Notícias
Vencedoras do 2º Prêmio Mulheres e Ciência recebem troféus em cerimônia no CNPq
A física e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Rita de Cássia dos Anjos, bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, foi uma das agraciadas na segunda edição do prêmio. - Foto: Luara Baggi / Ascom MCTI
As pesquisadoras, estudantes e instituições agraciadas com o 2º Prêmio Mulheres e Ciência do CNPq receberam premiação em uma cerimônia realizada na sede da instituição, em Brasília. A cerimônia contou com a presença das ministras Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação) e Márcia Lopes (das Mulheres), além de representantes das instituições parceiras - o British Council (BC) e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF).
>>> Veja fotos do evento e fotos da roda de conversa com as premiadas
>>> Assista ao evento na íntegra
>>> Leia mais sobre as premiadas
Além das três primeiras colocadas na Categoria Incentivo, também foram homenageadas as vencedoras nas categorias Estímulo e Trajetória nas modalidades Ciências da Vida; Ciências Exatas e da Terra, e Engenharias e Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes nas categorias Estímulo e Trajetória. Também receberam o prêmio Mérito Institucional as três instituições de ensino superior que se destacaram na questão da diversidade de gênero. O resultado final com as notas das premiadas está disponível aqui.

- A agraciada Gabriela Lotta recebe premiação da ministra Luciana Santos. (Foto: Luara Baggi/ Ascom MCTI)
Durante o evento, o presidente do CNPq, Olival Freire Junior, disse que o prêmio é muito importante por causa dos obstáculos que o avanço da questão da equidade de gênero tem enfrentado, tanto na sociedade quanto na própria comunidade científica. "Os obstáculos são maiores e mais entranhados do que a gente pode imaginar. São séculos de uma sociedade machista e patriarcal da qual a comunidade científica não é isenta, porque ela é parte dessa sociedade." Por isso, afirmou o presidente, inicaitivas como o Prêmio Mulheres e Ciência são cada vez mais importantes, "porque a batalha é mais longa, a batalha é mais profunda, nós precisamos de mais instrumentos para travar essa batalha", disse.
Na cerimônia, o presidente assinou um acordo de cooperação técnica para a realização conjunta de ações de equidade de gênero e diversidade no ensino superior e na ciência entre o CNPq e o CAF. Além do acordo, durante o evento houve o lançamento do videocast Mulheres na Ciência, realizado pelo CNPq em parceria com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação e patrocínio do CAF.
A ministra Luciana Santos destacou os 75 anos de existência do CNPq e da Capes - representada no evento pela presidente Denise Pires de Carvalho - , que serão comemorados em 2026, parabenizou a iniciativa do prêmio e a reunião de tantas mulheres extraordinárias para celebrar conquistas. "Quero dizer a importância de a gente celebrar essas conquistas e também valorizar a diferença que a gente ganhou na ciência", disse.
A ministra anunciou o lançamento da Política de Empoderamento de Meninas e Mulheres na Ciência, Tecnologia e Inovação. “Essa política foi construída ao longo de três anos, três anos de disputa, de diálogo e trabalho coletivo. Ela é uma resposta às demandas da sociedade brasileira e é também uma função democrática.”
Luciana Santos destacou ainda o investimento em ciência e tecnologia e inovação nos últimos três anos e inovação em programas, ações e pesquisas feitas por mulheres ou para mulheres que ultrapassou R$ 1,7 bilhão, além de editais com recortes de gênero e raça, fortalecimento do empreendedorismo feminino de base tecnológica, entre outras ações. Ela também anunciou a instituição do Comitê Permanente de Gênero, Raça e Diversidade do ministério.

- O presidente do CNPq, Olival Freire Jr., e a presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho. (Foto: Luara Baggi/ Ascom MCTI)
Marcia Lopes disse que o prêmio nasce de uma convicção muito profunda de que, onde o Estado cria oportunidades, as meninas e jovens mulheres podem sonhar mais alto, transformar suas vidas e o futuro do país. “Formação, apoio educacional, oportunidades profissionais e políticas de cuidado são instrumentos essenciais para que mais mulheres possam acessar a ciência, a tecnologia e a inovação. Porque sabemos que o desafio da igualdade de gênero e raça ainda é grande,” disse. "Que este prêmio siga inspirando novas gerações de meninas e jovens mulheres a ocuparem todos os espaços da ciência, da tecnologia e da inovação. Porque quando as mulheres avançam, a ciência avança."
Vencedoras
Nos discursos das vencedoras do 2º Prêmio Mulheres e Ciência, houve muitos agradecimentos e emoção. Lara Borges, estudante do ensino médio do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (IFES), disse que em uma área como mecatrônica, que supostamente não seria para mulheres, ela "mostra que realmente é para mulher".

- A premiada Lara Dourado Borges, estudante do Ensino Médio do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Foto: Luara Baggi / Ascom MCTI)
O segundo lugar na Categoria Incentivo, a estudante de ensino médio do Instituto Federal da Bahia (IFBA) deu um conselho para a plateia e foi aplaudida. "Persistam no que desejam, se for um sonho seu."
Laíza Bride, estudante do ensino médio do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (IFES), e 3º lugar na categoria Incentivo disse: "meninas vocês conseguem e podem ser reconhecidas apenas sendo vocês", ao receber seu troféu.
Na categoria Estímulo - Ciências da Vida, Letícia Couto Garcia, da UFMS, destacou as histórias, desafios, angústias, superações e conquistas que permeiam as carreiras das mulheres nas ciências.
Rita de Cássia dos Anjos, da UFPR e vencedora na categoria Estímulo - Ciências Exatas e da Terra, e Engenharias, disse que duas coisas são essenciais na ciência: financiamento e estrutura, principalmente em universidades fora das capitais.
Na categoria Estímulo - Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes, Gabriela Lotta, da FGV-SP, disse que o prêmio é uma honra enorme e uma responsabilidade tremenda.
Lillian Cohen, da UFPA, venceu na categoria Trajetória - Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes e disse que o prêmio a faz acreditar ainda mais no potencial da sua pesquisa, do fazer artístico e do ensino na região amazônica.
Vencedora da categoria Trajetória - Ciências da Vida, Deborah Mata, da UFMG, disse que o prêmio a remete ao processo de construção de uma carreira e incentiva novas pesquisadoras. "O prêmio tem função estratégica no papel da mulher na ciência"

- A reitora da Universidade Federal do Piauí (UFPI) recebeu o prêmio da Ministra das Mulheres. (Foto: Luara Baggi / Ascom MCTI)
Universidades
Na categoria Mérito Institucional, que premiou universidades que se destacaram em seu trabalho pela equidade de gênero, o primeiro lugar ficou com a UFPA. A vice-reitora Loiane Prado agradeceu ao CNPq pela valorização da universidade e pelas políticas de equidade de gênero. O reitor da instituição, Gilmar Pereira da Silva, disse que o prêmio os desafia a discutir uma universidade ainda mais inclusiva. "Tem muita coisa a ser feita".
O segundo lugar na categoria Mérito Institucional ficou com a UFRPE. A reitora da universidade, Maria José de Sena, destacou que ela é a primeira mulher a exercer três mandatos como uma reitora em uma instituição de ensino superior no Brasil. "Quando uma mulher tem oportunidade de ter voz, uma mulher precisa priorizar essas mulheres e que venham mais editais que priorizem mulheres e mostrem do que as mulheres são capazes".
A reitora da UFPI, Nadir Nascimento Nogueira, cuja universidade conquistou o terceiro lugar na categoria Mérito Institucional, destacou que ela foi a primeira mulher a assumir o cargo na instituição e destacou que a ciência brasileira também é feita pelas mulheres.
Compromisso com equidade
A diretora de engajamento cultural do BC Brasil, Diana Daste, disse que o prêmio é um projeto que é acompanhada desde o início e é uma satisfação ver seu resultado. Ela anunciou que a organização do Reino Unido estará junto com o CNPq na terceira edição do prêmio. "Nosso compromisso com a equidade de gênero na ciência está profundamente enraizado em nossa missão. Por isso, nós temos o Programa Mulheres na Ciência no British Council, com uma visão de ciclo de vida, apoiando meninas, jovens e mulheres em diferentes etapas da sua trajetória, desde a inspiração inicial, trabalhando com escolas, programas de extensão, até a consolidação de lideranças e obter o reconhecimento dos seus talentos".
O representante do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe no Brasil, Jaime Holguín, disse que é uma honra para o banco poder apoiar este prêmio e ele disse que a instituição acredita nas mulheres para poderem desenvolver e ter apoios estratégicos. "Um apoio estratégico é justamente este prêmio. Porque achamos que é mais que uma premiação, é um instrumento de política, de política pública e que pode transformar", disse.

- Mesa de honra do evento, integrada pelas ministras do MCTI e MM; presidentes de Capes e CNpq; e representantes do British Council e CAF. (Foto: Luara Baggi / Ascom MCTI)
A presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho, disse que o Brasil avançou nas últimas décadas na questão da equidade de gêneros dentro das ciências. Ela afirmou que, atualmente, o Brasil ocupa, proporcionalmente, o terceiro lugar na presença feminina em pesquisadoras, atrás de Portugal e Argentina, mas lamentou o fato de o país ainda ainda não ter atingido a paridade em comparação aos homens nessa área.
“Estamos perto dos 50% dos pesquisadores, bem próximos, o que quer dizer que a igualdade de gênero necessária está sendo alcançada. Na pós-graduação, temos maioria feminina entre os pós-graduantes, 54% a 55% de mulheres pós-graduandas. [Mas] há mais mulheres doutorandas, mestrandas, mais doutoras, mais mestres que recebem salários em média 30% menores mesmo com a mesma titulação”, observou, a despeito da existência de lei que garante igualdade salarial em 2023 - o que sublinhou ser um avanço no sentido da equidade.