AVALIAÇÃO DO RISCO DE EXTINÇÃO DA FAUNA
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) é responsável, desde 2008, pela avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. Esse processo científico é fundamental para subsidiar políticas públicas de conservação e para a elaboração da Lista Nacional Oficial de Espécies Ameaçadas de Extinção, publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
Como é feita a avaliação?
O processo de avaliação no ICMBio é coordenada pela Coordenação de Avaliação do Risco de Extinção de Espécies da Fauna (COFAU), vinculada à Coordenação-Geral de Estratégia para Conservação (CGCON) da Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade (DIBio).
O trabalho segue um rigoroso padrão técnico-científico, baseado na metodologia de categorias e critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), reconhecida mundialmente como a abordagem mais abrangente e objetiva para avaliar o risco de extinção de qualquer organismo.Essa metodologia utiliza dados disponíveis sobre cada espécie, como:
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Distribuição geográfica
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Situação populacional
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Ameaças
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Aspectos ecológicos e de habitat
Com base nessas informações, as espécies são classificadas em diferentes categorias de risco de extinção. No caso do Brasil, a avaliação segue a adaptação regional da metodologia da UICN.
📄 Acesse a metodologia da UICN
Etapas do processo
O trabalho é realizado em várias fases:
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Compilação de informações sobre as espécies, organizadas em fichas técnicas.
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Consulta pública, aberta para que pesquisadores e a sociedade contribuam com registros e dados adicionais.
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Oficinas de avaliação, que reúnem especialistas e representantes de diferentes instituições para analisar as informações e determinar a categoria de risco.
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Validação e publicação oficial dos resultados.
Atualmente, o processo é contínuo e regulamentado pela Instrução Normativa ICMBio nº 9, de 11 de agosto de 2020.
Quais espécies são avaliadas?
O ICMBio tem como diretriz avaliar:-
Todas as espécies formalmente descritas de vertebrados.
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Grupos selecionados de invertebrados.
Desde 2017, o processo é realizado dentro do Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE) — uma plataforma digital que centraliza e disponibiliza dados de mais de 15 mil espécies da fauna brasileira já avaliadas.
O SALVE reúne:
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Resultados das avaliações
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Fichas técnicas com histórico de conservação
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Informações sobre ameaças
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Referências bibliográficas
Essa plataforma garante transparência ao processo e facilita o acesso para pesquisadores, gestores e toda a sociedade, não só a categoria de risco de extinção da espécie, mas também a informações importantes para a conservação.
A atuação do CEPSUL
O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Sudeste e Sul – CEPSUL/ICMBio participa do processo desde sua criação, sendo responsável por avaliar mais de 1.500 espécies.
Invertebrados avaliados pelo CEPSUL:
- Crustáceos (camarões, siris, caranguejos): 164 espécies de água doce e 142 marinhas.
📄 Acesse LIVRO VERMELHO DOS CRUSTÁCEOS DO BRASIL: AVALIAÇÃO 2010-2014
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Cephalopoda (polvos, lulas e sepiolas): 46 espécies.
Vertebrados avaliados pelo CEPSUL:
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Myxini (peixes-bruxa): 6 espécies.
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Actinopterygii (peixes ósseos): 38 espécies de água doce e 1.013 marinhas.
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Chondrichthyes (tubarões, raias e quimeras): 30 espécies de água doce e 160 marinhas.
Importância dos resultados
Esse número cresce continuamente, tanto pelo registro de novas espécies no Brasil, quanto pela necessidade de avaliar grupos de invertebrados que ainda não tiveram seu risco de extinção determinado.
Os resultados das avaliações representam um importante alerta para a conservação da biodiversidade marinha, pois revelam espécies enquadradas em alguma categoria de risco de extinção. Na maioria dos casos, essa classificação está relacionada a diferentes vetores de ameaça que impactam diretamente as populações — como exploração excessiva e degradação dos habitats.
Além de indicar o nível de risco, o processo também atualiza registros de ocorrência e distribuição das espécies, refina informações taxonômicas e descreve a situação populacional. Assim, as avaliações funcionam como um amplo repositório de dados científicos disponível à sociedade por meio do SALVE Público, apoiando pesquisas e ações de conservação.


