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Populações que vivem em Unidades de Conservação ganham visibilidade com Censo do IBGE
Dados do Censo Demográfico de 2022 mostram que mais de 11,8 milhões de brasileiros vivem em Unidades de Conservação (UCs), o equivalente a 5,82% da população total do país. Entre esses moradores, 40% enfrentam algum tipo de precariedade no acesso a água, esgoto ou coleta de lixo. No total, 856.495 pessoas — ou 7,31% da população residente em UCs — convivem com a ausência simultânea dos três serviços básicos. Apesar dos desafios, o dado mais relevante é o inédito reconhecimento oficial desses cidadãos, que passam a ter visibilidade governamental.
Essa visibilidade representa um avanço histórico na inclusão das populações tradicionais e rurais que vivem dentro de áreas protegidas, como Reservas Extrativistas, Reservas de Desenvolvimento Sustentável e Áreas de Proteção Ambiental. Até o Censo de 2022, essas comunidades não apareciam de forma clara nas estatísticas nacionais, o que dificultava o planejamento de políticas públicas voltadas às suas necessidades específicas.
As Unidades de Conservação abrigam populações historicamente ligadas à conservação ambiental por meio de práticas sustentáveis, como o extrativismo, a pesca artesanal e a agricultura familiar. São comunidades que desempenham papel fundamental na proteção da biodiversidade brasileira, mas que ainda enfrentam carências estruturais e acesso limitado a serviços básicos, como mostram os dados mais recentes do IBGE.
Para gestores ambientais e lideranças comunitárias, a divulgação desses números é um ponto de virada. Além de revelar os problemas enfrentados no cotidiano dessas comunidades, o Censo 2022 reforça que as Unidades de Conservação são territórios vivos e habitados — e que os povos que ali vivem são aliados estratégicos na preservação do patrimônio natural do Brasil.
Para a diretora de ações socioambientais e consolidação territorial (DIsat/ICMBio), Kátia Torres, "essa é uma grande luta dos povos tradicionais, que têm uma grande parte da proteção dos seus territórios nas unidades de conservação", diz. “Mas é importante que os serviços públicos cheguem às comunidades, para que estar dentro da natureza não seja um castigo", avalia.
Próximos passos – Com a inclusão dessas informações no Censo, o poder público passa a contar com uma base mais precisa para formular políticas integradas de saúde, educação, saneamento e regularização fundiária voltadas a esses territórios. A visibilidade demográfica dessas populações amplia o reconhecimento de seus direitos e potencializa a articulação de investimentos e programas sociais.
A pesquisa completa do Censo está disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/43968-censo-2022-brasil-tem-11-8-milhoes-de-moradores-em-unidades-de-conservacao.