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MODERNIZAÇÃO
Hospitais em Minas Gerais aumentam cirurgias e reduzem custos com novos equipamentos distribuídos pelo Ministério da Saúde
Foto: Luciano Velleda/MS
Os novos combos de cirurgia comprados e distribuídos pelo Ministério da Saúde dentro do programa Agora Tem Especialistas já começam a transformar a rotina de hospitais públicos em diferentes regiões do país. Em Minas Gerais, pacientes do SUS já estão sendo beneficiados com os equipamentos modernos e de alta tecnologia destinados pelo Governo do Brasil para ampliar a segurança e otimizar custos hospitalares.
Os equipamentos distribuídos por meio do PAC Equipamentos – Mais Cirurgias contribuem para a redução das filas e do tempo de espera por procedimentos especializados, além de promover a modernização tecnológica da rede pública de saúde. Os combos destinados à cirurgia geral são compostos por seis equipamentos cada e foram estruturados para ampliar a realização de procedimentos como vasectomias, laqueaduras e outras cirurgias de baixa e média complexidade.
Já os combos oftalmológicos reúnem cinco equipamentos cada, voltados à qualificação e expansão da oferta de cirurgias especializadas, especialmente procedimentos de maior complexidade, como as cirurgias de catarata.
Tecnologia de ponta que beneficia todos
Uma das unidades de saúde contempladas em Minas Gerais é o Hospital Municipal de Contagem (HMC). Referência de urgência, emergência e alta complexidade na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o hospital 100% SUS recebeu, em março deste ano, um combo de equipamentos com tecnologia de ponta: mesa cirúrgica com sistema eletro-hidráulico preciso, arco cirúrgico (equipamento móvel de raio-x), que fornece imagens de alta resolução em tempo real durante as operações, aparelho de anestesia, monitor multiparâmetro destinado a atendimentos complexos e torre de videolaparoscopia, que possibilita cirurgias minimamente invasivas.
A modernização do centro cirúrgico do Hospital Municipal de Contagem já reflete diretamente na rotina da unidade. Pacientes e profissionais de diferentes áreas do hospital já relatam melhorias nos atendimentos realizados pelo SUS.
Atropelado por um caminhão em Contagem, quando fazia um bico de motoboy, o técnico de controle de pragas, Felipe de Freitas, de 40 anos, sofreu fraturas na tíbia e na fíbula da perna esquerda. Precisou ser submetido a duas cirurgias, que utilizaram equipamentos entregues pelo Ministério da Saúde. Em meio ao susto e à recuperação, o paciente acredita que a chegada dessa nova tecnologia demonstra o cuidado com quem depende exclusivamente da rede pública de saúde.
“Eu não tenho convênio médico e fui atropelado. Para onde eu iria? O que eu iria fazer? Se fosse em outros países, uma hora dessa eu estaria devendo milhões para o hospital e eu não saberia nem como pagar”, afirmou Felipe. “Aqui no Brasil, nós temos o Sistema Único de Saúde, que fornece toda essa infraestrutura enorme para nós, trazendo qualidade e tratamento humanizado. Ter acesso a equipamentos modernos e atendimento de qualidade faz toda diferença”, completou o paciente.
Na outra ponta, a técnica de enfermagem Cecília Naira Costa, comemora a chegada das novas ferramentas de trabalho. Segundo ela, que é responsável pelos equipamentos do centro cirúrgico, a modernização elevou significativamente a qualidade dos procedimentos realizados na unidade, especialmente nas cirurgias por videolaparoscopia, bastante frequentes no hospital.
“A torre de vídeo nova é muito mais eficaz em questão de resolução. Hoje, a gente conta com imagem 4K. Isso faz diferença na rapidez das cirurgias e na precisão dos procedimentos”, explica.
Atuando há cinco anos como anestesiologista, o médico Gustavo Pereira acredita que a tecnologia embarcada no novo aparelho de anestesia vai resultar em economia, ao ajudar na redução da quantidade de anestésico a ser utilizado, e em segurança para os pacientes, ao diminuir os efeitos colaterais do medicamento. Ele destaca que os equipamentos mais modernos são capazes de identificar lesões e fraturas que poderiam passar despercebidas em atendimentos de urgência e emergência.
“Muitas vezes existe uma fratura alinhada, difícil de identificar rapidamente. Com esses equipamentos, o diagnóstico melhora bastante. E isso interfere diretamente na eficácia do tratamento”, ressalta.
Ministério da Saúde dobra o número de combos e garante mais atendimento em Minas
No último dia 3 de junho, foi assinado um novo contrato para garantir mais 150 combos para todo o Brasil, totalizando 300 conjuntos de equipamentos novos que garantirão mais 428 mil cirurgias no SUS por ano, em um investimento de R$ 460 milhões. Ao todo, Minas Gerais receberá 22 combos cirúrgicos.
O novo pacote de entregas também faz parte do PAC Equipamentos – Mais Cirurgias, uma das ações estruturantes do Novo PAC voltadas à ampliação das cirurgias eletivas e do atendimento especializado no SUS. O programa busca reduzir o tempo de espera da população ao mesmo tempo em que amplia a capacidade instalada dos hospitais, regionaliza a assistência, diminuindo a necessidade de deslocamentos, e qualifica serviços prestados em todo o país.
Em Minas Gerais, hospitais de Belo Horizonte, Diamantina, Passos, Contagem e Juiz de Fora já receberam os equipamentos.
Segundo o secretário de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Mozart Sales, a iniciativa torna o atendimento do SUS mais seguro e eficiente, ao mesmo tempo em que dá mais acesso a cirurgias e atendimento especializado para a população.
“São equipamentos modernos, com tecnologia avançada, um investimento do Ministério da Saúde para ampliar o número de cirurgias realizadas no país e reduzir o tempo de espera da população. Em 2025, o Brasil realizou 14,9 milhões de cirurgias, o maior número da história do SUS. Agora, em 2026, com a distribuição desses novos equipamentos, vamos avançar ainda mais na qualificação do atendimento, com mais segurança, mais eficiência e melhores condições de trabalho para os profissionais de saúde”, afirma o secretário.
Maior capacidade de atendimento
Gerente da linha cirúrgica do hospital, Lilian Damasceno Barreto acompanha de perto toda a transformação gerada com a chegada dos novos equipamentos. Segundo ela, a mudança deve refletir ainda mais no dia a dia do hospital, que está em atividade há 23 anos.
De janeiro a dezembro do ano passado, a unidade atingiu o maior número de cirurgias realizadas no período de um ano. Foram 8.623 cirurgias, o equivalente a 718 por mês. Uma média que deve aumentar em 2026.
“Com essa tecnologia disponível dentro do SUS, beneficiando pacientes que não teriam condições de acessar esse tipo de estrutura na rede privada, estamos certos de que todos saem ganhando. Ganhamos em eficiência, precisão, qualidade de atendimento e também na capacidade de absorver novas cirurgias”, analisa Lilian.
Ronny Rodrigues
Ministério da Saúde