de Brasília (DF).
Para João Morita, coordenador do Centro Especializado em Manejo Integrado do Fogo (CEMIF/ICMBio), as iniciativas mostram a busca da autarquia por soluções inovadoras. “Para concretizar e implementar o MIF, necessitamos deste tipo de ideia: que fortaleça a governança e a confiança na instituição, que integre os saberes locais e torne o manejo um processo realmente participativo e centrado no diálogo, sem prejuízo dos resultados”, afirma.
Desde 2009, o ICMBio já formou cerca de 40 mil brigadistas, com uma média de 2.500 alunos por ano.
O Brasil, com 68 iniciativas, é o país que mais contribui para a exposição. Além do ICMBio, o Ibama e brigadas voluntárias também participam da mostra. O ExpoMIF é resultado de esforços conjuntos do Observatório Regional Amazônico (ORA), Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Rede Amazônica de Manejo Integrado do Fogo (RAMIF), Global Fire Management Hub, Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), Projeto CoRAmazonia, Agência Suíça para o Desenvolvimento e Cooperação (COSUDE) e Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Comunicação ICMBio
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