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SAÚDE COM CIÊNCIA
Não há relação entre infecções respiratórias e vacinas de RNA mensageiro
Foto: Internet
Frequentemente, as redes sociais são tomadas por fake news envolvendo vacinas contra a covid-19, especialmente as que utilizam a tecnologia do RNA mensageiro (RNAm). Todas essas informações já foram amplamente desmentidas e não têm comprovação científica. A desinformação mais recente afirma, de forma equivocada, que existiria uma relação entre infecções respiratórias, falta de ar e vacinas de RNAm. Isso é falso. Não existe qualquer relação comprovada.
De forma inadvertida, até o tenista Rafael Nadal foi usado na tentativa de validar essa desinformação. Em 2022, o atleta sentiu falta de ar durante uma partida e alguns usuários das redes sociais associaram esse fato à vacinação do atleta contra a covid-19. Nadal já desmentiu a narrativa. Ele publicou em suas redes sociais que foi examinado por sua equipe médica, e que a falta de ar aconteceu devido a uma fissura no terceiro arco costal esquerdo causada por estresse.
Como funcionam as vacinas de mRNA?
Essas vacinas não contêm o vírus vivo, não causam infecção e não alteram o DNA humano. Elas funcionam como uma “receita temporária”: levam ao organismo uma sequência sintética de RNAm que ensina as células a produzir uma proteína específica e inofensiva do coronavírus. Essa proteína é suficiente para ativar o sistema imunológico, preparando o corpo para se defender contra uma possível exposição ao vírus do SARS-CoV-2. Após cumprir sua função, o RNAm é naturalmente degradado pelo corpo.
Vacinas de mRNA são seguras?
Sim. Antes de serem disponibilizadas à população brasileira, todas as vacinas passam por análises rigorosas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A vacina contra a covid-19 baseada em RNAm, produzida pela Pfizer e utilizada no Brasil, seguiu todas as etapas de testes científicos e estudos de eficácia e segurança exigidos pela agência reguladora.
Imunizantes aprovados pela Anvisa não são experimentais. Até chegar a população, eles passaram por diversas fases de teste de eficácia e segurança. Além disso, mesmo após o início da vacinação em massa, a segurança continua sendo monitorada continuamente pelo Ministério da Saúde, pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) e pela própria Anvisa.
Vacinas alteram o DNA?
Não. O RNAm utilizado nas vacinas não entra no núcleo das células, onde o DNA está armazenado. Por isso, não há qualquer possibilidade de alteração genética. O que pode ocorrer, são efeitos adversos leves e temporários, como dor no local da aplicação, febre ou dor de cabeça, todos especificados e previstos em bula.
Riscos da vacina X riscos da doença
Os possíveis efeitos colaterais das vacinas são, em geral, leves e passageiros. Eles não se comparam à gravidade da covid-19, doença que já causou mais de 700 mil mortes no Brasil e pelo menos 20 milhões no mundo, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A Anvisa também alerta que eventos adversos notificados após a vacinação não significam, necessariamente, que a vacina seja a causa. Todos os casos passam por uma investigação criteriosa com o objetivo de determinar se o evento ocorreu realmente devido a vacina. Quadros como miocardite, por exemplo, podem ocorrer após infecções virais comuns, sem qualquer relação com a imunização.
Combate à desinformação
Mensagens enganosas costumam usar dados antigos, isolados ou fora de contexto para espalhar medo. A ciência já demonstrou de forma consistente que as vacinas contra a covid-19 são seguras, eficazes e fundamentais para reduzir complicações graves e mortes.
Além das ações do Ministério da Saúde, qualquer cidadão pode ajudar no combate às fake news: checando informações, alertando amigos e familiares, denunciando conteúdos falsos e evitando compartilhar mensagens suspeitas. Informação de qualidade continua sendo a melhor vacina contra a desinformação.
Fontes
As referências usadas nesta matéria são: