Notícias
Base de Caravelas fortalece ações de conservação das tartarugas marinhas
A partir da criação da Base Avançada do Centro TAMAR em Caravelas, em 2020, teve início o monitoramento reprodutivo e não reprodutivo de tartarugas marinhas, em uma faixa de 20km de praia entre os municípios de Caravelas e Alcobaça, na Área de Proteção Ambiental Estadual Ponta da Baleia-Abrolhos.
Paralelamente, foi iniciado um monitoramento exploratório, um trabalho de diagnóstico nos municípios do extremo sul da Bahia (da divisa com o Espírito Santo em Mucuri até a foz do rio Jequitinhonha em Belmonte) para identificar iniciativas e ações de proteção das tartarugas marinhas, bem como os principais impactos a essas espécies em cada uma dessas localidades.
Em alguns municípios já existiam iniciativas de monitoramento de tartarugas marinhas, porém sem as devidas autorizações do SISBIO, e sem o correto cumprimento de todos os protocolos do Centro TAMAR. E onde não havia iniciativas de monitoramento em curso, o Centro TAMAR procurou as Secretarias Municipais de Meio Ambiente, estimulando o início de ações de monitoramento de tartarugas marinhas nas praias daqueles municípios.
A partir desses levantamentos, em 2023 os grupos de monitoramento (tartarugueiros) passaram a integrar um projeto de pesquisa intitulado “Monitoramento Reprodutivo e Não Reprodutivo de Tartarugas Marinhas em Municípios do Extremo Sul da Bahia”, registrado no Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade do ICMBio – SISBIO, coordenado pela Base Avançada em Caravelas. E o Centro TAMAR foi além, ao promover capacitações teóricas e práticas para que os trabalhos seguissem os mesmos protocolos divulgados pelo Centro, garantindo a aplicabilidade dos dados levantados.“Promovemos o I Encontro de Tartarugueiros do Extremo Sul da Bahia, em agosto de 2024, aqui na Base Avançada do Centro TAMAR em Caravelas, e esta foi a primeira oportunidade de reunir todas essas pessoas que trabalham pela conservação das tartarugas marinhas no extremo sul da Bahia”, comemora Marcello.
Após apresentações do Centro TAMAR e dos grupos que realizam o monitoramento nos municípios, foi feita uma ampla discussão sobre os acertos e os erros, as lições aprendidas e foi possível planejar o aperfeiçoamento para a próxima temporada. “O tema tartarugas marinhas está muito bem qualificado dentro das instituições, e sentimos o compromisso com o trabalho de monitoramento de acordo com os protocolos repassados nas capacitações oferecidas pelo Centro TAMAR. Planilhas com os dados levantados foram entregues ao Centro TAMAR, o que já representa um primeiro passo e grande avanço no monitoramento e na organização das informações levantadas nessa região”, explica o coordenador do Centro TAMAR/ICMBio Joca Thomé.
Marcello já está planejando o II Encontro de Tartarugueiros do Extremo Sul da Bahia, previsto para agosto/2025. “Nosso foco é implementar um processo de capacitação continuada, visando a ampliação do conhecimento sobre as tartarugas marinhas nos municípios do extremo sul da Bahia e a atualização sobre os protocolos de monitoramento e manejo”, frisa ele.
A partir da formação dessa Rede de pessoas e instituições engajadas na proteção às tartarugas nos municípios, esperamos o aumento das informações levantadas por eles, potencializando as ações frente aos principais impactos observados sobre as espécies de tartarugas marinhas monitoradas.“Queremos manter o engajamento e a capacitação continuada dos membros voluntários do projeto SISBIO coordenado pela Base Avançada do Centro TAMAR em Caravelas/BA, nos sete municípios integrantes (Mucuri, Nova Viçosa, Caravelas, Alcobaça, Prado, Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália)”, reforça Marcello. O foco é o levantamento de dados padronizados, que possam alimentar o Banco Nacional de Dados para Conservação das Tartarugas Marinhas – BDCTAMAR.
As informações corretas, depositadas no BDCTAMAR contribuirão para as políticas públicas ambientais nesses municípios, podendo alcançar a proteção das áreas de desova e a recuperação dessas populações a longo prazo.
E como esses grupos de tartarugueiros são, em sua maioria voluntários, o desafio é ampliar os apoios a essas pessoas. “Temos uma pequena quantidade de pessoas remuneradas envolvidas nessas atividades, a maioria são voluntários, muitas vezes cobrindo áreas extensas e sem os equipamentos adequados. Acreditamos que a seleção dos Agentes Temporários Ambientais-ATAs Tartarugueiros no ICMBio, assim como a aquisição de equipamentos e materiais necessários ao trabalho de campo, por meio de projetos, irão melhorar esse cenário”, afirma Marcello.
Interlocução com municípios do extremo sul da Bahia é ampliada

- Atividade de captura intencional e marcação de tartaruga marinha durante Encontro de Tartarugueiros do Extremos Sul da BA.
O monitoramento, celebra o gestor da Base e oceanólogo Marcello Lourenço, já está bem mais organizado nos municípios do extremo sul da Bahia. Além do envolvimento de Secretarias de Meio Ambiente, em Mucuri foi criada a Associação Ambientalista Carebas do Mucuri – ASACAM, responsável por reunir voluntários que monitoram diariamente 14km de praias no município, protegendo as desovas.
“Desde a criação da Base do Centro TAMAR em Caravelas e os primeiros contatos feitos pelo Marcello, reorganizamos o monitoramento de tartarugas marinhas no município de Mucuri, e já estamos cobrindo a quarta temporada reprodutiva. Muitas pessoas se interessaram pelo trabalho e assim criamos a Associação”, explica Sandro Akhenaton, presidente da ASACAM.
No município de Alcobaça, a Secretaria de Meio Ambiente adquiriu um quadriciclo com recursos do Fundo Municipal de Meio Ambiente e iniciou o monitoramento em 12km de praias. A fiscal da SEMA Railda Neves lembra que começou o monitoramento caminhando, ou utilizando a própria moto. “No início foi impressionante ver a quantidade de ninhos com os ovos roubados. Construímos uma parceria com a polícia militar para coibir esse crime contra essas espécies, além do trânsito de veículos nas praias”.
Outros municípios estão iniciando ou aperfeiçoando o monitoramento de tartarugas marinhas e a organização dos dados de campo, como Nova Viçosa, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, e Prado, por meio do Projeto Verde Mar da Associação de Proteção Ambiental e Bem-estar Animal do Prado – APAP.

- A marcação da tartaruga marinha foi acompanhada por uma rede de instituições que atuam no extremo sul da BA.
Existe ali um número significativo de Unidades de Conservação Federais, como os Parques Nacionais de Abrolhos, do Descobrimento, do Monte Pascoal e do Pau Brasil; além das Reservas Extrativistas Marinhas de Cassurubá e Corumbau e o Refúgio de Vida Silvestre do Rio dos Frades – todos sob gestão do ICMBio.
Nas praias desses municípios já se registraram desovas das 5 espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil: Caretta caretta, Lepidochelys olivacea, Eretmochelys imbricata, Dermochelys coriacea e Chelonia mydas, sendo que as três primeiras desovam regularmente.
Os municípios de Mucuri, Nova Viçosa, Caravelas, Alcobaça e Prado estão considerados em legislações específicas como a Resolução Conama nº10/96 que exige consulta ao Centro TAMAR nos processos de licenciamento ambiental e as Portarias IBAMA nº 10 e 11/95 que tratam da proibição do trânsito de veículos nas praias e restrições de iluminação nessas áreas prioritárias.
“Mas houve descontinuidade em programas de monitoramento desde então, deixando uma lacuna de informações sobre as tartarugas marinhas nessa região. A partir da retomada do monitoramento nestes municípios observou--se uma quantidade significativa de desovas de Caretta caretta, Lepidochelys olivacea e Eretmochelys imbricata. Esse monitoramento permitiu, ainda, registrar duas desovas da tartaruga-de-couro nesse período, uma em 2021 em Caravelas e outra agora em janeiro de 2025 em Mucuri”, explica Marcello.
Fonte: Boletim Eletrônico do Centro TAMAR/ICMBio - 6a Edição - Maio de 2025.


