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PROJETO JANDAÍRAS
Mulheres do Projeto Jandaíras levam produtos da biodiversidade do Semiárido para a Feira de Máquinas e Tecnologias para a Agricultura Familiar
Foto: Malu Maia/Projeto Jandaíras
Uma caravana com 80 mulheres do Projeto Jandaíras: Mulheres e Saberes Tradicionais Transformando a Sociobiodiversidade Nordestina desembarcou em Campinas (SP), para participar da primeira Feira Nacional de Máquinas e Tecnologias para a Agricultura Familiar, realizada entre os dias 16 e 18 de março. Pela primeira vez, o projeto levou o artesanato e os alimentos do bioma Caatinga produzidos em suas comunidades para um evento de escala nacional.
A Jandaíra é uma espécie de abelha sem ferrão, presente exclusivamente na Caatinga, fundamental para a preservação da biodiversidade desse bioma. As Jandaíras são mulheres nordestinas de diferentes segmentos de Povos e Comunidades Tradicionais que, juntas, promovem a inclusão produtiva, a geração de renda e a segurança alimentar e nutricional das suas comunidades, com foco na preservação da biodiversidade da sua região.
O Projeto Jandaíras nasceu da parceria entre a Secretaria de Territórios e Sistemas Produtivos Quilombolas e Tradicionais (SETEQ/MDA) e a Universidade Federal Rural de Pernambuco, com o objetivo de promover a inclusão produtiva e a geração de renda de mulheres e jovens mulheres PCTs do nordeste e norte de Minas Gerais. Na primeira fase do projeto, iniciado em 2024, foram atendidos 37 grupos produtivos, beneficiando cerca de 600 mulheres de diversos segmentos, como quilombolas, indígenas, caatingueiras, extrativistas, catadoras de coco babaçu marisqueiras, e pescadoras.
Para a coordenadora técnica do Projeto Jandaíras, Marli Godim, a participação na feira foi muito importante para a comercialização dos produtos e para a troca de experiências com outros grupos produtivos. Além disso, foi uma oportunidade para ampliar o olhar das mulheres sobre a necessidade de incorporar máquinas e equipamentos nas suas atividades produtivas, a fim de diminuir o esforço físico e os riscos à saúde inerentes aos trabalhos no campo e nas águas.
Marli também destacou a participação das Jandaíras nas oficinas da Cozinha Show – Receitas Ancestrais e a presença de vários ingredientes e produtos das Jandaíras utilizados no preparo das receitas. “A Cozinha Show se tornou uma parte fundamental da feira, porque trouxe muitas informações sobre utilização de ingredientes na produção de alimentos e projetou os alimentos oriundos da riquíssima biodiversidade da Caatinga produzidos pelas mulheres PCTs do Projeto Jandaíras”, declarou.
“Voa, Jandaíras” é o lema das mulheres do projeto, e foi assim que Maria André dos Santos, conhecida como Deo, se sentiu: voando. A baiana do município de Camamu vive no assentamento de remanescentes de quilombolas Dandara dos Palmares. Ela trouxe da sua comunidade os derivados do cupuaçu utilizados nas receitas da Cozinha Show. Para Deo, participar da feira foi muito importante. “Vou levando na bagagem muito aprendizado e muita experiência para a minha comunidade e para o meu município”, declarou a quilombola.
Para a Coordenadora de Inclusão Produtiva e Etnodesenvolvimento Quilombola e de Povos e Comunidades Tradicionais da SETEQ, Gleiciane Marcelino, o evento contribuiu para aprimorar o potencial de comercialização dos grupos produtivos do Projeto Jandaíras e ofereceu a oportunidade de acessar informações sobre as políticas públicas do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) para PCTs. “Também foi importante conhecer as tecnologias que podem ser utilizadas para aumentar a produtividade e melhorar as condições de trabalho das mulheres de Povos e Comunidades Tradicionais do projeto Jandaíras”, afirmou.
O secretário de Territórios e Sistemas Produtivos Quilombolas e Tradicionais, Edmilton Cerqueira, comemorou a presença das mulheres do Projeto Jandaíras na Feira. “Fico feliz de ver essas mulheres concretizando o lema “Voa, Jandaíras”. São mulheres que vêm de territórios afastados, no interior de seus municípios, que desafiaram as dificuldades e trouxeram seus produtos para Campinas. Espero que esse enxame de Jandaíras cresça e voe para todas as partes do Brasil”, concluiu.
Texto: Aline Aguiar, Ascom Seteq/MDA