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ICMBio realiza ação de fiscalização para coibir a extração ilegal de palmito-juçara na Rebio do Tinguá (RJ)
Equipes durante operação de fiscalização da Rebio do Tinguá, no Rio de Janeiro - Foto: Divulgação/Rebio do Tinguá
Na última sexta-feira (30), equipes de fiscalização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em ação conjunta com a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Nova Iguaçu (RJ), realizaram uma operação para combater a extração ilegal de palmito-juçara (Euterpe edulis) no interior da Reserva Biológica (Rebio) do Tinguá, na região de Jaceruba.
A ação resultou na prisão de um suspeito e na apreensão de 72 unidades de palmito-juçara, espécie nativa da Mata Atlântica e atualmente ameaçada de extinção, cuja retirada é proibida por lei. O infrator foi autuado e recebeu multas ambientais que somam R$ 75 mil.
A prisão é resultado de cerca de seis meses de investigação, iniciada após a deflagração da Operação Juçara. Desde então, a trilha utilizada para acesso à área vinha sendo monitorada pelas equipes, devido a indícios recorrentes de crimes ambientais na região.
Além dos palmitos extraídos ilegalmente, os agentes apreenderam 41 trabucos, além de munições, pólvora e um aparelho celular, que será analisado para auxiliar no aprofundamento das investigações.
O comércio clandestino de palmito-juçara, além dos graves danos ambientais, representa risco à saúde pública. Como o produto não passa por qualquer controle sanitário, seu consumo pode provocar doenças como salmonelose e outras infecções alimentares.
Para a chefe da Reserva Biológica, Gisele Medeiros, a operação reforça a importância do trabalho de fiscalização. “Essa ação é resultado de um trabalho contínuo de muitos meses de monitoramento na região. A extração ilegal do palmito-juçara causa danos irreversíveis à Mata Atlântica e representa risco à saúde da população”, destacou.
A Reserva Biológica do Tinguá é uma unidade de conservação (UC) federal de proteção integral, onde qualquer forma de exploração de recursos naturais configura crime ambiental. A retirada do palmito-juçara compromete diretamente a regeneração da floresta e afeta diversas espécies de fauna que dependem dessa planta como fonte de alimento.
O suspeito foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro, onde foram adotadas as medidas legais cabíveis. As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis integrantes da rede de extração e comercialização ilegal. Todo o material apreendido foi recolhido e terá destinação adequada definida pelos órgãos competentes.
“Seguimos firmes nas ações de combate aos crimes ambientais e na proteção dessa floresta, que é fundamental para a preservação dos mananciais hídricos que abastecem grande parte da Baixada Fluminense”, ressaltou a chefe da Unidade.
Sobre a Palmeira-Juçara
A Euterpe edulis é considerada uma espécie-chave para a manutenção da biodiversidade da Mata Atlântica. Sua semente e seu fruto servem de alimento para dezenas de espécies, entre aves e mamíferos. Tucanos, jacutingas, jacus, sabiás e arapongas são os principais dispersores das sementes. Já as cotias, antas, catetos, esquilos, entre outros animais, se alimentam das suas sementes e frutos. A exploração ilegal e predatória do palmito ameaça a sobrevivência da espécie e dos ecossistemas associados, principalmente nas UCs.
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