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APA Nascentes do Rio Vermelho: expedição coleta dados sobre a hidrologia da região
Lapa do Rio das Pedras - APA Nascentes do Rio Vermelho (GO) - Foto: Cristiano Ferreira
Um estudo conduzido pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (ICMBio/Cecav) em parceria com o Instituto de Pesquisas Ambientais de São Paulo (IPA) busca desvendar o caminho das águas que percorrem o carste da Área de Proteção Ambiental Nascentes do Rio Vermelho, em Goiás. O trabalho também busca compreender o papel das cavernas de Mambaí em uma região marcada pela forte presença do agronegócio e por uma vasta riqueza de aspectos geomorfológicos, geológicos, hidrogeológicos e espeleológicos. Como resultado, a expectativa é que a pesquisa ofereça subsídios para a gestão dos recursos hídricos e do patrimônio espeleológico.
O projeto “Identificação de áreas de Recarga e Caracterização Hidrodinâmica de Aquíferos Cársticos para fins de preservação dos recursos hídricos e do patrimônio espeleológico associado – APA Nascentes do Rio Vermelho” vem sendo desenvolvido há mais de um ano. Os estudos ganharam novo fôlego em janeiro, quando analistas ambientais da base do ICMBio/Cecav em Minas Gerais se juntaram à equipe da sede do centro de pesquisa em uma expedição à região. Além dos processos hidrológicos, o projeto passa a investigar aspectos da geoconservação, com potencial para gerar dados estratégicos para a gestão ambiental do território.“Estamos nessa pesquisa tentando entender se a água aqui na região flui através dos sistemas de cavernas, que estão escondidos debaixo da areia ou se é algo mais superficial. Há mais de um ano, várias coletas de dados estão sendo feitas, não só da pluviosidade e umidade do solo, mas também com três estações de monitoramento de vazão, de condutividade e de nível d’água em pontos- chave específicos, que são ressurgências cársticas. Em alguns desses locais, a gente está tentando entender não só o comportamento, mas também a origem desses aportes hídricos”, explicou o analista ambiental, Cristiano Ferreira, responsável pelo projeto.
A água como eixo da gestão, proteção e conservação
Entender como a água circula na região permite revelar rotas subterrâneas, auxiliar no mapeamento de áreas de recarga e descarga e ampliar a compreensão sobre as conexões entre cavernas, aquíferos, rios e nascentes. Esse verdadeiro “raio X” hidrológico também pode indicar zonas mais sensíveis à poluição e oferecer subsídios para que as práticas produtivas adotadas na região sejam compatíveis com a conservação ambiental. Os dados obtidos são fundamentais ainda para a definição de áreas prioritárias para proteção, contribuindo para conciliar conservação, produção rural e segurança hídrica.
Em uma base de monitoramento hidrometeorológico, instalada em uma fazenda de agronegócio, Cristiano Ferreira conta: nesse local há uma grande depressão, que grosso modo chamamos de dolina, mas que não necessariamente está ligado ao sistema cárstico subjacente. Essa é uma outra questão que queremos entender, queremos saber se essas depressões existentes no oeste da Bahia têm algum papel de intercomunicação hídrica com as cavernas da região da APA”.
Os rumos para a geoconservação da região
A água, luz solar, temperatura, solo, rochas e minerais, além de diversos outros elementos abióticos compõem a geodiversidade, que está intrinsecamente conectada à biodiversidade. A conservação bem-sucedida da natureza requer uma abordagem abrangente que integre a geoconservação e a bioconservação. Para que o projeto realizado na APA Nascentes do Rio Vermelho obtenha esse êxito, os analistas ambientais da base do ICMBio/Cecav em Minas Gerais, Darcy Santos e Mauro Gomes passaram a fazer parte desse trabalho.
“Nossa participação na expedição tem relação com um projeto que estamos desenvolvendo no ICMBio/Cecav sobre geoconservação. A geoconservação está relacionada com os elementos abióticos da natureza. O ambiente cárstico apresenta diversas fragilidades, mas também é um ambiente que presta diversos serviços ambientais e geossistêmicos. A ideia é que possamos pensar em como integrar esses serviços, os impactos relacionados a esses serviços e como trabalhar isso de forma articulada com a gestão da unidade de conservação. Estamos aqui para contribuir com a gestão da APA Nascentes do Rio Vermelho”, afirmou Darcy.
Além de Cristiano Ferreira, Darcy Santos e Mauro Gomes, participaram da expedição os analistas ambientais da sede do ICMBio/Cecav, Cláudia Alves e José Carlos Ribeiro Reino.


