O Estatuto da Igualdade Racial, instituído pela Lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010, é destinado a garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica. Portanto, diante da Lei, é dever do Estado a garantia e o estabelecimento de políticas públicas para aplicabilidade desses direitos fundamentais e aos direitos sociais, econômicos e culturais.
O Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288/2010) define desigualdade racial como toda situação injustificada de diferenciação de acesso e fruição de bens, serviços e oportunidades, nas esferas pública e privada, em virtude de raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica.
O Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288/2010) define desigualdade de gênero e raça como a assimetria existente no âmbito da sociedade que acentua a distância social entre mulheres negras e os demais segmentos sociais.
O Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288/2010) define discriminação racial ou étnico-racial como toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência [ascendência] ou origem nacional ou étnica que tenha por objeto anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em igualdade de condições, de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da vida pública ou privada.
O Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288/ 2010) em seu artigo IV define como população negra “o conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas, conforme o quesito cor ou raça usado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou que adotam autodefinição análoga”. Importante destacar que o propósito da classificação racial não é estabelecer com precisão um tipo “biológico” do indivíduo, mas sim aproximar os grupos raciais de uma caracterização sociocultural comum. O que interessa, portanto, no conceito de quem é uma pessoa negra (preta ou parda) no Brasil é apontar que as discriminações raciais sofridas por ambos os grupos têm no preconceito de marca antinegro a mesma origem.