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MIR negocia inserção da afrodescendência em Conferência do Clima em Bonn, na Alemanha
Foto: Divulgação
O Ministério da Igualdade Racial (MIR) é parte da delegação do Governo Federal que está em Bonn, na Alemanha, para a Conferência de Clima, evento preparatório de negociação sobre a COP30 que acontece na sede da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC).
As atividades do Ministério se iniciaram na 13ª reunião do Grupo Facilitador da Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas. O Ministério é representado pela diretora de Políticas para Quilombolas e Ciganos, Paula Balduino, que participou das sessões do Subsidiary Body – órgão que se encontra duas vezes ao ano para assessorar e subsidiar as discussões para que a Convenção das Partes (COP) seja implementada.
“Foi a primeira vez que comunidades locais participaram de maneira expressiva desse espaço. Falamos, junto quebradeiras de coco babaçu e quilombolas, sobre a importância dos territórios e comunidades para a agenda climática”, colocou Paula Balduino.
A comitiva também realizou uma apresentação em que relatou a colaboração dos territórios quilombolas para as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). As NDC são planos de ação climática que cada país apresenta à ONU, detalhando os esforços que serão feitos em prol da redução das emissões de gases de efeito estufa e adaptação aos impactos das mudanças climáticas.
Outra iniciativa da missão foi o encontro ampliado da Comissão Internacional de Comunidades Tradicionais Afrodescendentes e Agricultura Familiar.
A partir do histórico de atuação dos movimentos negros e do MIR, Paula detalha que foi possível pautar o tema da afrodescendência ao acompanhar as discussões de gênero, transição justa e objetivos globais de adaptação. “Além disso, tivemos apoio de diferentes países da África, da América Latina e Caribe, o que demonstra avanço que conquistamos na COP16", disse.
Perspectivas – Com a chegada da COP30, em Belém (PA), o trabalho do MIR na Conferência do Clima pretende pautar a agenda de justiça racial e ambiental, reforçando a presença negra.
Um dos objetivos do Ministério é conseguir o reconhecimento da população negra como uma das mais atingidas pelas mudanças climáticas e como uma das responsáveis pela conservação da biodiversidade, bem como adaptação e mitigação das mudanças climáticas. Além disso, a ideia é que a afrodescendência seja considerada nas negociações com os demais países em decisões que envolvem financiamento, pedindo medidas concretas nas articulações entre os diversos campos da sociedade.
O MIR atuará, ainda, a partir de entregas com políticas para as populações quilombolas e para a população negra que vive em áreas urbanas. “Esperamos seguir avançando no reconhecimento internacional da população negra nessa agenda, com busca de financiamento para políticas e medidas de adaptação e mitigação”, colocou a diretora.