O CNPq e a Divulgação Científica

Publicado em 26/09/2013 09h25 Atualizado em 11/08/2021 09h44

No Brasil, a difusão da ciência para o público surgiu junto com a criação das primeiras instituições científicas no começo do século XIX, tais como o Jardim Botânico do RJ (1808), o Museu Nacional do RJ (1818), o Museu Paraense Emílio Goeldi (1868) e o Museu Paulista (1893), se intensificando a partir da criação da atual Academia Brasileira de Ciências (ABC).

A criação do CNPq atendeu às aspirações dos cientistas brasileiros filiados à atual ABC (Academia Brasileira de Ciências, criada em 1916 e que hoje conta com 900 membros), em resposta aos esforços do almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, responsável pela formalização de uma proposta ao presidente Eurico Gaspar Dutra, ainda em 1946. Antes da formalização do CNPq, o movimento pela ciência e tecnologia brasileira cresceu, com a organização da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) em 1948, a criação do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas), em 1949 e, criação do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) em 1950.

O almirante Álvaro Alberto era formado em Engenharia pela antiga Escola Politécnica e ingressou na ABC em 1921, tendo integrado a comitiva que recepcionou Albert Einstein no Brasil (no mesmo ano) e que trouxe Enrico Fermi (responsável pela condução das primeiras experiências de desintegração do átomo) ao Brasil, em 1935. Álvaro Alberto representou o Brasil na Comissão de Energia Atômica da ONU, onde defendeu a tese (não aceita) das compensações específicas aos países detentores de matérias-primas atômicas, franqueando-lhes acesso à tecnologia nuclear para fins pacíficos; a tese envolveu o uso do tório brasileiro. Nesse momento em que a energia nuclear representava a modernidade, e que César Lattes participou da descoberta do méson-pi (descoberta que conferiu ao britânico Cecil Powell o Prêmio Nobel de Física em 1950), aumentou o interesse do público pela ciência brasileira, com ampliação da cobertura da imprensa. O anteprojeto de criação do CNPq contava com cientistas e representantes do setor empresarial (ainda que o país tivesse apenas 1/3 de sua população vivendo em cidades).

A Lei nº 1.310 de 15 de Janeiro de 1951, que criou o CNPq, foi chamada por Álvaro Alberto de "Lei Áurea da pesquisa no Brasil". No entanto, o marco inicial de criação do CNPq é tido como a data da instalação do seu Conselho Deliberativo, maior instância de poder decisório do órgão, em 17 de abril de 1951, durante sua primeira reunião. Criado como Conselho Nacional de Pesquisa (do qual manteve a sigla, mesmo quando mudou o nome), representou o corolário desse grande movimento estratégico, surgindo apenas um ano após a estruturação do National Science Foundation (NSF) dos Estados Unidos e em consonância com o organismo similar Europeu, o Centre National de la Recherche Scientifique (CNRF), criado na França em 1939. O CNPq foi criado poucos meses antes da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e alguns anos antes da criação da FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (1962), duas outras instituições de fomento à pesquisa e à educação de nível superior brasileiras. Na época de fundação do CNPq, estima-se que os pesquisadores brasileiros fossem pouco mais de uma centena. Atualmente, há cerca de 195 mil pesquisadores-doutores cadastrados na Plataforma Lattes.

Assim, antes da existência do CNPq não havia nenhum mecanismo de apoio sistemático e financiamento específico à ciência e tecnologia. Assim, pode-se considerar que a organização do atual Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) iniciou-se com a criação do CNPq.

O CNPq tem como missão promover e fomentar o desenvolvimento científico e tecnológico do país e contribuir na formulação da Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (PNCT&I). Dentre seus objetivos enquanto agência pública de fomento à C,T&I, destacam-se:

      • Ampliar e fortalecer a competência nacional por meio da formação de recursos humanos de alto nível em todas as áreas da ciência, da tecnologia e da inovação.
      • Apoiar a criação e manutenção de infraestrutura física que ofereça condições competitivas para a pesquisa e pós-graduação, através do financiamento de projetos.
      • Divulgar e disseminar os conhecimentos gerados, criando melhores condições de desenvolvimento e inclusão social para a população brasileira.
      • Gerar e disponibilizar informações sobre pesquisadores e instituições, permitindo uma avaliação constante do estágio da evolução da ciência nacional. 

Quais são as principais ações de divulgação científica do CNPq?

i) concessão do Prêmio José Reis de Divulgação Científica, primeiro prêmio instituído pelo CNPq, desde 1978;

ii) fomento de Chamadas Públicas em divulgação e popularização da ciência, em conjunto com Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, como os de feiras de ciência e mostras científicas de âmbitos nacional, estadual e municipal; ciência móvel; olimpíadas científicas; apoio financeiro concedido a espaços científicos-culturais que promovam atividades de divulgação científica e valorizem a interatividade, como centros e museus de Ciência e Tecnologia, planetários, jardins zoobotânicos e instituições similares; apoio à Semana Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, de âmbito nacional, desde 2004;

iii) fomento à pesquisa em Divulgação Científica, com a criação do Comitê de Assessoramento em Divulgação Científica – CA-DC, em 2007;

iv) inserção no relatório técnico final de um campo para texto para não especialistas e vídeo curto dos resultados do projeto em 2011;

v) fomento à pesquisa integrada à divulgação científica em chamadas de biodiversidade, desde 2007;

vi) criação de nova aba no Currículo Lattes, relacionada à produção em "Educação e Popularização da ciência";

vii) divulgação das ações de fomento e dos resultados das pesquisas apoiadas pelo CNPq por meio dos canais próprios de comunicação, pela Coordenação de Comunicação – COCOM/CNPq.

Fomento à Área de Divulgação Científica

A Divulgação Científica (DC) é considerada um campo específico na Tabela de Áreas do Conhecimento do CNPq desde 2007, com a criação concomitante do Comitê Assessor em Divulgação Científica (CA-DC), que é acompanhado pela Coordenação de Ciências Humanas e Sociais (COCHS/CGCHS). A instituição do CA-DC contemplou demanda da comunidade acadêmica da área, com a perspectiva e a necessidade de se estabelecerem parâmetros qualificados e sistemáticos para avaliar e acompanhar esta área multidisciplinar do conhecimento, que propicia a produção, veiculação e discussão de temas científicos, não somente por seus pares e para seus pares, mas para toda a sociedade. Essa estruturação permitiu a disponibilização de cotas de Bolsa de Produtividade em Pesquisa (PQ) na área de DC, Bolsas de Apoio à Difusão do Conhecimento (ADC) e de outras bolsas especiais, bem como de auxílios como AVG (Participação em Eventos Científicos) e ARC (Promoção de Eventos Científicos, Tecnológicos e/ou de Inovação) para pesquisas e eventos relacionados ao tema.

As ações regulares de fomento à divulgação científica e popularização da ciência representam parte significativa das políticas públicas de popularização da ciência no país, e se originaram de ações de planejamento da política de ciência e tecnologia, em especial a partir da realização das Conferências Nacionais de Ciência e Tecnologia e de seus desdobramentos. A divulgação científica faz parte da missão institucional do CNPq, em consonância com as políticas de C&T relacionadas à popularização da ciência, direcionada a Fomentar a Ciência, Tecnologia e Inovação e atuar na formulação, execução, acompanhamento, avaliação e difusão de suas políticas, contribuindo para o avanço das fronteiras do conhecimento, o desenvolvimento sustentável e a soberania nacional.

Além de ações específicas na área, o CNPq fomenta a divulgação científica e a popularização da ciência a partir de inclusão deste eixo temático nas Chamadas Públicas para a apresentação de projetos em programas que também apoia sistematicamente:

1) Programa de Iniciação Científica: a bolsa de Iniciação Científica é uma modalidade concedida pelo CNPq desde sua fundação, em 1951, com o objetivo principal de despertar jovens talentos para a ciência. Ao longo do tempo, os objetivos dessa modalidade foram sendo ampliados e diversificados, sendo que as bolsas de Iniciação Científica passaram a ser concedidas por meio de Chamadas Públicas aos programas institucionais, de forma regular. As modalidades de bolsas foram adequadas a diferentes públicos e finalidades: para os estudantes de graduação são ofertadas bolsas PIBITI (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação) e PIBIC (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica), além de bolsas específicas nas ações afirmativas (PIBIC-Af) aos alunos-cotistas, aos medalhistas das Olimpíadas Científicas de Matemática (Programa de Iniciação Científica e Mestrado - PICME). Integrando os alunos do ensino médio aos programas institucionais de iniciação científica, a modalidade PIBIC-EM é operacionalizada pelas instituições de ensino e pesquisa (Universidades, Institutos de Pesquisa e Institutos Tecnológicos [CEFETs e IFs]) que tiverem PIBIC e/ou PIBITI para desenvolverem um PROGRAMA de educação científica que integre os estudantes das escolas de nível médio, públicas do ensino regular, escolas militares, escolas técnicas, ou escolas privadas de aplicação; também para o ensino médio, o Programa de Iniciação Científica da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) concede bolsa de Iniciação Científica Junior aos alunos medalhistas; estreitando as parcerias com as Fundações de Amparo à Pesquisa ou Secretarias Estaduais, criou-se o Programa de Iniciação Científica Júnior (ICJ) que,  por meio da concessão de cotas às entidades estaduais parceiras de fomento à pesquisa, permite a inserção dos estudantes do Ensino Médio em projetos de educação científica. 

2) Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) – cujo componente de divulgação científica está expresso na exigência de configuração de um programa de educação em ciência e difusão do conhecimento, dentro do eixo "Transferência de Conhecimentos, tecnologias e inovações para a sociedade”.  Os 104 INCTs ocupam posição estratégica no Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI), tanto por atuar em um foco temático na fronteira do conhecimento, como pela complexidade de sua organização e porte do financiamento. O Programa atende também a outras políticas públicas: o Plano Brasil Maior, o Plano Nacional de Educação, o Plano Nacional da Saúde, a Agenda Nacional de Prioridades de Pesquisa em Saúde e a Política Nacional para o Agronegócio. Tudo isso para atuar na pesquisa, na formação de recurso humanos e no desenvolvimento tecnológico em temas como saúde, ecologia e meio ambiente, engenharia, tecnologia da informação, energia, nanotecnologia, ciências sociais aplicadas e políticas públicas, entre outros, com transferência de conhecimentos, tecnologias e inovações para o setor produtivo e/ou para o setor público e para a sociedade, além de internacionalizar as ações brasileiras por meio de parcerias com instituições e pesquisadores de outros países. Em 2020, uma parceria do CNPq com o Instituto Nacional de Comunicação da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT), sediado na Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, em virtude da Pandemia COVID19, houve o lançamento da página COVID19 DivulgAção científica – a fim de disponibilizar ao público informações confiáveis sobre o novo coronavírus e a doença causada por ele, a Covid-19. A ação oferece subsídios aos cidadãos para que tomem decisões bem informadas acerca da disseminação do vírus, valorizando os esforços e atuação da ciência brasileira e internacional para o enfrentamento da pandemia. A ação oferece subsídios aos cidadãos para que tomem decisões bem informadas acerca da disseminação do vírus, valorizando os esforços e atuação da ciência brasileira e internacional para o enfrentamento da pandemia. Entre outros INCT atuantes no enfrentamento da Pandemia Covid-19, o INCT em Estações de Tratamento de Esgotos Sustentáveis (INCT ETEs Sustentáveis) coordena a “Rede Monitoramento Covid Esgotos” criada para realizar o monitoramento do SARS-CoV-2 nos esgotos de capitais brasileiras (Belo Horizonte - MG, Curitiba - PR, Fortaleza - CE, Recife - PE e Rio de Janeiro - RJ) e também do Distrito Federal, contribuindo com informações essenciais para a tomada de decisões por parte das autoridades de saúde, incluindo a definição de ações para o enfrentamento à pandemia de Covid-19; o projeto que deu origem à Rede conta com o apoio da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico/ANA em parceria com o CNPq e a execução do mesmo deverá ser acompanhada por boletins periódicos ao público em geral, sendo que o primeiro já foi lançado (acesse aqui).

3) O Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD) - existente há 24 anos, é o mais robusto e abrangente programa vinculado ao meio ambiente. Somente em 2020 foram comprometidos R$ 15 milhões, sendo R$ 3 milhões em custeio e R$ 12 milhões em bolsas a serem pagas entre 2021 e 2024 (Chamada CNPq/MCTI/CONFAP-FAPs/PELD Nº 21/2020), sendo que os sítios aprovados poderão ser cofinanciados em até R$ 200 mil reais com recursos das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa – FAPs (parceiras na Chamada). A Chamada de 2009 já mencionava a necessidade de que o projeto de sítio PELD indicasse estratégias de divulgação científica da pesquisa, bem como de transferência dos resultados para gestores, as comunidades locais e a sociedade em geral. Com o contínuo acompanhamento e avaliação do programa pelo CNPq, os termos da divulgação científica foram sendo aprimorados e, a partir de 2016, passou-se a exigir o delineamento de uma estratégia de divulgação científica para cada sítio PELD. Em 2020, a estratégia de divulgação científica como parte obrigatória da proposta de cada sítio passou a ser entendida como um conjunto de ações para a democratização do conhecimento junto à sociedade desde o início da pesquisa, de modo adequado aos diferentes públicos, em articulação com especialistas, grupos e instituições que atuam nas áreas de educação formal e não formal (por exemplo: escolas, núcleos de extensão, museus, centros de ciências, zoológicos, jardins botânicos, aquários, centros de visitantes de unidades de conservação e organizações não governamentais). Adicionalmente, de modo pioneiro, o programa está promovendo a partir de 2020 o desenvolvimento de um projeto de comunicação pública da ciência para o Programa PELD, articulado com as estratégias de divulgação científica de cada sítio de pesquisa integrante da rede PELD, buscando: (i) ampliar e potencializar a divulgação científica produzida pelos sítios PELD para um público mais amplo, de modo a influenciar a tomada de decisão na gestão ambiental e fortalecer o engajamento da sociedade na conservação ambiental e da biodiversidade, ampliando a divulgação dos resultados para os cofinanciadores do Programa, em seus canais de divulgação e de comunicação - aproximando os resultados das pesquisas dos gestores públicos, formuladores de políticas públicas e distintos públicos que compõem a sociedade; (ii) reconhecer os direitos à informação, à cidadania, à cultura científica e à troca de saberes e valorizar a percepção pública da ciência e da compreensão das relações entre ciência, tecnologia, sociedade e ambiente; (iii) valorizar metodologias e perspectivas participativas e cooperativas de comunicação pública da ciência, em diálogo com os pesquisadores dos sítios PELD e os diferentes públicos envolvidos e em consonância com as diretrizes da Chamada PELD; (iv) promover a integração e articulação de coordenadores de sítios e pesquisadores do PELD na proposta do projeto de comunicação pública da ciência para o Programa.  Segundo Relatórios do Comitê Científico do PELD, o programa tem um grande potencial para, em curto prazo, tornar-se a principal referência global em pesquisa de biodiversidade, tendo impacto direto em políticas públicas nacionais e servindo como orientador do posicionamento diplomático do Brasil nas convenções globais das Nações Unidas (do clima, da biodiversidade e de combate à desertificação). 

4) O Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR) visa produzir conhecimento científico sobre a Antártica e suas relações com o restante do sistema climático global, envolvendo a criosfera, oceanos, atmosfera e biosfera, garantindo a presença da comunidade científica brasileira na Antártica desde o verão de 1982/83. O CNPq participa da consecução dos objetivos científicos do PROANTAR desde 1991, financiando as pesquisas científicas na Antártida, com recursos próprios ou em parcerias. A qualidade da pesquisa brasileira garante ao Brasil o status de membro consultivo junto ao Tratado da Antártica, integrando o grupo de países que atualmente decidem os rumos da Antártica. Atualmente são desenvolvidos projetos de pesquisa nas seguintes temáticas:  o papel da criosfera no sistema terrestre e as interações com a América do Sul; dinâmica da alta atmosfera na Antártica, interações com o geoespaço e conexões com a América do Sul; biocomplexidade dos ecossistemas antárticos, suas conexões com a América do Sul e as mudanças climáticas; geodinâmica e história geológica da Antártica e suas relações com a América do Sul; mudanças climáticas e o Oceano Austral; química dos oceanos, geoquímica marinha e poluição marinha; biologia Humana e Medicina Polar.

A história do CNPq se confunde com a história da CT&I brasileira

Criado como autarquia ligada à Presidência da República (ainda no Rio de Janeiro), o CNPq foi presidido por Álvaro Alberto até 1955; neste período, além de investir na formação de recursos humanos por meio de concessão de bolsas e auxílios, participou da constituição do primeiro instituto ligado ao órgão: a Comissão Nacional de Energia Nuclear (concretizada em 1956, conforme Decreto No 40.110, de 10 de outubro de 1956).

Em 1974 o CNPq foi transformado em Fundação para ganhar maior agilidade em suas decisões – e passou a se subordinar à Secretaria de Planejamento/SEPLAN, mudando sua sede para Brasília. Nesse mesmo ano foi estruturado o Sistema Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (SNDCT), integrado por um conjunto de instituições e mecanismos financeiros, cuja meta principal consistia na implementação de uma política tecnológica voltada para os objetivos sociais e do desenvolvimento científico, principalmente nas áreas relativas ao desenvolvimento sócio-econômico.

O CNPq participou direta ou indiretamente da criação de alguns dos Institutos de Pesquisa atualmente vinculados ao MCTI: o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, responsável pela construção e operação da primeira fonte de luz síncrotron do Hemisfério Sul; a Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, que integra as áreas de ambiente, ciências sociais e o manejo dos recursos naturais e outros.

Especificamente em relação à divulgação científica pela mídia impressa, pelo menos dois feitos merecem destaque: em 1978 o CNPq instituiu um prêmio de incentivo ao jornalismo científico, o José Reis de Divulgação Científica; em 1987 o CNPq criou, em São Paulo, a Estação Ciência, um ambiente de oportunidade para os visitantes conhecerem, por meio de exposições e experimentos, de forma lúdica, a relação da física, da biologia, da astronomia, matemática, geografia e outras ciências com o nosso cotidiano – essa exposição-mostra foi integrada à USP em 1990.

Após a criação, em março de 1985, do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), algumas atribuições do CNPq foram transferidas ao Ministério, iniciando-se pela oferta de infraestrutura para o funcionamento do Conselho Científico e Tecnológico – CCT (órgão colegiado responsável pelo estabelecimento das grandes diretrizes da política de ciência e tecnologia do País) e pelas tarefas de coordenação da Ciência e Tecnologia em âmbito nacional. Entretanto, mesmo após a instituição do MCT o CNPq continuou atuando em prol da ciência brasileira e na formulação de políticas públicas. A partir de 1986, com a publicação do novo estatuto, as funções e a estrutura interna do CNPq foram modificadas para que este passasse a operar como instrumento de execução das políticas públicas para a área de C&T, sob orientação do MCT, aprovado pelo Decreto nº 92.641, de 12 de maio de 1986. Aos poucos, a atuação do órgão foi se adequando e, em 2002, concentrou-se no cumprimento da missão de “promover e fomentar o desenvolvimento científico e tecnológico do país e contribuir na formulação das políticas nacionais de ciência e tecnologia”, conforme o artigo segundo do Regimento Interno do CNPq (Portaria nº 816, de 17 de dezembro de 2002).

Atualmente, o CNPq faz parte da Rede MCTI, que conta com 27 Institutos de Pesquisa, Fundações e Empresas Públicas: Agência Espacial Brasileira – AEB, Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas – CBPF (1949), Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada S.A - CEITEC, Centro de Gestão e Estudos Estratégicos – CGEE, Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais – CNPEM, Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer - CTI, Centro de Tecnologia Mineral - CETEM; Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste - CETENE; Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais - CEMADEN; Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq,  Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial – EMBRAPII, Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT; Instituto de Matemática Pura e Aplicada – IMPA, Instituto Nacional da Mata Atlântica – INMA, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE, Instituto Nacional do Semiárido – INSA,; Instituto Nacional de Tecnologia – INT, Laboratório Nacional de Astrofísica – LNA, Laboratório Nacional de Computação Científica - LNCC, Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, Museu de Astronomia e Ciências Afins, Museu Paraense Emílio Goeldi – MPEG; Observatório Nacional - ON, Rede Nacional de Pesquisas – RNP.

As bases do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação

O CNPq participou ativamente da elaboração de políticas e ações públicas em prol da ciência e da tecnologia, antes da criação do MCT e até meados de 2002, enquanto o Ministério se estruturava para a absorção e delineamento das diretrizes gerais de Ciência, Tecnologia e, mais recentemente, da Inovação, como instituição-parte do Sistema Nacional de Ciência Tecnologia e Inovação preconizado pela Constituição Federal de 1988, em seu artigo 219-B (como evolução do SNDCT):

Art. 219-B. O Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI) será organizado em regime de colaboração entre entes, tanto públicos quanto privados, com vistas a promover o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação.

§ 1º Lei federal disporá sobre as normas gerais do SNCTI.

§ 2º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios legislarão concorrentemente sobre suas peculiaridades.

O SNCTI compreende uma série de diferentes atores e instituições, entre elas os atores políticos, as agências de fomento e os órgãos e instituições que operam o sistema, conforme definição da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI 2016-2022). O direcionamento estratégico cabe aos atores políticos, a partir do delineamento de estratégias e Planos de Ação. Já a elaboração de programas, chamadas públicas e a concessão de recursos para que as pesquisas e a formação de recursos humanos possam ser realizadas cabem às agências de fomento (CNPq, CAPES, FINEP, BNDES, e FAPs - estaduais), sempre em consonância com os objetivos da política de CT&I. O planejamento e a realização de pesquisas, a formação de recursos humanos, a geração de produtos e processos inovadores e a interação com a sociedade no sentido de popularizar a ciência e melhorar a educação científica cabem especialmente aos operadores do sistema, as equipes de pesquisadores ligados às Universidades, Institutos de pesquisa do MCTIC, redes de pesquisa representados pelos Institutos Nacionais de C&T (INCT), Incubadoras de empresas e Empresas inovadoras.

Assim, as ações definidas pelo MCTI e demais atores políticos, a serem fomentadas pelo CNPq, se baseiam na aderência à missão do Conselho e à ENCTI 2016-2022. Especificamente em relação à educação científica e popularização da ciência, está reafirmada a estratégia de “promoção da melhoria da educação científica, a popularização da C&T e a apropriação social do conhecimento” como parte do Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação em Ciências e Tecnologias Sociais.

Saiba mais sobre a história e as ações do CNPq:

CNPq -  50 anos de ciência

O CNPq celebra 70 anos

Homenagem CNPq 70 Anos - Vanderlan Bolzani, professora do IQAr/Unesp e bolsista do CNPq, publica artigo em homenagem aos 70 anos da agência 

Os 70 anos do CNPQ e a ciência no Brasil (O Estado de S. Paulo), 05 de jul. de 2021.

CNPq em Pauta 11ª Edição - edição que deu destaque a algumas iniciativas do CNPq em Divulgação Científica, incluindo a criação das bolsas ADC. 

Estatuto do CNPq

Regimento Interno do CNPq - Portaria nº 816, de 17 de dezembro de 2002.

Rede MCTI  e Estrutura Organizacional do MCTI

Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação  - ENCTI  2016-2022

 

Outras Fontes em C,T&I

Estação Ciência

Fontes em C&T - Instituições governamentais que promovem o desenvolvimento científico e tecnológico no país.

Revista Brasileira de Tecnologia – RBT  – publicada entre 1970 e 1989, trata-se de projeto pioneiro de divulgação científica no Brasil criado para permitir publicações científicas nacionais e intercâmbio entre pesquisadores e cientistas, informando os avanços científicos e afirmando o compromisso do CNPq com o desenvolvimento tecnológico do País, dado que este se responsabilizou pelo custeio da publicação.