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Peixes, Tartarugas, Aves e Cetáceos seguem impactados, revela Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática
Nos dias 23 e 24 de abril, pesquisadores da UFES e Fundação Espírito-santense de Tecnologia (FEST) que executam o Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática-PMBA apresentaram aos representantes dos órgãos ambientais ICMBio, Ibama, IEMA, SEAMA-ES, SEMAD-MG, e à sociedade os principais resultados no 5º ano do monitoramento dos ambientes dulcícolas, marinho e estuarinos adjacente à foz do rio Doce, realizado em Regência Augusta, Linhares-ES, após o rompimento da barragem de rejeitos de mineração do grupo Samarco/Vale/BHP, ocorrido em novembro de 2015.
O evento aconteceu no Prédio do Núcleo de Competências Químicas do Petróleo (LABPetro/UFES), de forma presencial, e também online com transmissão pelo Canal Youtube do ICMBio, contando com a presença de 171 participantes nos dois dias, sendo 79 de forma remota (online) e 92 presencialmente.
O professor e Dr. Fabian Sá - coordenador geral do PMBA/FEST-UFES, destacou na abertura, que o monitoramento reúne “mais de 37 instituições de pesquisa, com representantes de quase todos os estados brasileiros, o que revela o modelo colaborativo e integrado desse trabalho”, afirmou o professor.
O analista ambiental e coordenador do Centro TAMAR/ICMBio, João Carlos Alciati Thomé/Joca, contextualizou o momento atual de transição, em que a Fundação Renova para de executar e os órgãos ambientais de governo passarão a coordenar o programa. “O Plano de Trabalho atualmente em execução está sendo custeado diretamente pela empresa Samarco até o ano que vem. Depois disso, pelo Fundo Rio Doce”, frisou Joca.
Entre os vários anexos de biodiversidade do novo Acordo, há o Anexo 10 – Propesca – coordenado pelo Ministério da Pesca – MPA e pelo MMA; o Anexo 17 coordenado pelo MMA, com outras ações ambientais como reflorestamento, monitoramento da biodiversidade controle da qualidade da água, que são conduzidas pela União em parceria com os Estados do ES e MG e municípios impactados; e o Anexo 19, de transição do modelo anterior para o atual modelo do Novo Acordo do Rio Doce. “Ao ICMBio cabe, ainda, consolidar as UCs federais impactadas e criar uma Unidade de Conservação na foz do Doce, cuja proposta está em andamento”, frisou Joca
Pela manhã, foram apresentados os resultados referentes ao Ambiente Dulcícola (águas doces), pela coordenadora do eixo, a Profa. Dra. Eneida Eskinazi Sant’Anna, que compartilhou informações sobre os indicadores ecológicos e espécies monitoradas em rios, lagoas e reservatórios.
“Houve redução funcional das espécies do zooplâncton, principalmente na foz do rio Doce, e impactos como deformidades com aumento do encéfalo e presença de sedimentos, assim como rompimento ou deterioração da cavidade abdominal de peixes”, frisou a professora Eneida.
“Há presença de bioacumulação de todos os contaminantes, nas larvas e nos peixes, na foz do rio Doce, como por exemplo Arsênio nas brânquias, hepatopâncreas e músculo do camarão; nas brânquias, fígado e músculo de peixes. Mais de 70% dos peixes do rio Doce estão com alguma deformação na cabeça”, contextualizou Eneida.
Durante a tarde, foi a vez dos Ambientes Costeiro, com apresentação da Profa. Dra. Jacqueline Albino; e Marinho, conduzida pelo Prof. Dr. Stefano Zorzal, ambos coordenadores de seus respectivos eixos dentro do programa. As apresentações trouxeram dados sobre biodiversidade, condições ambientais e impactos observados ao longo do monitoramento.
“As populações de tartarugas marinhas sofrem uma série de impactos e a diversidade genética é determinada por essas pressões, como na saúde. Comparando os períodos pré e pós rompimento, constata-se que houve perda de diversidade genética da tartaruga cabeçuda (Caretta caretta), por exemplo”, afirma o professor Dr. Stefano Zorzal, um dos coordenadores do Ambiente Costeiro do PMBA.
Segundo o professor Stefano, as tartarugas das espécies verde (Chelonia mydas) juvenis que se alimentam na área impactada da foz do rio Doce apresentam fibropapilomatose e ecoparasitismo. Já as tartarugas cabeçudas apresentam ectoparasitas, lesões oculares e fibropapilomas nas áreas de desova. Há concentrações de Arsênio, Cobre e Cromo nas tartarugas verdes juvenis; e Arsênio, Cromo, Ferro, Chumbo e Zinco nas tartarugas cabeçudas adultas nos anos 5 e 6 de monitoramento, pelo plasma sanguíneo.
“Há transferência de metais para os ovos e bioacumulação nos embriões – o que sugere um risco para o desenvolvimento embrionário e o sucesso reprodutivo das tartarugas cabeçudas (Caretta caretta) e de couro (Dermochelys coriacea)”, reforçou Stefano.
O cenário para as aves não é muito diferente, com concentrações maiores de contaminantes nas penas no período pós rompimento, assim como em suas presas, como peixes. Cetáceos como boto cinza (Sotalia guianensis) e a toninha (pontoporia blainvillei), que frequentam a foz do rio Doce, foram monitorados por drones, com diferenças na fidelidade deles em relação a diversos sítios para alimentação.
“Os alimentos estando contaminados comprometem a saúde e vida dessa cadeia, com variação do ferro no fígado da toninha dos exemplares mortos e encalhados, bem como abertura do arco neural nas duas espécies”, frisou Stefano.
Confira as transmissões gravadas:
Dia 23.04.2025 – link https://www.youtube.com/watch?v=_dP6QYbsFo8&t=1511s
Dia 24.04.2025 – link https://www.youtube.com/watch?v=UkYEItQLLKc
TODOS OS RELATÓRIOS - https://flacso.org.br/projetos/gerenciador-cif-camaras-tecnicas/
Comunicação ICMBio

