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SAÚDE COM CIÊNCIA
Vacina inativada poliomielite (VIP) não causa paralisia
Foto: Walterson Rosa/MS
A poliomielite, também chamada de paralisia infantil, é uma doença contagiosa aguda causada pelo poliovírus selvagem. A infecção ocorre por contato direto com fezes de pessoas doentes ou com secreções eliminadas pela boca. A maioria dos infectados não apresenta sintomas, mas entre 5 e 10 em cada 100 pessoas podem ter sinais semelhantes aos da gripe.
A cada um de 200 casos, o vírus invade o sistema nervoso e destrói partes responsáveis pelos movimentos, provocando paralisia permanente, principalmente nas pernas. Em situações raras, pode atingir áreas do cérebro ligadas à respiração e levar à morte.
A vacina eliminou a poliomielite no Brasil e segue sendo a única forma de prevenção da doença.
Mais uma fake ews sobre vacinação volta a circular nas redes sociais — desta vez, envolvendo a vacina inativada poliomielite (VIP). Ao contrário do que afirmam as publicações enganosas, a VIP não causa paralisia. Os dados científicos e a própria história da saúde pública mostram que: as altas coberturas vacinais contra a poliomielite contribuíram para a eliminação da doença no Brasil.
História de sucesso
Décadas atrás, a pólio fazia parte da rotina trágica de muitas famílias. Até os anos 1980, ao menos mil crianças ficavam paralisadas todos os dias no mundo por causa da doença, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa realidade mudou graças à vacinação em massa. No Brasil, não há circulação do poliovírus selvagem desde 1990, e o último caso confirmado nas Américas foi registrado em 1991.
Segurança
A vacina atual utilizada no país é a VIP (Vacina Inativada Poliomielite), aplicada por injeção. Ela é produzida com vírus inativado (morto) e não causa paralisia. Desde 4 de novembro de 2024, o esquema vacinal passou a ser exclusivamente com a VIP, substituindo completamente a antiga vacina oral (a “gotinha”), eliminando riscos raros associados ao uso de vírus vivo deste componente. A mudança segue recomendação da OMS e integra a estratégia global de erradicação da pólio.
O esquema vacinal é composto de três doses de VIP aos 2, 4 e 6 meses de idade, com reforço aos 15 meses. A vacinação é a principal forma de prevenção contra a poliomielite e deve ser mantida conforme o calendário oficial para todas as crianças menores de cinco anos.
Alerta
Embora a doença esteja eliminada nas Américas, o vírus ainda circula em países como Afeganistão e Paquistão. Além disso, casos de poliovírus derivado vacinal têm sido registrados em alguns locais do mundo. Isso significa que, enquanto houver transmissão em qualquer região, existe risco de reintrodução por importação — especialmente em países com baixa cobertura vacinal.
No Brasil, a cobertura vacinal contra a pólio está abaixo da meta de 95% desde 2016. A queda na adesão levou a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) a incluir o país entre aqueles com risco de reintrodução do vírus. Especialistas alertam: quanto menor o número de crianças vacinadas, maior a vulnerabilidade coletiva.
A paralisia infantil foi eliminada no Brasil graças a vacinação. Isso não significa que o perigo deixou de existir. Significa, sim, que a estratégia funcionou — e precisa continuar funcionando. Espalhar desinformação compromete décadas de avanço em saúde pública. Vacinar é proteger as crianças hoje para que a pólio não volte amanhã.
Fontes
As referências usadas nesta matéria são:
Poliomielite - Entenda o novo esquema vacinal contra a paralisia infantil
Sociedade Brasileira de Imunizações - Vacina inativada poliomielite (VIP)
Poliomielite: Ministério da Saúde alerta sobre a importância da vacinação
Poliomielite – Ministério da Saúde
Ministério da Saúde