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Transformar o mundo por dentro da biodiversidade
Como voluntários mudaram suas vidas, e outras ao seu redor, a partir da vivência no Centro TAMAR/ICMBio
Ter um planeta com os oceanos limpos, sem lixo ou poluição química, aliado a uma pesca sustentável. Ter espécies como as tartarugas marinhas conservadas e mentes transformadas sobre a importância de cada um fazer a sua parte no dia a dia, para um meio ambiente mais equilibrado. Cada uma dessas, e outras tantas jornadas, se alcança dando o primeiro passo.

- Voluntários atuaram em 2019 junto à Base do Centro TAMAR/ICMBio em SE e à REBIO Santa Izabel/SE, abordando pescadores e limpando as praias com presença de óleo advindo de vazamento
Cada voluntário, seja nas tarefas de monitoramento reprodutivo, de atendimento ao público em ações de educação/sensibilização ambiental ou mesmo em um trabalho mais técnico na sede do Centro TAMAR, mudam essa engrenagem do ‘eu’ em prol do ‘nós’.
Ao disponibilizarem um tempo de suas vidas para a causa da conservação da biodiversidade marinha e das tartarugas, eles transformam a si e muitos ao seu redor. Ganha quem, com tudo isso? Todas as formas de vida, com absoluta certeza!
Como a pedra que cai no lago tranquilo, cada informação, cada oficina que transforma lixo em brinquedo, cada ação de limpeza de praia, ecoa nesse lago, gerando ondas subsequentes de transformação nas pessoas, nas escolas, nas famílias, no município, estado, país e no planeta.

- Karina Nunes participando do monitoramento na Base Avançada do Centro TAMAR/ICMBio em Regência, Linhares-ES, juntamente com equipe da Fundação Projeto TAMAR (ONG parceira).
Segundo dados levantados pelo World Giving Index (WGI), em pesquisa realizada em 142 países, em 2023, 4,2 bilhões de pessoas já ajudaram alguém que não conheciam, fizeram algum trabalho voluntário ou doaram algum recurso financeiro em prol de alguma causa.
No mesmo ano, a Atados – instituição brasileira nascida em 2012 e que conecta pessoas a causas sociais por meio do voluntariado - registrou 6.875 voluntários únicos no Brasil; e apontou que cerca de 70% dos brasileiros pretendem fazer mais trabalho social.
Dados do IDIS* de 2021 revelaram que 56% da população adulta declara já ter feito alguma atividade voluntária na vida, saindo de patamares muito menores anteriormente - 2011 (25%) e 2001 (18%). O número de voluntários ativos no momento da pesquisa também foi significativo - 34% dos entrevistados, estimando que cerca de 57 milhões de brasileiros estão comprometidos de alguma forma com atividades voluntárias no país.
Para a primeira voluntária do Centro TAMAR, o saldo parece ser para lá de positivo. Ela começou como voluntária em 2017, deu seguimento como estagiária e depois se tornou bióloga contratada. “Iniciei na área administrativa, escaneando documentos. E foi de rico aprendizado para mim, pois senti que estava fazendo parte da modernização do órgão, que migrava tudo para um sistema digital de processos (SEI). Tive contato também com o trabalho em campo e com as tartarugas, que guardo em meu coração”, relembra Karina Nunes.

- Experiências de Nilton Filgueiras na Base Avançada do Centro TAMAR/ICMBio em Fernando de Noronha-PE.(Foto Lorena Nascimento)
E quando o assunto é pé na areia e noites em claro, Nilton Filgueiras vivenciou em Noronha/PE algo único. Ele foi voluntário no Centro TAMAR de janeiro a maio de 2024, em plena temporada reprodutiva. Suas atividades envolviam monitoramento noturno da praia do Leão, para flagrante, marcação e biometria das Chelonia mydas (tartarugas-verde). “Reconhecia a fêmea em atividade reprodutiva; localizava e marcava os ninhos, durante ou após a desova, além de monitorar pela manhã a praia do Sancho e de participar de atividades de educação ambiental em parceria com o ICMBio Noronha (Parque e APA) junto às escolas de Fernando de Noronha”, relembra Nilton.
É um misto de alegria, realização, satisfação e sensação de dever cumprido”. Em suas experiências anteriores Nilton teve pouco ou nenhum contato com fêmeas desovando, o que ele considerou um momento mágico e inesquecível. “Estar próximo de uma fêmea, à noite, em meio a natureza, presenciando um comportamento animal que poucas pessoas têm a oportunidade de acompanhar foi, de longe, a melhor experiência com tartarugas marinhas que já tive”, relembra.
Para ele, trabalhar com tartarugas marinhas foi a melhor experiência que ele já teve. “O monitoramento noturno é incrível! O total contato com a praia, o mar e as tartarugas marinhas chega a ser a realização de um sonho. O Programa garante aos voluntários alojamento durante o período. “As pessoas que conheci ao longo do voluntariado foram maravilhosas, como analistas ambientais, bolsistas e colegas voluntários. Acredito que se o ICMBio disponibilizasse um auxílio alimentação seria excelente e facilitaria a estadia de mais voluntários, como eu”, sugere.

- Joice Soares está atualmente fazendo mestrado em Oceanografia Ambiental pela UFES, e está pesquisando o microplástico e seus impactos nos golfinhos.
Ela começou em 2018 e diz já ter feito de tudo um pouco: “Nesses anos de voluntariado, já me envolvi em diversas atividades de Educação Ambiental, Pesquisa e Comunicação, com produção e publicação de materiais na rede social da base; elaboração de materiais e na execução de oficinas e atividades de educação ambiental, tendo como tema central a preservação dos ambientes costeiro e marinho”, explica Joice.
Outro ganho para a base foi o perfil acadêmico da voluntária, que permitiu a sua participação em pesquisas, coleta de dados, análise, escrita e apresentação de trabalhos em eventos científicos. Joice afirma que gosta do contato com o público e participa ativamente dos atendimentos, durante as visitas e aberturas da Base ao público. “Meu sentimento é de gratidão por poder colaborar com a causa ambiental onde vivo. É gratificante ver os pequenos resultados alcançados na população local, e vejo o quão importante esse trabalho é!”, celebra essa mudança de mentalidade local.
Joyce já passou por diferentes experiências em áreas de desova do ES e diz que as tartarugas já lhe ensinaram muito. “É o que me inspira a falar delas ao público e conduzir limpezas de praia. Estamos todos na mesma casa (a Terra). Quanto mais mãos atuando, mais longe iremos!”, celebra.
Para a estudante de Biblioteconomia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Thâmara Gêja, mesmo por um período tão curto, a experiência do voluntariado na Sede do Centro TAMAR/ICMBio, em Vitória, marcou. “Fui voluntaria dentro da minha área que é Biblioteconomia, por um período curto de um mês, em 2023, para inserir publicações técnicas, acadêmicas e científicas do Centro TAMAR no Biblioteca Digital dos Centros de Pesquisa do ICMBio”, relembra Thâmara.Ela cita que foi uma realização muito gratificante. “Foi uma nova experiência com organização documental, em uma plataforma que eu desconhecia. Além do mais, pude conhecer mais sobre o incrível trabalho do Centro TAMAR. Mesmo não tendo tido contato com as tartarugas ou com o público, as minhas experiências no escritório foram as melhores possíveis, o ambiente sempre estava organizado e limpo e as pessoas sempre foram bastantes receptivas e educadas comigo”.
E esses foram apenas alguns exemplos de muitas experiências vividas pelos voluntários, que abrilhantaram o Centro TAMAR/ICMBio pelo tempo em que estiveram no Centro e que se dedicaram fazendo a diferença. Se uma longa jornada se inicia com os primeiros passos, esses já foram dados na história do Centro TAMAR, ao trazer para bem perto essa energia renovadora dos voluntários.
Venha ser voluntário no Centro Tamar! Para saber mais como ser voluntário no Centro TAMAR/ICMBio, clique aqui.
* IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social - é uma organização social independente fundada em 1999 e pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil. Atua junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades socioambientais no país.
Fonte: Boletim Eletrônico do Centro TAMAR/ICMBio - 6a Edição - Maio 2025
