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RECONHECIMENTO
Ministério da Saúde certifica eliminação da transmissão vertical da doença de Chagas para cidades goianas
Foto: Divulgação/Ascom
Durante a 18ª edição da Expoepi, realizada em Brasília, o Ministério da Saúde promoveu, nesta quinta-feira (16), a cerimônia de certificação da eliminação da transmissão vertical da doença de Chagas no Brasil. A iniciativa integrou a programação temática “Mudanças Climáticas e Saúde Ambiental: Desafios e Oportunidades na Perspectiva de Uma Só Saúde”. Os dois municípios certificados foram Goiânia e Anápolis, em Goiás.
A certificação representa um marco sanitário, simbólico e político, consolidando décadas de esforços do Sistema Único de Saúde (SUS), da vigilância epidemiológica, da atenção primária e da cooperação federativa. A eliminação da transmissão vertical, que ocorre da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto, demonstra a capacidade do país de interromper ciclos históricos de adoecimento e avançar na redução das iniquidades em saúde.
A cerimônia de entrega oficial da certificação foi realizada pela secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente da Pasta, Mariângela Simão, e pela diretora do Departamento de Doenças Transmissíveis, Marília Santini. Ambas destacaram que esse reconhecimento representa um marco histórico para o SUS e evidencia a capacidade do Brasil de avançar, de forma integrada e sustentável, no enfrentamento de doenças negligenciadas.
Para Mariângela Simão, trata-se de uma realização de simbolismo e potencial multiplicador de boas práticas. “Atuei como pediatra e acredito que todos aqui compartilhamos do mesmo sentimento de que as novas gerações não deveriam passar pela dor da transmissão vertical de Chagas. Assim, este é um momento oficial e muito simbólico, pois, no ano passado, conseguimos alcançar algo que imaginávamos ser quase impossível", disse.
"É com enorme alegria que parabenizo os municípios de Anápolis e Goiânia. A maior capacidade de realizar experiências positivas é inspiradora para que outros municípios também possam trabalhar para alcançar a eliminação da transmissão vertical".
O reconhecimento ocorre em um contexto de fortalecimento das políticas públicas voltadas à doença de Chagas. O Ministério da Saúde tem ampliado o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, com destaque para a retomada da formulação pediátrica do benznidazol, medicamento essencial para o tratamento da doença, além da ampliação de sua oferta em todo o território nacional. Entre 2023 e 2025, a distribuição de testes diagnósticos e medicamentos cresceu mais de 130%, ampliando a detecção precoce e o cuidado integral às pessoas acometidas.
No campo da vigilância, o Governo do Brasil também tem reforçado as ações de monitoramento e controle vetorial. A publicação da Portaria GM/MS nº 9.628, de dezembro de 2025, destinou cerca de R$ 11,7 milhões para 155 municípios prioritários de 17 estados, com foco no fortalecimento da vigilância entomológica e na resposta rápida a focos da doença. Para 2026, está prevista a ampliação desses investimentos, com a destinação de aproximadamente R$ 12 milhões adicionais às Secretarias Estaduais de Saúde, visando consolidar as estratégias de controle.
Essas ações são fundamentais diante da persistência do risco de transmissão, especialmente em territórios com vulnerabilidade socioambiental e presença de vetores, cenário que pode ser intensificado pelas mudanças climáticas e pela degradação ambiental. Nesse contexto, a vigilância entomológica se reafirma como um dos pilares da prevenção da doença de Chagas, exigindo estratégias contínuas, integradas e adaptadas às realidades locais.
A certificação também está alinhada às diretrizes do Programa Brasil Saudável, que tem como meta eliminar doenças como problema de saúde pública até 2030. A iniciativa adota a perspectiva de Uma Só Saúde, reconhecendo a interdependência entre saúde humana, animal e ambiental e promovendo ações articuladas entre diferentes setores.
Sobre a Expoepi
A Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi) foi realizada na capital federal esta semana. O evento reafirmou em 2026 seu papel estratégico como principal vitrine nacional da epidemiologia aplicada, reunindo gestores, profissionais de saúde, pesquisadores e representantes da sociedade civil.
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