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RETAMANE a pioneira
Primeira Rede voltada para a conservação das tartarugas marinhas no Brasil
Abrir as fronteiras e fazer algo pioneiro, nunca antes tentado no lugar, dá trabalho. Mas junto com esse trabalho vem também o reconhecimento. O espaço de trabalho é o Nordeste brasileiro: de longe uma das áreas mais importantes para a conservação das tartarugas marinhas no Brasil. Conhecida por praias de rica beleza cênica, biodiversidade marinha significativa e areia com temperatura mais quente, a região já revela um toque de pioneirismo no trato com as tartarugas marinhas.
Neste contexto, revela-se a visão estratégica do biólogo e atual coordenador científico da RETAMANE, que integra o Instituto Biota de Conservação, Bruno Stefanis. Já no ano de 2012, ele teve a ideia de reunir as diversas instituições que já atuavam com tartarugas marinhas no Nordeste para, juntas, somarem suas forças em prol de uma causa comum: a conservação das tartarugas marinhas.
“A proposta era compartilhar experiências e avançar discussões sobre a pesquisa e a conservação das tartarugas marinhas de forma regional. E nada melhor que o formato de uma Rede, que já existia para outros grupos taxonômicos”, relembra Bruno. O passo seguinte foi literalmente colocar a mão na massa, fazendo contato com as diversas instituições e propondo a criação da Rede, e “a proposta foi bem aceita por todos”, segundo o mentor.
Com isso nascia, em outubro de 2012, a Retamane – Rede de Conservação das Tartarugas Marinhas do Nordeste, formada inicialmente por 10 instituições após encontro realizado em Ipojuca-PE. Atualmente a Retamane conta com 15 Instituições, vinculadas à Rede em todo o Nordeste, da Bahia ao Maranhão.
A Direção – composta por 3 cargos - foi conduzida inicialmente pelo próprio Bruno Stefanis (Instituto Biota) como coordenador geral, cargo atualmente exercido por Flávio Lima (UERN); pela pesquisadora da UFRPE, Jozelia Correia, como coordenadora científica, atualmente a cargo de Bruno; e pela pesquisadora da Ecoassociados, Elizangela Guimarães, como secretária - cuja função hoje é exercida por Daniela Siqueira (Associação Guajiru).

- Atual coordenação da Retamane (da esq para dir.): Coordenador Científico Bruno Stefanis; Coordenador Geral Flávio Lima e Secretária Daniela Siqueira.
Segundo Bruno, com a exceção de alguns membros, todas as instituições trabalham com manejo reprodutivo e resgate de encalhes. “Contamos na Retamane com ONGs e entidades governamentais, assim detalhadas: ONGs – 1. APC Cabo de São Roque , 2. Associação Guajiru, 3. Ecoassociados, 4. Fundação Projeto TAMAR, 5. Instituto Biota de Conservação, 6. Instituto Tartarugas do Delta, 7. NUMAR, 8. Oceânica, 9. Instituto Parahyba de Sustentabilidade; 10.REBIO Atol das Rocas; e 4 universidades federais (11.UFAL, 12.UFRN, 13.UFRPE e 14.UFMA) e 1 universidade estadual (15.UERN)”, detalha o coordenador científico.
“O Centro Tamar como órgão do PAN Tartarugas Marinhas e avaliador das licenças SISBIO para as entidades membros, participa como convidado nas reuniões, assegurando o cumprimento dos protocolos, entre outros”, frisa João Carlos Alciati Thomé, coordenador do Centro TAMAR/ICMBio.
Nesta Rede, cada instituição trabalha de forma independente em seus estados, com reuniões presenciais anuais, ocasião em que são discutidas propostas de trabalhos conjuntos, são feitas revisões de protocolos e são apresentados trabalhos focados na temática das tartarugas marinhas e que foram exibidos em simpósios acadêmicos.
Segundo ele, “esse processo ajuda a Rede a estreitar relações com outras entidades que trabalham em outros estados, possibilitando diagnosticar a origem da marcação ao encontrar animais marcados no litoral, ajudando a entender o ciclo de deslocamentos e um pouco da ecologia desses animais”.
Sobre a criação de uma Rede Nacional de Conservação das Tartarugas Marinhas, uma das ações do PAN Tartarugas Marinhas 3º Ciclo, o coordenador científico da Retamane tem apoiado e ajudado nesse processo. “Já nos foi dada essa incumbência de ajudar as outras regiões a se organizarem e a Retamane está se articulando com outras instituições para que as regiões façam suas redes e, com isso, consigamos montar uma Rede Nacional”, celebra Bruno.
Os leitores podem acessar o Linktr.ee da Retamane: https://linktr.ee/rederetamane e navegarem por todos os documentos e publicações da Rede, como o Regimento Interno, as Referências Bibliográficas que a Rede segue, as Instituições membro e o link direto para o Canal Youtube da Rede. Integrantes do Simpósio de tartarugas marinhas, promovido pela RETAMANE, em 2024 em Maceió-AL.
Fonte: Boletim Eletrônico do Centro TAMAR/ICMBio - 6a Edição - Maio 2025.



