Diagnóstico
As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) caracterizam-se como infecções causadas por mais de 30 agentes etiológicos diferentes (bactérias, vírus, fungos e protozoários), sendo transmitidas de maneira prioritária por contato sexual. Eventualmente, também podem ser transmitidas por contato sanguíneo, e da mãe para a criança durante a gestação, o parto ou a amamentação.
As ISTs ocorrem com alta frequência na população e têm múltiplas apresentações clínicas. No que diz respeito ao diagnóstico dessas infecções, a anamnese, a identificação das diferentes vulnerabilidades e o exame físico constituem-se como elementos essenciais. Durante o exame físico, deve-se proceder, quando indicado, à coleta de material biológico para a realização de testes laboratoriais ou rápidos.
A abordagem sindrômica, que se baseia nos aspectos clínicos para classificar os principais agentes etiológicos e definir o tratamento sem o apoio de testes laboratoriais ou rápidos, não abrange completamente os diferentes aspectos das ISTs. Dessa forma, sempre que possível, os testes laboratoriais ou rápidos devem ser utilizados para auxiliar na definição do diagnóstico. Além disso, sempre que disponíveis no serviço, é necessário realizar exames para triagem de gonorreia, clamídia, sífilis, HIV e hepatites B e C.
É importante ressaltar que, mesmo sem sinais e sintomas, as ISTs podem estar presentes e ser, inclusive, transmissíveis. Ultimamente, o manejo das infecções assintomáticas está se beneficiando de novas tecnologias diagnósticas — algumas já em uso, como os testes rápidos para sífilis e para o HIV, além de outras menos acessíveis até o momento, mas que contam com a possibilidade de implantação, como os testes para gonorreia e clamídia.
Atualmente, o Ministério da Saúde vem incentivando a realização do teste rápido como importante estratégia de saúde pública na ampliação do diagnóstico.
Os testes rápidos são testes nos quais a execução, leitura e interpretação do resultado ocorrem em, no máximo, 30 minutos, sem a necessidade de estrutura laboratorial. Esses testes podem ser realizados com amostras de sangue total obtidas por punção digital.
O Ministério da Saúde distribui aos serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C. Esses testes podem ser realizados por qualquer profissional de saúde devidamente treinado. Para apoiar essa qualificação, o Ministério da Saúde disponibiliza um curso na modalidade de ensino a distância (EaD), intitulado “Utilização dos testes rápidos no diagnóstico da infecção pelo HIV, da sífilis e das hepatites B e C” (2ª edição), disponível no Campus Virtual Fiocruz. O curso é gratuito, possui carga horária de 20 horas e oferece certificado de conclusão. Está organizado em seis módulos e inclui conteúdos como um guia prático para execução dos testes rápidos, vídeos explicativos e manuais dos testes atualmente disponíveis na rede.
Além disso, o Ministério da Saúde também oferece aos profissionais a Avaliação Externa de Qualidade para Testes Rápidos (AEQ-TR), que consiste em uma importante ferramenta de gestão para garantir a qualidade dos resultados gerados na testagem rápida. Trata-se de uma avaliação gratuita de desempenho na execução dos testes rápidos, de caráter educacional e não punitivo, com emissão de certificado a cada rodada (teóricas e práticas). A avaliação é individual, espontânea e pode ser realizada por qualquer profissional que execute testes rápidos. No site do Programa de Avaliação Externa da Qualidade para Testes Rápidos (AEQ-TR) poderão ser localizados o vídeo e o manual com informações detalhadas sobre a AEQ-TR.
O Ministério da Saúde, em parceria com as Unidades da Federação, mantém a Rede Nacional de Laboratórios/Serviços de Saúde para a realização do exame de Biologia Molecular para detecção de Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae (CT/NG) no SUS, com a finalidade de ofertar os exames para diagnóstico dessas infecções em todo o Brasil. O Ministério da Saúde também promove a contratação de prestação de serviços e aquisição de insumos, bem como o monitoramento dos laboratórios e serviços de saúde que executam os testes, a fim de garantir a qualidade dos exames ofertados no âmbito do SUS.
Por fim, o atendimento imediato das pessoas com alguma IST e de suas parcerias, além de ter uma finalidade curativa, também visa a interrupção da cadeia de transmissão e a prevenção de outras ISTs e complicações decorrentes dessas infecções. A sinergia entre o diagnóstico precoce e o tratamento adequado e oportuno do HIV, da sífilis e das hepatites virais durante a gravidez leva à prevenção da transmissão vertical, devendo ser valorizada em todos os níveis de atenção.
Nesse sentido, o Ministério da Saúde estabelece e apoia estratégias para a redução das ISTs, em conjunto com estados, municípios, organizações não governamentais, entidades de classe e demais instituições envolvidas com o tema.