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MIR realiza formação técnica dos Agentes Territoriais do PJNV
Foto: Luis Targino
O Ministério da Igualdade Racial (MIR), em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), promoveu, nesta quarta-feira (19) a formação técnica dos 54 agentes territoriais que atuarão como representantes do Plano Juventude Negra Viva (PJNV) nas Unidades da Federação. A iniciativa busca ampliar a capilarização e a interiorização das políticas públicas do Governo do Brasil voltadas para a promoção da igualdade racial e o enfrentamento às violências que atingem as juventudes negras.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, participou do encontro e ressaltou a relevância da formação. Ao compartilhar a trajetória de sua família e recordar a convivência com sua irmã, Marielle Franco, a ministra destacou a importância de uma atuação comprometida nos territórios. “Se formos nos basear nas estatísticas, essa formação não poderia estar acontecendo”, disse. Ela também relembrou sua trajetória como professora e a inspiração recebida de Janaína, única professora negra que teve no ensino superior. “Representatividade transforma vidas”, afirmou, destacando o impacto dessa referência em sua caminhada acadêmica e profissional.
O secretário de Políticas de Ações Afirmativas, Combate e Superação do Racismo, Tiago Santana, destacou o avanço na implementação do plano: “A atuação dos agentes territoriais do PJNV representa o compromisso de olhar para cada território em sua singularidade. É uma luta e uma conquista construída pela ministra Anielle Franco, com muito esforço na formulação de políticas públicas, mas, sobretudo, com representação popular e presença concreta na vida das juventudes negras”, afirmou.
Formação – Durante os dois dias do encontro, que aconteceu em Brasília, o MIR coordenou atividades formativas. A advogada e educadora popular, Joyce Bueno, apresentou a mesa de debate “Juventude Negra, Racismo e Violências Estruturais”, trazendo reflexões sobre desigualdades raciais e políticas públicas. Já a jornalista e pesquisadora, Midiã Noelle ,conduziu a oficina “Conduta Ética e Conduta Institucional”. O evento contou ainda com a participação do secretário de Políticas de Ações Afirmativas, Combate e Superação do Racismo, Tiago Santana, e da equipe da Diretoria de Combate e Superação do Racismo.
A formação tem como objetivo aproximar o PJNV dos territórios, garantindo que suas diretrizes nacionais sejam traduzidas em práticas locais. Os agentes serão responsáveis por dialogar com juventudes negras, sociedade civil e gestores estaduais e municipais, além de apoiar o monitoramento e a implementação das ações previstas pelo plano. A iniciativa marca um passo decisivo na territorialização da política, fortalecendo a mobilização e ampliando a participação social no enfrentamento ao racismo estrutural.
Na programação, os participantes foram divididos em cinco grupos de trabalho, que discutiram questões como “O que devem ser os agentes territoriais?” e “O que é ser um agente territorial?”. As respostas destacaram o papel dos agentes como articuladores das políticas públicas, responsáveis por ampliar o conhecimento sobre o PJNV e reduzir distâncias entre populações vulnerabilizadas e o poder público.
A pesquisadora Midiã Noelle reforçou a importância da comunicação estratégica: “Conversar com os jovens de todo o Brasil, respeitando suas realidades, e refletir sobre a importância da educação popular antirracista é fundamental. A comunicação é um instrumento para construir processos educativos, especialmente quando falamos da população negra”, afirmou.
Para a agente territorial da Paraíba, Sofia Isbelo, o processo formativo fortaleceu a compreensão sobre os desafios a serem enfrentados. “A formação foi essencial para construirmos subsídios sobre nossa atuação nos territórios. Retomamos o percurso histórico da população negra, desde a escravização até hoje, compreendendo suas consequências e a importância do Estado no processo de reparação histórica”, destacou.
O PJNV foi construído com a participação de cerca de 6 mil jovens negros e negras, por meio das Caravanas Participativas realizadas em todas as regiões do país. A política reúne 11 eixos, 217 ações pactuadas com 18 ministérios e tem como objetivo central garantir o direito à vida, a equidade racial e o bem viver da juventude negra.
Nos próximos meses, os agentes territoriais, com o apoio do MIR, atuarão na articulação local e no monitoramento das ações do PJNV, ampliando a presença da política nos estados e fortalecendo o compromisso do Governo do Brasil com a juventude negra.