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MIR divulga resultado do edital Mãe Beata de Iemanjá
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Ministério da Igualdade Racial (MIR) divulgou, nesta quinta-feira (30), o resultado do edital Mãe Beata de Iemanjá – Terreiros pela Justiça Ambiental. A iniciativa é uma parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Fundação José Bonifácio (FUJB).
A seleção, que também conta com apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), reconhece e valoriza ações desenvolvidas por povos e comunidades tradicionais de terreiro e de matriz africana em todo o país. Abrangendo iniciativas que promovem a justiça ambiental e fortalecem saberes ancestrais, já realizadas ou em andamento, o edital prevê um investimento total de R$810 mil, divididos entre 54 selecionados.
“Ao fomentar iniciativa para povos de terreiro, a partir de ações locais, estamos garantindo apoio contínuo, financiamento direto e escuta ativa. Isso fortalece a justiça ambiental e o enfrentamento ao racismo religioso e ambiental", defende a diretora de Políticas Públicas para os Povos Tradicionais de Matriz Africana e Povos de Terreiro, Luzi Borges.
O edital – Publicada em agosto pela Secretaria de Políticas para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiro e Ciganos (SQPT), a seleção tem caráter nacional e premia duas iniciativas de cada unidade federativa, abrangendo os 26 estados e o Distrito Federal.
O montante de R$810 mil será dividido entre os projetos, cada um sendo contemplado com R$15 mil em investimentos voltados a ações de mudanças climáticas, saneamento básico, segurança alimentar e nutricional, mobilização política e social, além de práticas sustentáveis.
Mais do que um reconhecimento financeiro, a iniciativa reafirma o papel histórico dos terreiros como espaços de preservação da natureza, resistência cultural e espiritualidade afro-brasileira.
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O edital Mãe Beata de Iemanjá reforça o compromisso do Ministério da Igualdade Racial com o fortalecimento dos Povos e Comunidades tradicionais de Terreiro e de Matriz Africana, ampliando o reconhecimento de suas práticas como fundamentais para a justiça ambiental e o enfrentamento às desigualdades raciais.
Mãe Beata de Iemanjá – Nascida em Cachoeira, na Bahia, Beatriz Moreira Costa foi uma das mais reverenciadas ialorixás do Candomblé no Brasil, tendo fundado o terreiro Ilê Omi Oju Arô no Rio de Janeiro. Sua importância transcendeu o campo religioso, consolidando-se como uma voz fundamental na luta pelos direitos humanos. Ativista incansável, ela combateu ativamente o racismo, a intolerância religiosa, o sexismo e a homofobia, notadamente através de sua atuação na ONG Criola. Além de sua liderança espiritual, Mãe Beata foi autora de livros essenciais para a preservação da cultura afro-brasileira, como "Caroço de Dendê", deixando um legado indelével como defensora da justiça social e da identidade negra no país.