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FLIIR homenageia Conceição Evaristo e irmãs Nardal em edição pioneira
Foto: Thiago Liel/FLIIR
O Ministério da Igualdade Racial (MIR) realizou, entre 20 e 23 de novembro, o primeiro Festival Literário da Igualdade Racial (FLIIR). O evento aconteceu na Central Única das Favelas (CUFA), em Madureira, Zona Norte do Rio de Janeiro (RJ).
Em diálogos transatlânticos que afirmam a literatura e a arte como tecnologias ancestrais de resistência, o evento teve como tema “Entrelaçando Letras e Lutas: Escrevivências Pan-Africanas e Igualdade Racial”. A programação reuniu autores, pesquisadores, artistas e leitores em palestras, rodas de conversa, debates e lançamentos que fortaleceram a produção intelectual negra e indígena no país, além de sediar a final do campeonato SLAM BR.
Nesta primeira edição, o FLIIR prestou homenagem à escritora Conceição Evaristo, referência central da literatura contemporânea e criadora do conceito de escrevivência, que afirma as experiências negras como matéria literária e instrumento político.
O legado das irmãs Jeanne e Paulette Nardal também foi homenageado. Intelectuais pioneiras e essenciais para a formação da Négritude, suas contribuições, apesar de historicamente invisibilizadas, abriram caminhos para a articulação de uma consciência negra transatlântica.
Durante sua abertura, o FLIIR apresentou, no primeiro dia, uma mesa dedicada aos povos ciganos. Conduzida pela Cia de Tradições Ciganas Dirachin Calin, da Paraíba, a atividade celebrou manifestações artísticas, culturais e espirituais.
No segundo dia, houve o lançamento da 2ª edição do dicionário biográfico Histórias Entrelaçadas de Mulheres Afrodiaspóricas, obra que reúne 100 perfis de mulheres negras fundamentais para a história do Brasil. A autora Iraneide Soares da Silva fala sobre a importância dos registros. “Nos biografar, ou seja, registrar e imprimir as nossas histórias, nossas memórias, é extremamente importante. Esse dicionário vem para nós como presente, mas sobretudo como um momento de resistência, um movimento de resistência feminina, feminina negra”, afirmou.
O terceiro dia contou com uma mesa dedicada à Conceição Evaristo, que trouxe reflexões sobre literatura, juventude e legado. “O que me mantém de pé é esse convívio que eu tenho com os jovens […] É preciso acreditar em vocês para a gente continuar vivendo e para a gente crer que a vida da gente vale a pena”, conta Conceição Evaristo.
Encerrando a programação, o quarto e último dia reuniu gestores, pesquisadores e escritores na mesa “Sinapire a Literatura como Promoção de Igualdade Racial”, que discutiu políticas públicas, imaginação política e caminhos para um futuro mais justo. A diretora de Avaliação, Monitoramento e Gestão da Informação do MIR, Tatiana Silva, resumiu a importância da literatura como ferramenta de disputa simbólica. “Vamos fazer um combate de avançarmos também sobre o campo das crenças, o campo das ideias, o campo da imaginação. O campo de pensarmos, juntos e juntas, um outro futuro, outros espaços de bem viver para a população negra e para todo o Brasil”, disse.
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No último dia também teve destaque a final nacional do campeonato SLAM BR – a maior disputa de poesia falada do país –, que reuniu mais de 240 jovens de todas as regiões do Brasil, reafirmando a potência da palavra falada como forma de resistência e afirmação de identidade.
O Festival Literário da Igualdade Racial (FLIIR) é financiado pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) por meio da Chamada CNPq/MIR nº 27/2024. Realizado pela PUC Goiás e Kilombo Áyàn Kilombo Áyàn - Memória Social e Subjetividades Transatlânticas (PUC Goiás/CNPQ). Com parceria estratégica da Associação Na Nave, parceria institucional da RELFET (Rede Latino-Americana e Caribenha de Pesquisas sobre Feminismos de Terreiros) e da Festa Literária das Periferias (Flup).
Para acompanhar os registros, bastidores e trechos das mesas e apresentações do FLIIR, acesse os canais do festival nas redes sociais: @vemprofliir