O que é a prevenção e por que ela é a melhor estratégia?
A prevenção é a estratégia de manejo de melhor relação custo-benefício por evitar a chegada de espécies ao país ou a áreas ecologicamente sensíveis, incorrendo em menores custos e maiores chances de sucesso. No contexto das Unidades de Conservação federais, essa abordagem é especialmente estratégica, uma vez que essas áreas concentram valores elevados de biodiversidade e demandam ações permanentes de prevenção, vigilância e resposta rápida. A definição de medidas preventivas requer conhecimento das espécies que representam riscos à biodiversidade, a serviços ecossistêmicos, à saúde e à economia, assim como a compreensão das vias de chegada de espécies exóticas, o estabelecimento de rotinas de detecção precoce em áreas ecologicamente sensíveis e capacidade instalada para executar ações de resposta rápida, entre outras questões.
Como as EEI chegam às UC?
O primeiro estágio do processo de invasão é o transporte de espécies com ajuda humana para além de sua área de distribuição natural, o que pode envolver uma série de vias e vetores. O processo de globalização e a intensificação do transporte e comércio de mercadorias, viagens e turismo são considerados fatores chave na movimentação de espécies ao redor do mundo a uma velocidade também crescente. Essas atividades proveem vetores e vias de transporte, viabilizando que plantas, animais e material biológico atravessem barreiras biogeográficas que normalmente impediriam sua passagem e dispersão para novas áreas. Compreender a importância de vias/vetores específicos é essencial para promover ações efetivas de prevenção a introdução de espécies indesejadas, especialmente para a conservação de biodiversidade em áreas estratégicas, como Unidades de Conservação.
O que são vias e vetores?
Vias de introdução e dispersão de espécies exóticas invasoras são definidas como um conjunto de processos que resultam na introdução de uma espécie exótica de uma área geográfica para outra, como rotas geográficas pelas quais espécies são levadas para fora de sua área de distribuição natural, corredores como estradas, canais e túneis, ou atividades humanas que levam à introdução, como paisagismo, aquicultura, navegação marítima e outras.
Vetores, por sua vez, são mecanismos de dispersão e meios de introdução, referindo-se a meios ou agentes físicos nos quais uma espécie é levada para fora de sua área de distribuição natural.
A CBD elaborou o documento “Pathways of introduction of invasive species, their prioritization and management”, categorizando vias de introdução e dispersão de EEI com embasamento científico.
A categorização adotada pela CDB contempla três mecanismos abrangentes de introdução de espécies, a movimentação de mercadorias, vetores e dispersão. A primeira se refere ao transporte, de forma intencional ou não, ligada a atividades humanas; a segunda trata dos meios físicos pelos quais as espécies podem ser transportadas; e o terceiro se refere a processos de dispersão não associados diretamente a atividades humanas, porém indiretamente sim.
Num segundo nível, há seis categorias principais: soltura, escape, contaminação, presença clandestina ("carona"), corredor e não assistida, ou seja, sem ajuda humana.
Estas seis categorias, por sua vez, se desdobram em 44 subcategorias. Para conhecer melhor a categorização das vias e vetores, ao lado é apresentada a tabela da CDB, com tradução livre.
Pequenas ações que fazem grande diferença
A prevenção da introdução de espécies exóticas invasoras está diretamente relacionada a atitudes cotidianas que, quando incorporadas às rotinas de trabalho e visitação, reduzem significativamente os riscos de dispersão. Cuidados simples, como a atenção a veículos, equipamentos, roupas e calçados utilizados em atividades de campo, ajudam a evitar o transporte involuntário de sementes, fragmentos biológicos ou pequenos organismos entre áreas naturais.
Da mesma forma, a adoção de rotinas de inspeção, limpeza e manutenção de maquinários e embarcações contribui para minimizar a propagação de espécies invasoras, especialmente em ambientes aquáticos, onde a bioincrustação e o deslocamento entre corpos d’água representam vias importantes de introdução. O registro dessas ações e a escolha de soluções ambientalmente adequadas fortalecem o planejamento, a rastreabilidade e a efetividade das medidas preventivas.
Conheça mais sobre ações preventivas que podem ser implementadas nas UC
Essas práticas estão detalhadas e contextualizadas nos materiais elaborados pela CMEEI/ICMBio, que oferecem orientações técnicas e exemplos aplicáveis a diferentes realidades, apoiando gestores, equipes de campo e parceiros na adoção de medidas preventivas eficazes e alinhadas às diretrizes nacionais.