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Oficina reforça papel do Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas na conservação ambiental
Monitorar os impactos das ações antrópicas sobre o meio ambiente, registrar dados importante para a conservação da biodiversidade, entender o comportamento dos animais, estimar um quantitativo de espécies e definir ações de proteção. Assim como em outros segmentos, na área ambiental a tecnologia tem sido utilizada para trazer mais clareza sobre nossos patrimônios naturais e traçar estratégias para conservá-los. Diante da importância do tema, a Coordenação de Pesquisa e Gestão da Informação sobre Biodiversidade (COPEG) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) promoveu a oficina “Sistemas de Gestão de Dados de Biodiversidade”. Na ocasião, o coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (ICMBio/Cecav), Jocy Cruz, realizou uma apresentação sobre o Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas (Canie), que atualmente conta com o registro de mais de 29 mil cavidades naturais subterrâneas.
“Antigamente, alguns espeleólogos tinham o receio de que a divulgação de uma nova caverna e a localização dela poderia ocasionar em impactos negativos para aquele ambiente, como depredações geradas por um turismo predatório. Hoje, temos um outro pensamento, acreditamos que o conhecer leva ao preservar. Antes, as pessoas não visitavam as cavernas porque não sabiam onde elas estavam localizadas. Ao mesmo tempo, quando um empreendimento era implementado, também não se tinha conhecimento da existência de cavidades subterrâneas no local. Assim, quando se descobria, já era tarde demais: a caverna já havia sido destruída”, afirmou Jocy.
Desde 2014, o ICMBio/CECAV disponibiliza as informações do Canie à sociedade, o sistema foi instituído pela Resolução Conama 347/2004 e tem como objetivo fortalecer a gestão e estabelecer procedimentos e parâmetros para o licenciamento ambiental de atividades potencialmente impactantes ao patrimônio espeleológico. A ferramenta vem contribuindo na ampliação do conhecimento técnico-científico acerca das cavernas existentes no Brasil, armazenando e disponibilizando dados essenciais à sua gestão.
“Hoje, o Canie está com 29.117 cavernas cadastradas, o número aumentou exponencialmente, principalmente de 2009 para cá, com a obrigatoriedade do licenciamento ambiental e com um maior esforço empreendido em estudos de pesquisadores e universidades atuando nessa frente”, afirmou Jocy Cruz.
A oficina promovida pelo ICMBio reuniu especialistas e representantes de diferentes instituições para apresentação, debate e construção conjunta de estratégias voltadas à integração, interoperabilidade e aprimoramento dos sistemas oficiais de dados sobre a biodiversidade brasileira. A programação incluiu mesas redondas, exposições técnicas sobre os sistemas mantidos pelo ICMBio, Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e instituições parceiras.