Museus e Centros de Ciência

Publicado em 26/09/2013 08h45 Atualizado em 03/08/2021 10h29

A população mundial busca cada vez mais o entendimento mais amplo do papel social da ciência, já que as pesquisas e descobertas científicas têm influenciado e interferido no cotidiano da humanidade. No Brasil, datam do século XIX as primeiras instituições dedicadas a fazer a difusão da ciência para o grande público: o Jardim Botânico/RJ (1808), o Museu Nacional/RJ (1818), o Museu Paraense Emílio Goeldi/PA (1868) e o Museu Paulista/SP (1893). A partir da década de 1980, com o incentivo a partir de políticas públicas no âmbito dos governos federal e estaduais, foram criados novos centros de ciências e divulgação científica como o Espaço Ciência Viva/RJ (1983), o MAST-CNPq/RJ (1985), a Estação Ciência/SP (1987), a Casa da Ciência/RJ (1995), o Espaço Ciência/PE (1995), o Museu de Ciência e Tecnologia da PUC/RS (1998) e o Museu da Vida/RJ (1999), dentre outros.

Os aquários, jardins botânicos, museus, centros de ciência, parques e jardins zoobotânicos, planetários, observatórios e zoológicos são espaços valiosos para a formação continuada do indivíduo, tanto nos seus aspectos básicos/fundamentais quanto na sua formação científica; apóiam a construção da cultura científica, da cidadania e auxiliam no processo de aprendizado, atuando nesta interface entre a ciência e a sociedade e expandindo as fronteiras para o contato com o conhecimento científico e tecnológico para além das escolas e universidades, favorecendo a compreensão de sua importância no cotidiano da vida social moderna, além de contribuir para a conservação do patrimônio histórico e cultural e para a construção da identidade cultural do povo brasileiro.

Segundo a Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência - ABCMC, o Brasil tem ampliado o número de instituições dedicadas à disponibilizar ao público o que se sabe sobre a ciência, favorecendo a interação do público em geral com conceitos e imagens representativas da evolução científica experimentada pela humanidade. Em 2005, o levantamento realizado pela ABCMC concluiu que havia 110 organizações do tipo no Brasil; em 2009 foram registradas 190 instituições; e o último levantamento, realizado em 2015, registrou 268 instituições, incluindo zoológicos, jardins botânicos, parques e jardins zoobotânicos, aquários, planetários e observatórios no Guia Centros e Museus de Ciência do Brasil de 2015. A desigualdade de acesso também se reflete nessa área, pois a maioria dos espaços científico-culturais se concentra nas regiões Sul e Sudeste: 155 estão no Sudeste; 44 no Sul; 43 no Nordeste; 15 no Centro-Oeste; e 11 no Norte. Por exemplo, todos os seis aquários registrados no Guia estão localizados na região sudeste. A distribuição das instituições listadas no Guia de Centros e Museus de Ciência do Brasil (2015) pelas regiões brasileiras está ilustrada no gráfico abaixo:

Gráfico construído a partir dos dados do Guia de Centros e Museus de Ciência de 2015

O fomento do CNPq à divulgação científica em Centros e Museus de Ciência

Em 2006, como parte da política de popularização da ciência da Secretaria de Inclusão Social/SECIS - MCT foi lançado o Edital MCT/CNPq nº 12/2006 - Difusão e Popularização da C&T, com o objetivo de apoiar atividades que propiciassem a difusão e popularização da ciência e tecnologia junto à sociedade brasileira, a instalação e o fortalecimento institucional de museus e centros de ciências e outras iniciativas para promover a divulgação científica e a melhoria da qualidade do ensino informal das ciências. Os objetivos eram: i) aumentar a apreciação coletiva da importância da C&T no mundo moderno;  ii) contribuir para a ampliação do conhecimento científico-tecnológico da população em geral; iii) estimular a curiosidade, criatividade e capacidade de inovação, especialmente entre os jovens; iv) contribuir para melhoria e modernização do ensino das ciências, com ênfase na criatividade, experimentação e interdisciplinaridade; v) estimular jovens, de todas as camadas sociais, para carreiras científicas e tecnológicas. Foram disponibilizados R$ 8,38 milhões em capital, custeio e bolsas, provenientes de Ação Transversal do CT-HIDRO (R$ 1,7 milhões) e do CT-INFRA (R$ 6,68 milhões). As linhas temáticas podem ser apreciadas no texto da chamada, cujo link está disponibilizado na seção “Saiba mais”, abaixo. Foram aprovados 148 projetos do total de 749 interessados nos recursos, com aplicação de R$ 4,68 milhões em Capital, R$ 6,06 milhões em Custeio e R$ 2,53 milhões para a concessão de 296 bolsas nas modalidades Estágio/Treinamento no País (BEP), Especialista Visitante (BEV), Iniciação Tecnológica e Industrial (ITI), Desenvolvimento Tecnológico e Industrial (DTI), Extensão no País (EXP), Apoio Técnico em Extensão no País (ATP) e Especialista Visitante (EV). O montante aplicado ultrapassou R$ 13 milhões, com aportes de novos recursos além dos inicialmente previstos na chamada.

Em 2007, foi lançado o Edital MCT/CNPq nº 042 /2007 - Seleção Pública de Projetos para Apoio a Projetos de Difusão e Popularização da Ciência e Tecnologia, para a seleção pública de projetos das universidades, instituições de pesquisa, museus, centros de ciência, planetários, fundações, entidades científicas e outras instituições, tendo em vista incentivar atividades que propiciassem a difusão e popularização da ciência e tecnologia junto à sociedade brasileira, a instalação e o fortalecimento institucional de museus e centros de ciências e outras iniciativas de promoção da divulgação científica e da melhoria da qualidade do ensino informal das ciências. Os objetivos da chamada foram: i) estimular jovens, de todas as camadas sociais, para carreiras científicas e tecnológicas; ii) estimular a curiosidade, criatividade e capacidade de inovação, especialmente entre os jovens; iii) promover o uso e a difusão de resultado da CT em ações de inclusão social e redução das desigualdades. Na época, a iniciativa se norteou pelas seguintes considerações: a ciência, a tecnologia e a inovação são elementos fundamentais para o desenvolvimento nacional; uma população com educação científica básica de qualidade e com uma justa apreciação do significado da C,T&I para a sociedade moderna representam uma condição importante para o desenvolvimento científico e tecnológico do país; a divulgação científica e tecnológica no país ainda era limitada e frágil, mesmo se reconhecendo o envolvimento crescente de universidades, centros e museus de ciência, institutos de pesquisa, e organismos públicos; ainda era necessário reforçar e ampliar as iniciativas positivas recentes, como a criação de novos centros e museus de ciência e o apoio do governo federal e de secretarias estaduais a eventos e atividades de divulgação científica, bem como propiciar uma presença maior da ciência na mídia. Foram disponibilizados R$ 7 milhões de recursos para projetos de até R$ 400 mil, provenientes de Ação Transversal do CT-PETRO (R$ 4,8 milhões) e do CT-SAÚDE (R$ 2,2 milhões). Uma vez que envolvia recursos dos fundos setoriais, 30% (trinta por cento) do valor global deveriam ser destinados a projetos desenvolvidos por pesquisadores vinculados a instituições públicas de ensino superior e de pesquisa sediadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste. As linhas temáticas podem ser apreciadas no texto da chamada, cujo link está disponibilizado na seção “Saiba mais”, abaixo. Foram aprovados 111 projetos do total de 1.234 propostas recebidas, com aplicação de R$ 4,40 milhões em Capital, R$ 5,70 milhões em Custeio e R$ 1,81 milhões para a concessão de 228 bolsas nas modalidades Iniciação Tecnológica e Industrial (ITI), Desenvolvimento Tecnológico e Industrial (DTI), Extensão no País (EXP), Apoio Técnico em Extensão no País (ATP) e Especialista Visitante (EV). O montante aplicado ultrapassou R$ 11,91 milhões, com aportes de novos recursos além dos inicialmente previstos na chamada.

A forma como ocorre a intermediação entre o conhecimento disponível e o público com o qual a instituição interage levou o Museu da Vida/FIOCRUZ (Dra. Luisa Medeiros Massarani) a coordenar a realização, de 01 a 03 de setembro de 2008, do “Workshop sul-americano de mediação em museus e centros de ciência”, com vistas a estimular a reflexão sobre o papel da mediação e do mediador, a fim de aprimorar-se a atividade e articular ações para a capacitação dos profissionais que atuam nessas instituições. Esses profissionais (guias, monitores, mediadores, explicadores ou facilitadores) até então eram orientados apenas pela filosofia particular da própria instituição, com estratégias diferenciadas para a mediação e a capacitação de seus agentes. O evento foi apoiado pelo CNPq e integrado pelo MCTI/Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia, reunindo o Museu da Vida/FIOCRUZ, o Museo Interactivo Mirador (Chile), a Maloka (Colômbia), o Ciencia Viva (Uruguai), o Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Não Formal e Divulgação em Ciência da Área de Ensino de Ciências e Matemática da Faculdade de Educação da USP e o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast). O evento contou com o apoio também da principal rede da região em popularização da ciência, a Rede de Popularização da Ciência e Tecnologia para América Latina e Caribe (RedPOP), além da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência (ABCMC), contando com cerca de 200 pessoas de 11 estados brasileiros e de 9 países, representando 32 museus e centros de ciência, com compartilhamento de experiências de sucesso dessas instituições e debates sobre a atuação, formação e profissionalização desses mediadores.

Em 2013, foram aprovados 80 projetos dos 455 apresentados aprovados no âmbito da Chamada MCTI/CNPq/SECIS nº 85/2013 - Apoio à criação e ao desenvolvimento de Centros e Museus de Ciência e Tecnologia, com a concessão de R$ 11,19 milhões em Capital (incluindo aquisição de veículos para ciência móvel), R$ 9,30 milhões em Custeio e aprovação de 132 bolsas (R$ 2,63 milhões), nas modalidades Estágio/Treinamento no País (BEP), Especialista Visitante (BEV), Iniciação Tecnológica e Industrial (ITI), Desenvolvimento Tecnológico e Industrial (DTI), Extensão no País (EXP), Apoio Técnico em Extensão no País (ATP) e Especialista Visitante (EV). A chamada foi aberta com R$ 20 milhões da Ação Transversal do FNDCT/Fundos Setoriais, mas o total aprovado ultrapassou R$ 23 milhões. Os recursos foram destinados à instalação e ao fortalecimento de espaços científico-culturais, como centros e museus de Ciência e Tecnologia, planetários, jardins zoobotânicos e instituições similares voltadas à promoção de atividades de divulgação científica que valorizassem a interatividade, de forma a aprimorar a difusão e popularização da cultura científico-tecnológica junto à sociedade brasileira e contribuir para a melhoria da qualidade do ensino das ciências. Os recursos aportados por essa chamada contribuíram para o aumento do número de instituições listadas no Guia de Centros e Museus de Ciência do Brasil em 2015 e para a ampliação das unidades de Ciência Móvel.

Em 2014, também contando com o apoio do CNPq, promoveram-se duas reuniões da Direção da RedPOP-UNESCO (Rede de Popularização da Ciência e da Tecnologia para a América Latina e o Caribe) no Brasil, pela primeira vez, ocorrendo a primeira em Salvador (maio) e a segunda no Rio de Janeiro (setembro). Criada em novembro de 1990, no Rio de Janeiro, a RedPOP-UNESCO congrega museus de ciência e programas de divulgação científica de diversos países da região e estimula o fortalecimento da divulgação científica na região, além de também atuar na criação de fóruns de compartilhamento de experiências e parcerias entre organizações e profissionais que atuam na área nos distintos países. Um dos objetivos da reunião era a elaboração de um Guia de Centros e Museus de Ciência da América Latina e do Caribe, nas versões em português e espanhol, publicado pela RedPOP, o Museu da Vida (COC/Fiocruz) e o Escritório Regional de Ciência da Unesco, trazendo uma relação de aproximadamente 470 centros da região. Além disso, houve a reestruturação do site da RedPOP, além promoção de capacitações abordando a divulgação científica de forma mais ampla, tendo como público alvo cientistas, jornalistas, profissionais de museus e de outras organizações de divulgação científica, além de estudantes. As reuniões propiciaram, ainda, a realização de um mapeamento inédito das políticas governamentais da região na área da divulgação científica, de acordo com a então Diretora da RedPOP, Dra. Luísa Massarani. Em 2017, novo Guia da América Latina e do Caribe para os Museus e Centros de Ciência Acessíveis foi lançado pela RedPOP e ABCMC.

Entre os anos de 2015 e 2018 o CNPq apoiou o mapeamento do estado da arte do aprendizado de ciência em ambientes não-formais de educação na América Latina, pesquisa sob a coordenação de Luísa Massarani, consolidada em um Diagnóstico que permite avaliar e apoiar a formulação de políticas em divulgação científica, publicado em 2017. No mesmo projeto, também apoiou a Casa de Oswaldo Cruz a realizar processamento técnico do acervo arquivístico do acervo pessoal José Reis, a fim de disponibilizá-lo ao público e torná-lo integralmente disponível na Internet, com geração de publicações importantes sobre o trabalho do divulgador científico e organização do acervo em um sítio na internet; entre os livros, destaca-se “Reflexões sobre a divulgação científica”. O reconhecimento da obra de José Reis pelo CNPq se materializou em 1978, pela instituição do Prêmio que leva seu nome e que visa reconhecer a dedicação de cientistas, jornalistas e instituições à divulgação científica; José Reis participou da criação e consolidação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na qual foi um dos mentores para a criação da revista Ciência e Cultura e seu editor.

Programa Nacional Pop Ciência - A Ciência Móvel e a virtualização

Outra iniciativa de destaque foi o início da ampliação do acesso aos acervos e processos de divulgação científica. Para tal, a ABCMC elaborou o Programa Nacional POP Ciência 2022, apresentado na IV Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia. O programa visava garantir pelo menos um equipamento de Ciência Móvel em cada Unidade da Federação até 2022 (50 unidades móveis no total), ano em que se comemorarão os 200 anos da Independência do Brasil. À época da elaboração do programa existiam 32 projetos em funcionamento, sendo 15 no Sudeste, 8 no Nordeste, 5 no Sul, 3 no Centro-Oeste e 1 no Norte; assim, das 27 Unidades da Federação, 15 ainda não dispunham desse tipo de projeto para atender às suas populações.

A modalidade "Ciência Móvel” considerou que a desigualdade regional e a concentração de instituições nos grandes centros eram fatores que impediam o acesso a Museus e Centros de Ciência. Assim, a partir de uma unidade móvel de Ciência se criou esse instrumento fundamental para a interiorização de atividades e ações de popularização da ciência no país. Esse tipo de projeto é liderado por universidades, institutos de pesquisa, secretarias municipais e estaduais de educação e ciência e tecnologia, empresas e outras instituições e se revelou como uma alternativa importante para que a população de municípios e localidades onde não existem equipamentos culturais para a popularização da ciência possa usufruir e acessar às últimas novidades em termos de desenvolvimento de ciência, tecnologia e inovação, pois a inexistência de Centros e Museus de Ciência em suas cidades tem se mostrado um limitador de acesso.

Com o surgimento da internet e a popularização das mídias sociais, novas ferramentas de divulgação e popularização da ciência foram sendo incorporadas às exposições e aos espaços físicos. Essas iniciativas é que tornam possível conhecer, virtualmente, peças e modelos de pinturas rupestres e outros elementos testemunhos da presença humana, como o do Museu do Homem Americano, patrimônio cultural e natural do Parque Nacional Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, Piauí. Essa foi apenas uma entre tantas iniciativas; atendendo ao desafio de sobrevivência e de continuidade de mediação do acesso da sociedade brasileira aos acervos científicos e culturais sob a guarda dos Museus e Centros de Ciência, muitas instituições buscaram desenvolver e implantar mecanismos de virtualizar o acesso das pessoas interessadas, mesmo que de forma parcial.

A Divulgação Científica em centros e museus de ciência é incentivada nas chamadas temáticas do CNPq

Após a experiência de vários anos da integração, acompanhamento e avaliação da inclusão da divulgação científica em chamadas temáticas na área ambiental, o CNPq passou a incentivar a divulgação científica nos centros e museus de ciência como parte do conteúdo requerido aos projetos de pesquisa em chamadas temáticas em todas as áreas do CNPq, a partir de 2019. Entre os objetivos das chamadas, destaca-se: "Promover ações de educação, popularização e/ou divulgação científica para diferentes tipos de público, alcançando amplos setores da sociedade, em articulação com especialistas, grupos e instituições que atuam nas áreas de educação formal e não formal (por exemplo: escolas, núcleos de extensão, museus, centros de ciências, zoológicos, jardins botânicos, aquários, centros de visitantes de unidades de conservação e organizações não governamentais). Assim, as ações de divulgação científica são esperadas nas características obrigatórias do projeto e nos critérios de julgamento, na forma de um "Plano de divulgação científica", bem como na Prestação de Contas/Avaliação Final, onde são solicitadas informações sobre a execução das atividades de divulgação científica por meio de textos, links de acesso, endereços eletrônicos, fotografias, vídeos ou áudios, dentre outros produtos que poderão ser disponibilizados em repositórios públicos e/ou utilizados pelo CNPq em suas atividades de comunicação institucional. Desse modo, espera-se potencializar a articulação dos projetos de pesquisas fomentados pelo CNPq com as instituições, grupos e especialistas que atuam nas áreas de educação formal e não formal, valorizando a formação de equipes interdisciplinares e a articulação com tais espaços de imenso potencial para a construção de ações cooperativas entre profissionais da educação formal e não formal, entre educadores das instituições museais e professores de instituições de ensino e os distintos públicos, ampliando o alcance das ações educativas de múltiplas maneiras.

O conceito de museu se encontra em pleno debate

A definição de museus está em atualização em todo o mundo e o Brasil participa deste debateSegundo o Conselho Internacional de Museus – ICOM, a atual definição de museus encontra-se em vigor desde 2007:

O museu é uma instituição permanente sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva, investiga, comunica e expõe o patrimônio material e imaterial da humanidade e do seu meio envolvente com fins de educação, estudo e deleite.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em 2016, durante a 24ª Conferência Geral do ICOM, levantou-se a necessidade de atualizar a definição de museus tendo em vista os novos desafios do mundo contemporâneo. Para tal, foi instituído o comitê MDPP (Standing Committee for Museum Definition, Prospects and Potentials), responsável pelo processo. Entre 2016 e 2019, o MDPP promoveu uma série de encontros e oficinas ao redor do mundo para estimular e colher propostas de uma nova definição. No Brasil, o ICOM Brasil apoiou a realização de três oficinas (em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador) e desenvolveu uma plataforma pública de consulta ao campo museal sobre a nova definição. Como resultados, foram apresentadas ao Comitê Executivo da ICOM Internacional cinco propostas de nova definição, sendo que em 2019, na 25ª Conferência Geral do ICOM, com a presença de cerca de 4.500 profissionais de museus de 115 países reunidos em Kyoto, a seguinte proposta de definição foi colocada em votação:

"Os museus são espaços democratizantes, inclusivos e polifônicos que atuam para o diálogo crítico sobre os passados e os futuros. Reconhecendo e abordando os conflitos e desafios do presente, mantêm artefatos e espécimes de forma confiável para a sociedade, salvaguardam memórias diversas para as gerações futuras e garantem a igualdade de direitos e a igualdade de acesso ao patrimônio para todos os povos. Os museus não têm fins lucrativos. São participativos e transparentes, e trabalham em parceria ativa com e para as diversas comunidades, a fim de colecionar, preservar, investigar, interpretar, expor, e ampliar as compreensões do mundo, com o propósito de contribuir para a dignidade humana e a justiça social, a equidade mundial e o bem-estar planetário."

 Ainda sem atender às necessidades apontadas pela assembleia, a partir de ampla discussão e encaminhamentos, decidiu-se pela necessidade de prorrogação dos debates. Em 2020, foi constituído um novo grupo de trabalho para a redação da proposta de definição de museu a ser submetida a votação na Conferência Geral de 2022, que será realizada em Praga. A metodologia do ICOM abrange quatro rodadas de consultas, divididas em 11 etapas, com duração de 18 meses, de dezembro de 2020 a maio de 2022.

No Brasil, o formulário online foi a primeira ferramenta desenvolvida pelo ICOM Brasil em 2021 para uma consulta ampla, a fim de obter conceitos-chave e valores que devem constar da nova definição do museu contemporâneo. A consulta esteve aberta a profissionais, pesquisadores, estudantes, voluntários e todas as pessoas que atuam no setor museal brasileiro, incluindo material de referência e uma sugestão de roteiro para os debates, colocados à disposição pelo ICOM Brasil. A pesquisa contou com a participação de 1.604 pessoas, sendo 784 em respostas individuais e 820 pessoas participantes dos debates promovidos por 62 grupos em todo o País. Como resultado da consulta pública pela comunidade museal brasileira, 20 termos e suas respectivas considerações foram escolhidos pelo ICOM Brasil e serão encaminhados como a contribuição brasileira nesta etapa do debate.

Você conhece a origem do termo Museu?

Que tal visitar os guias e programar sua próxima visita (virtual ou presencial)?

Guia Centros e Museus de Ciência do Brasil (2015) 

Guia de Centros e Museus de Ciência da América Latina e do Caribe (2015) 

Guia de Museus e Centros de Ciências Acessíveis da América Latina e do Caribe (2017)

Guia Centros e Museus de Ciência no Exterior

 

Chamadas do CNPq na temática

Chamada MCTI/CNPq/SECIS N º 85 /2013 – Apoio à criação e ao desenvolvimento de Centros e Museus de Ciência e Tecnologia. Resultado

Edital MCT/CNPq nº 042/2007 Seleção Pública de Projetos para Apoio a Projetos de Difusão e Popularização da Ciência e Tecnologia. Resultado

Edital MCT/CNPq nº 12/2006 - Difusão e Popularização da C&T. 

 

SAIBA MAIS

ABCMC - Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência – publicações

Acompanhe o debate sobre o novo conceito de Museu no Brasil, que continua até 2022 

Diagnóstico sobre o estado da arte do aprendizado de ciência em ambientes não-formais na América Latina (2017) 

Programa Nacional POP Ciência 2022/ABCMC 

Pesquisa pública no Brasil sobre o novo conceito de Museus

RedPOP - Rede de Popularização da Ciência e da Tecnologia para a América Latina e o Caribe - publicações