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Conheça o trabalho realizado pelo IEMA-ES na condução dos desdobramentos do desastre no território capixaba
Para o diretor técnico do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do ES (IEMA), Gilberto Arpini Sipioni, no nível estadual o esforço técnico e institucional foi significativo. “No auge do desastre mobilizamos mais de 25% de todo o nosso quadro técnico, numa ação emergencial e coordenada, com o objetivo de oferecer a melhor resposta possível frente ao desastre. Nunca havíamos enfrentado algo semelhante no Brasil, o que exigiu respostas rápidas, adaptativas e integradas entre as diferentes esferas de governo”.
Sipioni explica que foram realizados inúmeros sobrevoos para acompanhar em tempo real o comportamento da pluma de sedimentos no rio Doce e ao longo da costa do Espírito Santo. Essas ações foram fundamentais para subsidiar decisões emergenciais e orientar medidas de resposta. E diversas notas técnicas contribuíram de forma ativa com outras esferas de governo na gestão da crise e na formulação de políticas públicas.
“Sem contar o intenso trabalho de campo, com coletas sistemáticas de água, sedimentos e organismos bentônicos em cinco pontos do rio Doce, em território capixaba. Essas coletas ocorreram, inicialmente, em intervalos de 48 em 48 horas, sendo posteriormente espaçadas para frequência mensal, de acordo com a evolução do cenário”, relembra.
Já depois de criado o CIF, em 2016, o IEMA participou diretamente de quatro Câmaras Técnicas: Gestão dos Rejeitos e Segurança Ambiental; Restauração Florestal e Produção de Água; Conservação e Biodiversidade; e Segurança Hídrica e Qualidade da Água. “Passamos a atuar no âmbito do Programa de Monitoramento Quali-Quantitativo de Água e Sedimento, que abrangeu o monitoramento dos tributários do rio Doce, da calha principal do rio, bem como da região costeira e marinha impactada. “O que envolveu contribuições técnicas essenciais para o planejamento e execução de ações de curto, médio e longo prazos, com foco na recuperação ambiental da bacia do rio Doce e da costa capixaba”, frisa Sipioni.
Como principais resultados o diretor técnico do IEMA destaca a restauração de áreas degradadas, com importantes iniciativas de reflorestamento que contribuem para a produção de água e a recomposição da cobertura vegetal; a implantação de adutoras de água, que ampliaram o acesso à água potável em comunidades afetadas; a reforma e modernização de estações de tratamento de água, fortalecendo a segurança hídrica em diversas localidades; e o elevado acúmulo de informações técnicas e científicas, que hoje formam uma base sólida para orientar a recuperação ambiental do rio Doce ao longo dos próximos anos.
Sipioni elogiou o PMBA que se tornou, segundo ele, “uma referência para o país”. “Sem dúvida, uma das entregas mais relevantes da CTBio, pois esse programa permitiu não apenas o acompanhamento contínuo da saúde dos ecossistemas aquáticos impactados, mas também gerou uma base robusta de dados científicos que servirá de subsídio para políticas públicas e ações de recuperação nos próximos anos”, celebra.
Sobre o novo contexto do Acordo do Rio Doce, o diretor reforça que o IEMA permanece atuando de forma ativa e comprometida, dentro das áreas de competência estabelecidas pelo Novo Acordo e em conformidade com suas atribuições institucionais. “O Instituto continuará contribuindo tecnicamente com o monitoramento ambiental, a avaliação dos impactos e o acompanhamento das medidas de recuperação, sempre com foco na proteção do meio ambiente e na garantia dos direitos das populações atingidas”.
O aprendizado acumulado ao longo da última década, segundo ele, com todos os desafios enfrentados, é um catalisador para ações futuras, “possibilitando decisões mais acertadas e estratégias mais eficazes”. Para o diretor, só será possível olhar para essa história daqui a uma próxima década, e perceber avanços significativos, se houver continuidade das políticas públicas, compromisso institucional e integração entre os diversos atores envolvidos.
“A restauração dos tributários do rio Doce é fundamental para a melhoria da qualidade da água, da biodiversidade e da resiliência dos ecossistemas ao longo da bacia. Assim como ações voltadas à segurança hídrica, à conservação da biodiversidade e ao fortalecimento das comunidades, que também precisam ganhar maior escala”, reforça Sipioni sobre o que merece maior foco nesse novo ciclo de ações ambientais.
Comunciação Centro TAMAR/ICMBio
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