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Desenvolvimento social
Sudene investe R$ 350 mil em projeto inédito que fortalece saberes tradicionais no Vale do Jequitinhonha
Comitiva interministerial contou com a participação da Sudene no levantamento de oportunidades de desenvolvimento local. Foto: divulgação.
Recife (PE) – A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) firmou parceria com o Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG), campus Araçuaí, para fortalecer atividades produtivas baseadas nos saberes tradicionais de comunidades do Vale do Jequitinhonha. A iniciativa articula educação, cultura e desenvolvimento regional, com investimento de R$ 350 mil. As ações terão início ainda este ano.
A iniciativa vai viabilizar cursos de capacitação e formação cultural na Casa da Cultura e Memória dos Povos Tradicionais do Vale do Jequitinhonha, espaço reconhecido como referência na preservação da identidade local. O objetivo é ampliar oportunidades de trabalho e renda, ao mesmo tempo em que valoriza o patrimônio cultural local. “Projetos como este são importantes por contribuir para o desenvolvimento sustentável e, sobretudo, valorizar as tradições das diversas comunidades tradicionais estabelecidas em nossa área de atuação”, comentou o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre.
O projeto surgiu a partir de uma articulação interministerial em campo, com a presença da Sudene, envolvendo áreas como planejamento, cultura, meio ambiente e desenvolvimento regional. A atuação conjunta permitiu identificar demandas concretas e estruturar uma iniciativa com impacto social direto no território. “É um investimento que conecta educação, cultura e desenvolvimento sustentável, respeitando as vocações locais”, afirma a coordenadora-geral de Promoção do Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente da Autarquia, Ludmilla Calado. A ação está alinhada aos eixos de educação, desenvolvimento produtivo e inclusão social previstos no Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), que orienta as estratégias da Sudene para reduzir desigualdades e fortalecer economias locais.
Além de preservar o patrimônio cultural, o projeto aposta na economia criativa e no turismo cultural como vetores de desenvolvimento. Atividades como artesanato, música, teatro, design e gastronomia local estão no centro das ações, com foco em agentes culturais, artistas, educadores, gestores públicos, estudantes e integrantes de comunidades tradicionais do Vale do Jequitinhonha.
A execução prevê a oferta de quatro cursos de Formação Inicial e Continuada, com 120 vagas no total e carga horária de 160 horas, voltados à valorização dos saberes tradicionais e à qualificação cultural no território. As formações abordam os temas Patrimônio Cultural e Identidades; Povos Tradicionais e Culturas; Educação Étnico-Racial; e Arte, Ofícios e Culturas, com estudo e prática de tecnologias ancestrais por meio de oficinas de artesanato, cerâmica, bordado, música, teatro, tambor e práticas medicinais tradicionais. A programação inclui ainda três exposições abertas ao público: “Sarã, ãbakoháy ~ug hãhãw: Raízes, Memórias e Território”, da artista indígena Uakyrê Pankararu Braz; “Guardiãs das Palavras Benditas: Benzedeiras do Jequitinhonha”, com obras de Aline Gomez Ruas e Lori Figueiró; e uma mostra fotográfica do projeto de extensão de mapeamento das comunidades tradicionais do Médio Vale do Jequitinhonha.
Composto por 53 municípios e população próxima de 700 mil habitantes, o Vale do Jequitinhonha integra a área de atuação da Sudene e reúne ampla diversidade cultural, marcada pela presença de povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhos, artesãos e extrativistas que mantêm práticas ancestrais essenciais para a identidade e a subsistência da região. Dados do Censo 2022 do IBGE indicam que o território está entre os que concentram maior número de comunidades quilombolas no país, com mais de 30 mil pessoas que se reconhecem como pertencentes a este núcleo social.
Reportagem: Agnelo Câmara, Assessoria de Comunicação da Sudene • Mais informações: ascom@sudene.gov.br | (81) 2102.2102
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