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Missão interministerial cuida da saúde de indígenas em locais de difícil acesso
Brasília (DF), 24/06/2020 – A operação conjunta dos Ministérios da Defesa e da Saúde de assistência à população da região do Vale do Javari, no Amazonas, onde vivem cerca de 7 mil indígenas, chegou ao fim na segunda-feira (22). Os 23 profissionais de saúde das Forças Armadas retornaram após cinco dias de intenso trabalho na segunda maior área indígena do Brasil. Ao todo, foram 940 atendimentos realizados com o apoio de equipes do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Vale do Javari e Alto Rio Solimões, e da Secretaria Municipal de Saúde de Atalaia do Norte.
Dos 70 mil itens de insumos hospitalares que foram levados para a região, cerca de 50 mil foram entregues ao Hospital Municipal de Atalaia do Norte. A unidade é referência para atendimento de média complexidade no extremo norte do Amazonas. Em casos de necessidade de remoção, os indígenas do Vale do Javari são encaminhados pelo DSEI para esse hospital.
Aproximadamente 14 mil unidades de Equipamento de Proteção Individual (EPI) e suprimentos médicos foram enviados para uso dos profissionais de saúde do DSEI que atuam nas aldeias do Vale do Javari. O Hospital de Guarnição de Tabatinga também recebeu parte dos EPIs e o restante do material e insumos foi utilizado durante a missão interministerial.
Ainda na ação, 16 ventiladores pulmonares mecânicos foram distribuídos entre os hospitais da região. Foram três para o de Atalaia do Norte e outros três para Benjamin Constant. Os municípios de São Paulo de Olivença, Amaturá e Uarini receberam dois cada um. A Maternidade Estadual de Tabatinga recebeu quatro desses equipamentos.
Atendimentos
Os atendimentos médicos e ambulatoriais prestados pelos militares de saúde abrangeram diversas especialidades, tais como ginecologia, obstetrícia, endocrinologista, psiquiatria, clínica médica e cirurgia geral. Os profissionais deslocaram-se para o Pelotão Especial de Fronteira de Palmeira do Javari, na aldeia Cruzeirinho, e para Atalaia do Norte, onde receberam os pacientes na Unidade Básica de Saúde Dona Joana, nas Escolas Estaduais Carmosina Baima e Pio Veiga. Eles ainda atenderam na Sede da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari, a Unijava.
Os moradores dessas comunidades tiveram acesso a consultas médicas e procedimentos cirúrgicos de pequeno porte. Em decorrência da pandemia causada pelo novo coronavírus, os indígenas foram orientados pelos agentes do DSEI a permanecerem em suas aldeias e evitarem o contato com outras pessoas que poderiam transmitir o vírus.
O caso de atendimento mais grave foi o de uma gestante que apresentava gravidez de risco. “Foi importante a vinda dos profissionais, pois, sem o atendimento de ginecologia, ela poderia ir a óbito sem um diagnóstico correto”, disse a Capitão Médica Dalcolmo, ginecologista da missão.
O diagnóstico e a estabilização dos sinais vitais da paciente foram realizados pela equipe das Forças Armadas que, na sequência, providenciaram a sua transferência para Tabatinga. A paciente foi operada no Hospital de Guarnição de Tabatinga (HGuT) e, de acordo com o Tenente-Coronel Médico Dalton, cirurgião geral na missão, seu quadro é de bom prognóstico.
“Decidimos por efetuar uma evacuação aeromédica para salvar uma vida, pois, com o tempo de deslocamento de barco, talvez não conseguíssemos o sucesso esperado. Com o helicóptero à disposição da missão, essa rapidez foi essencial”, concluiu.
Ala indígena
Durante a missão, na quinta-feira, 18 de junho, foram inauguradas alas indígenas no Hospital Municipal de Atalaia do Norte. Na unidade, foram disponibilizados 25 leitos, além de três para cuidados intermediários adaptados. O Hospital Municipal de Benjamin Constant passou a ter três leitos para indígenas.
Nestes espaços é permitida a presença dos pajés e foram colocados armadores de redes, em respeito às tradições e à cultura dos indígenas. De acordo com o Secretário Especial de Saúde Indígena, Robson Santos da Silva, uma população aldeada de cerca de 7 mil indígenas, ao todo, será beneficiada com a iniciativa.
O Secretário acompanhou a missão e ressaltou os excelentes resultados da operação interministerial. “Essa já é a quarta missão que o Ministério da Saúde, pela coordenação da SESAI, faz com o Ministério da Defesa e os resultados são espetaculares. A Defesa tem a capilaridade e os meios necessários para chegar onde muitas vezes um voo comercial não chega. O apoio de infraestrutura, a capacidade técnica dos profissionais, a capacidade logística, tudo isso contribui para o sucesso alcançado por essa parceria em prol dos indígenas”, disse.
Em virtude da pandemia da COVID-19, os Ministérios da Defesa e da Saúde já levaram profissionais de saúde e mais de oito toneladas de insumos e medicamentos para ajudar as comunidades indígenas na região Norte do País, particularmente nos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Tabatinga e Atalaia do Norte, no Amazonas, e Macapá, no Amapá.
“Hoje, terminamos a quarta operação no norte do País e no interior da Amazônia. Agora, em coordenação com o Ministério da Saúde, estamos na fase de planejamento da próxima, que será conduzida junto à população das terras indígenas Yanomami e Raposa Serra do sol, no estado de Roraima. A partir de segunda-feira, dia 29, estaremos atuando em função das comunidades indígenas das áreas de Bonfim, Uiramutã, Normandia, Auaris e Surucucu, com a logística e os profissionais de saúde das Forças Armadas, e insumos do Ministério da Saúde”, garantiu o Secretário de Pessoal, Ensino, Saúde e Desporto, General Manoel Luiz Narvaz Pafiadache.
Operação COVID-19
O Ministério da Defesa ativou, em 20 de março, o Centro de Operações Conjuntas, para atuar na coordenação e no planejamento do emprego das Forças Armadas no combate à COVID-19. Nesse contexto, foram ativados dez Comandos Conjuntos, que cobrem todo o território nacional, além do Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), de funcionamento permanente. A iniciativa integra o esforço do governo federal no enfrentamento à pandemia que recebeu o nome de
Operação COVID-19
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As demandas recebidas pelo Ministério da Defesa, de apoio a órgãos estaduais, municipais e outros, são analisadas e direcionadas aos Comandos Conjuntos para avaliarem a possibilidade de atendimento. De acordo com a complexidade da solicitação, tais demandas poderão ser encaminhadas ao Gabinete de Crise, que determinará a melhor forma de atendimento.
Por Maristella Marszalek
Fotos: Igor Soares
Para acessar fotos da Operação COVID-19, visite o Flickr da Operação.
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