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MIR e UFG realizam Seminário de Inteligência Artificial e Políticas de Igualdade Racial
Foto: Thaylyson Santos/MIR
O Ministério da Igualdade Racial (MIR), em parceria com o Centro de Inteligência Aplicada a Políticas Públicas (CIAP) da Universidade Federal de Goiás (UFG), realizou o Seminário de Inteligência Artificial e Políticas de Igualdade Racial, anunciando uma colaboração estratégica voltada à modernização de instrumentos de gestão interfederativa.
Para debater o uso de tecnologias digitais no fortalecimento das políticas públicas de enfrentamento ao racismo, o evento reuniu gestores públicos, pesquisadores e especialistas, no Auditório Roseli Faria, no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
A iniciativa teve como foco o desenvolvimento de soluções capazes de ampliar as capacidades estatais nos territórios, facilitando o trabalho de gestoras e gestores locais. A diretora de Avaliação, Monitoramento e Gestão da Informação (Sinapir/MIR), Tatiana Dias Silva, destacou que o objetivo é tornar o sistema mais dinâmico e funcional para estados e municípios, reforçando o papel do Governo do Brasil na promoção da igualdade racial.
“A política de igualdade racial não é restrita ao Ministério da Igualdade Racial. A preocupação e o debate sobre a questão racial não devem ficar restritos às pessoas negras, pois são uma responsabilidade de toda a sociedade brasileira”, afirmou.
Durante o seminário, foi apresentada uma ferramenta totalmente digital que simplifica o processo de ingresso dos entes federados ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir). Atualmente, o sistema conta com a adesão dos 27 estados, incluindo o Distrito Federal, e de 332 municípios, número que o Governo do Brasil pretende ampliar de forma significativa com a implementação da nova tecnologia.
A diretora de Articulação Interfederativa (Sinapir/MIR), Isadora Bispo, reforçou que a política de igualdade racial deve ser tratada como estruturante, e não apenas transversal, o que exige orçamento, planejamento e participação social. “Hoje nós temos um governo que insere a pauta da igualdade racial nos planejamentos e orçamentos e que incidem em todos os ministérios”, pontuou.
>>Clique aqui para conhecer a plataforma de adesão ao Sinapir
A parceria entre MIR e UFG também se ancora na ciência da gestão pública. O analista de Tecnologia da Informação da UFG e coordenador de IA do projeto, Rogério Rodrigues, explicou que a principal proposta da plataforma é simplificar e facilitar ao máximo o acesso e a compreensão do processo de adesão ao Sinapir por parte dos municípios.
Já a professora Cláudia Passador, da Universidade de São Paulo (USP) e presidente da Sociedade Brasileira de Administração Pública (SBAP), destacou o potencial da IA para ampliar o alcance do conhecimento científico e levar evidências qualificadas a gestores de cidades mais afastadas dos grandes centros. “Há uma grande assimetria de gestão no território nacional entre o Governo do Brasil, os governos estaduais e os municipais, o que impõe desafios à estruturação e implementação das políticas públicas”, avaliou.
O debate também trouxe alertas sobre os riscos do uso acrítico da tecnologia. O professor Paulo Januzzi (IBGE/ENCE) e outros especialistas chamaram atenção para o chamado “racismo algorítmico” e para a necessidade de calibrar os sistemas de IA, evitando a reprodução de preconceitos estruturais presentes em bases de dados históricas.
Avanços tecnológicos – O projeto envolve uma série de produtos que serão entregues entre 2026 e 2027, entre os destaques estão:
- Chat PP: Um assistente virtual especializado em políticas públicas, treinado com bases de dados curadas para evitar as "alucinações" comuns em IAs de propósito geral.
- Cora: Um repositório de gestão de conhecimento que reúne mais de 24 mil textos técnicos e científicos sobre gestão pública.
- Guia de Boas Práticas: Um mapeamento de experiências exitosas de combate ao racismo no Brasil, incentivando a adaptação local dessas estratégias.