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Janeiro Roxo: tudo o que você precisa saber sobre hanseníase
Foto: Internet
Vamos falar sobre saúde? Para iniciar o ano, temos o Janeiro Roxo. O objetivo da Campanha é promover informação e mobilização de profissionais da saúde, gestores e sociedade civil sobre a hanseníase e o enfrentamento da doença.
A doença é cercada de preconceitos e estigma e ainda representa um desafio para a saúde pública no Brasil, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. O importante é entender que a hanseníase tem cura e que o diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento são ofertados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Confira abaixo tudo o que você precisa saber sobre a doença em nove tópicos.
O que é a hanseníase?
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa, que afeta os nervos e a pele e é causada pelo Mycobacterium leprae ou bacilo de Hansen, em homenagem à Gerhard Henrick Armauer Hansen, médico e bacteriologista norueguês, que descobriu a doença, em 1873.
Quais os sinas e sintomas da hanseníase?
Os mais frequentes são:
- Manchas (brancas, avermelhadas, acastanhadas ou amarronzadas) e/ou área (s) da pele com alteração da sensibilidade térmica (ao calor e frio) e/ou dolorosa (à dor) e/ou ao tato.
- Sensação de formigamento, fisgadas ou dormência nas extremidades.
- Áreas da pele com perda de pelos e de suor.
- Caroços (nódulos) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos.
- Diminuição da força muscular (dificuldade para segurar objetos).
Como ocorre a transmissão da hanseníase?
Os pacientes sem tratamento eliminam os bacilos através do aparelho respiratório superior (secreções nasais, gotículas da fala, tosse, espirro). A maioria das pessoas que entram em contato com estes bacilos não desenvolve a doença. Somente um pequeno percentual adoece.
Fatores ligados à genética humana são responsáveis pela resistência (não adoecimento) ou suscetibilidade (adoecimento). O período de incubação da doença é bastante longo, variando, em média, de três a cinco anos.
A transmissão é interrompida no início do tratamento. O paciente em tratamento regular ou que já recebeu alta não transmite a doença.
É possível prevenir a hanseníase?
Não há uma vacina específica para prevenir a doença, mas a vacina BCG, normalmente aplicada no nascimento para prevenir tuberculose, também reduz o risco das formas mais graves e complicações pela hanseníase, pois as bactérias causadoras de ambas as doenças são parecidas.
Por isso, pessoas que convivem ou conviveram com quem recebeu o diagnóstico de hanseníase; e que, após serem examinadas tiveram o diagnóstico da doença descartado, podem se vacinar, se recomendado.
Como prevenir deficiências, deformidades e sequelas decorrentes da hanseníase?
O diagnóstico precoce e o tratamento adequado da doença e de suas complicações, aliado às orientações quanto à prática do autocuidado, constituem as principais estratégias para a prevenção de deficiências, deformidades e sequelas decorrentes da hanseníase.
A prevenção compreende um conjunto articulado de medidas que visam evitar danos não apenas físicos, mas também emocionais, sociais e socioeconômicos. Esse processo inicia-se no momento do diagnóstico, continua durante o tratamento e se estende ao acompanhamento contínuo da pessoa acometida pela doença, envolvendo atuação multiprofissional. Inclui o monitoramento da função neural, avaliação da sensibilidade, a proteção e o cuidado com olhos, mãos e pés, identificando precocemente sinais de alertas que possam gerar deficiências físicas e sequelas.
Como é feito o diagnóstico?
Os casos de hanseníase são diagnosticados por meio do exame físico geral dermatológico e neurológico. Eles identificam se há lesões ou áreas de pele com alteração de sensibilidade e/ou comprometimento de nervos periféricos, com alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas.
Os casos com suspeita de comprometimento neural, sem lesão cutânea (suspeita de hanseníase neural primária), e aqueles que apresentam área com alteração sensitiva e/ou autonômica duvidosa e sem lesão cutânea evidente, deverão ser encaminhados para unidades de saúde de maior complexidade para confirmação diagnóstica.
Recomenda-se que, nessas unidades, os casos suspeitos sejam submetidos novamente aos exames dermatológico e neurológico criteriosos e, se necessário, à coleta de material para exames laboratoriais (baciloscopia ou histopatologia cutânea ou de nervo periférico sensitivo), a exames eletrofisiológicos e/ou outros mais complexos, para identificar comprometimento cutâneo ou neural discreto e realizar diagnóstico diferencial com outras neuropatias periféricas.
Atenção! Em crianças, o diagnóstico da hanseníase exige avaliação ainda mais criteriosa, diante da dificuldade de aplicação e interpretação dos testes de sensibilidade.
Casos em crianças sinalizam transmissão ativa da doença, especialmente entre os familiares. Por esse motivo, deve-se intensificar a investigação dos contatos.
Como ocorre o tratamento da hanseníase?
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza tratamento e acompanhamento dos pacientes em unidades de saúde da atenção primária e da atenção especializada.
O tratamento medicamentoso é realizado com a associação de três antimicrobianos - rifampicina, dapsona e clofazimina. Essa associação se chama poliquimioterapia única (PQT-U) e diminui a resistência medicamentosa do bacilo, que ocorre com frequência quando se utiliza apenas um medicamento.
O Protocolo Clínico e Diretriz Terapêutica da Hanseníase (2022), prevê outros medicamentos em caso de eventos adversos aos fármacos supracitados ou resistência antimicrobiana. Para mais detalhes, consulte o PCDT (https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/protocolos/publicacoes_ms/copy_of_20230131_PCDT_Hanseniase_2022_eletronica_ISBN.pdf)
Os medicamentos são seguros e eficazes. Ainda no início do tratamento, a doença deixa de ser transmitida. Além de apoiar o tratamento, familiares ou não, que residam ou tenham residido, convivam ou tenham convivido com a pessoa acometida pela hanseníase, no âmbito domiciliar, nos últimos cinco anos anteriores ao diagnóstico da doença, também devem ser examinados.
Quanto tempo dura o tratamento?
A duração do tratamento varia de acordo com a forma clínica da doença. O tratamento regular deve ser realizado durante seis meses para os casos paucibacilares (PB) e em doze meses para os multibacilares (MB). Para ambos os casos, devem ser administradas doses mensais supervisionadas e doses diárias.
Observações importantes
- A gravidez e o aleitamento materno não contraindicam o uso dos medicamentos (PQT-U).
- Pessoas com peso inferior a 30 Kg devem ter as doses de medicamentos ajustadas;
- Anticoncepcionais orais podem ter sua ação reduzida pelo uso da rifampicina.
Acabando com o preconceito
A falta de conhecimento sobre a doença pode ocasionar a discriminação e promover a exclusão social na família, na escola, no trabalho e/ou na sociedade.
É importante lembrar que a pessoa com hanseníase precisa de apoio. É possível registrar práticas discriminatórias em canais específicos, como as ouvidorias de saúde. O número do Disque Saúde é 136.
Fontes
As referências usadas nesta matéria são as seguintes:
Dúvidas sobre Hanseníase - Ministério da Saúde