Sífilis em gestantes
A sífilis em gestante e a sífilis congênita são infecções de notificação compulsória. Na gestação, a sífilis pode ter consequências graves, como abortamento, prematuridade, natimortalidade, manifestações congênitas precoces ou tardias e/ou morte do recém-nascido.
Em gestantes, a taxa de transmissão vertical de sífilis para o feto é de até 80% intraútero. Essa forma de transmissão pode ocorrer, ainda, durante o parto vaginal, se a pessoa parturiente apresentar alguma lesão sifilítica. A infecção fetal é influenciada pelo estágio da doença na pessoa gestante (sendo maior nos estágios primário e secundário) e pelo tempo durante o qual o feto foi exposto.
Até 50% das gestações em pessoas com sífilis não tratada terão desfechos gestacionais adversos, como morte in utero, parto pré-termo, baixo peso ao nascer ou morte neonatal.
Recomenda-se que gestantes sejam testadas pelo menos em três momentos, além de quando houver situações de exposição de risco/violência sexual:
- Primeira consulta pré-natal, idealmente no 1º trimestre de gestação;
- Terceiro trimestre de gestação;
- Momento do parto ou em casos de aborto.
Os sinais e sintomas da sífilis em gestantes são os mesmos da sífilis adquirida (que acomete principalmente jovens e adultos) e variam de acordo com cada estágio clínico.
A infecção é dividida em estágios, que orientam o tratamento e o monitoramento da infecção, a saber:
- Sífilis recente (primária, secundária e latente recente): até um ano de evolução; e
- Sífilis tardia (latente tardia e terciária): mais de um ano de evolução.
Sinais e sintomas
Os sinais e sintomas da sífilis variam de acordo com cada estágio da doença, que se divide em:
Sífilis primária
- Ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria (vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca, ou outros locais da pele), que aparece entre 10 e 90 dias após o contágio. Essa lesão é rica em bactérias e é chamada de “cancro duro”;
- Normalmente, ela não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha;
- Essa ferida desaparece sozinha, independentemente de tratamento.
Sífilis secundária
- Os sinais e sintomas aparecem entre seis semanas e seis meses do aparecimento e cicatrização da ferida inicial;
- Podem surgir manchas no corpo, que geralmente não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. Essas lesões são ricas em bactérias;
- Pode ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça, ínguas pelo corpo;
- As manchas desaparecem em algumas semanas, independentemente de tratamento, trazendo a falsa impressão de cura.
Sífilis latente – fase assintomática
- Não aparecem sinais ou sintomas;
- É dividida em:
latente recente (até um ano de infecção) e latente tardia (mais de um ano de infecção); - A duração dessa fase é variável, podendo ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária.
Sífilis terciária
- Pode surgir entre 1 e 40 anos após o início da infecção;
- Costuma apresentar sinais e sintomas, principalmente lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.
Diagnóstico
O diagnóstico de sífilis exige uma correlação entre dados clínicos, resultados de testes laboratoriais, histórico de infecções passadas e investigação de exposição recente. Apenas o conjunto de todas essas informações permitirá a correta avaliação diagnóstica de cada caso e, consequentemente, o tratamento adequado.
A presença de sinais e sintomas compatíveis com sífilis (primária, secundária e terciária) favorece a suspeição clínica. Entretanto, não há sinal ou sintoma patognomônico da doença. Portanto, para a confirmação do diagnóstico, é necessária a solicitação de testes diagnósticos. Nas fases sintomáticas, é possível a realização de exames diretos, enquanto os testes imunológicos podem ser utilizados tanto na fase sintomática quanto na fase de latência. Para saber mais, acesse o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da Transmissão Vertical de HIV, Sífilis e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.
Tratamento
A penicilina benzatina é o medicamento de escolha para o tratamento de sífilis, sendo o único com eficácia documentada durante a gestação. Recomenda-se tratamento imediato de gestantes após somente um teste reagente para sífilis (teste treponêmico ou teste não treponêmico). O tratamento adequado durante a gestação é o tratamento completo para o estágio clínico de sífilis com benzilpenicilina benzatina, iniciado até 30 dias antes do parto. Qualquer outro tratamento realizado durante a gestação é considerado tratamento não adequado. O intervalo entre doses não deve ultrapassar nove dias. Caso isso ocorra, o esquema deve ser reiniciado.
O tratamento adequado e seu devido registro na caderneta da pessoa gestante são importantes para prevenir intervenções biomédicas desnecessárias e de risco ao recém-nascido, bem como para não comprometer a relação do binômio mãe-criança. O tratamento da(s) parceria(s) sexual(is) é também essencial para evitar a reinfecção durante a gestação e reduzir o risco de transmissão vertical.
Monitoramento pós-tratamento de sífilis
Os testes não treponêmicos (ex.: VDRL/RPR) devem ser realizados mensalmente em gestantes e, no restante da população (incluindo pessoas vivendo com HIV e/ou aids), a cada três meses até o 12º mês do acompanhamento (3, 6, 9 e 12 meses).
Prevenção
A prevenção da sífilis na gestação é realizada por meio de acompanhamento pré-natal adequado e com qualidade. É fundamental que o teste para sífilis seja ofertado a todas as pessoas gestantes, pelo menos no 1º e no 3º trimestre de gestação, no parto ou em caso de aborto, ou em situações de exposição de risco/violência sexual.
As pessoas gestantes com diagnóstico de sífilis devem ser tratadas e acompanhadas adequadamente, assim como suas parcerias sexuais, para evitar reinfecção após o tratamento.
Notificação
A notificação compulsória regular (em até sete dias) é realizada pelos serviços de saúde no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), conforme fluxos da vigilância epidemiológica e definição de caso de sífilis em gestante. Para saber mais, acesse o Guia de Vigilância em Saúde vigente do Ministério da Saúde.