Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Poluentes Atmosféricos
A Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Poluentes Atmosféricos, conhecida como Vigiar, é um componente da Vigilância em Saúde Ambiental (VSA) com foco na análise integrada de informações ambientais e de saúde, na identificação de territórios prioritários, situações de vulnerabilidades e populações expostas a poluentes atmosféricos para o subsídio à tomada de decisão no SUS. O principal objetivo é proteger e promover a saúde de populações expostas a poluentes atmosféricos por meio de ações de vigilância que subsidiem a tomada de decisão no SUS.
Principais Ações
- Mapear as áreas de risco à poluição atmosférica de interesse à saúde pública, considerando os contextos e fontes de exposição;
- Identificar os fatores ambientais e sociais que influenciam a exposição à poluição atmosférica, em articulação com outros setores e considerando as características do território;
- Analisar os efeitos à saúde (agudos e crônicos) decorrentes da exposição a poluentes atmosféricos, com foco em agravos respiratórios, cardiovasculares e outros relacionados, por meio de indicadores de morbidade e mortalidades;
- Elaborar, monitorar e divulgar o perfil de morbimortalidade da população exposta a poluentes atmosféricos e em situação de vulnerabilidade, considerando doenças e agravos relacionados à poluição atmosférica e suas especificidades territoriais;
- Analisar a situação de saúde da população exposta à poluição atmosférica, de forma a subsidiar o planejamento e a priorização das ações de vigilância em saúde;
- Articular ações de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Poluentes Atmosféricos (Vigiar) e cooperar com as demais ações e serviços desenvolvidos e ofertados no Sistema Único de Saúde (SUS) para garantir a integralidade da atenção à saúde da população, contribuindo para a sua regionalização;
- Fomentar parcerias intersetoriais para o desenvolvimento de ações integradas voltadas à mitigação dos impactos da poluição atmosférica na saúde;
- Contribuir para a formulação de políticas públicas de promoção da saúde frente à poluição atmosférica nos âmbitos nacional, estadual, distrital e municipal.
Área Prioritárias
A Vigilância atua em situações críticas que afetam a qualidade do ar e seus impactos na saúde da população, incluindo:
- Queimadas e incêndios florestais: Monitoramento de áreas impactadas pela fumaça das queimadas e incêndios florestais.
- Regiões metropolitanas e cidades: Grandes centros urbanos com elevada concentração de poluentes atmosféricos.
- Centros industriais: Áreas com intensa atividade industrial que contribuem para a poluição do ar.
- Qualidade do ar intradomiciliar: Ambientes domiciliares onde há exposição de poluentes, como fumaça de fogões a lenha e carvão.
- Mudanças climáticas e eventos extremos: Identificação de impactos de alterações climáticas, como calor extremo, secas e estiagens, que agravam a poluição do ar e seus efeitos na saúde.
Sustentabilidade, determinantes socioambientais e saúde
A Vigilância em Saúde Ambiental considera fatores socioambientais essenciais para a saúde e a qualidade de vida, acesso a serviços de saúde e saneamento, educação, urbanização, energia, justiça social, igualdade de gênero e impactos das mudanças climáticas. Esses determinantes permitem compreender como a poluição do ar afeta a saúde de diferentes populações e orientam estratégias específicas de proteção de grupos em situação de vulnerabilidade.
Estratégias da Vigilância em Saúde Ambiental
Para alcançar seus objetivos, a Vigilância em Saúde Ambiental utiliza estratégias voltadas à identificação e análise da exposição da população a poluentes atmosféricos, incluindo:
- Integração de dados ambientais e de saúde: Sistematização de informações sobre poluição do ar e cruzamento com indicadores de saúde para identificar populações expostas e em situação de maior vulnerabilidade.
- Articulação intra e intersetorial: Reuniões e troca de informações com órgãos ambientais, técnicos, gestores de saúde e outros setores para apoiar ações de promoção da saúde e mitigação da exposição a poluentes.
- Comunicação e orientação: Divulgação de informações sobre a exposição da população a poluentes atmosféricos e recomendações para reduzir a exposição ambiental.
Essas estratégias permitem subsidiar políticas públicas e orientar ações intersetoriais para proteger a saúde das populações expostas à poluição atmosférica.
Monitoramento
O Painel Vigiar: Poluição Atmosférica e Saúde Humana é uma ferramenta da Vigilância em Saúde de Populações Expostas à Poluentes Atmosféricos (Vigiar) que identifica áreas com maior exposição a poluentes atmosféricos (outdoor e indoor) e estima os impactos na saúde da população. Seu principal objetivo é subsidiar a formulação de políticas públicas, aprimorar a qualidade das informações disponíveis e fortalecer as ações de vigilância em saúde ambiental no Brasil.
O painel oferece estimativas sobre os impactos da poluição do ar na saúde humana, destacando o número de mortes que poderiam ser evitadas caso as concentrações de material particulado fino (MP2,5) estivessem dentro dos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Com isso, fornece informações para políticas públicas e ações de saúde ambiental no Brasil.
Estrutura do painel
Estimativas de Exposição:
- Apresenta as concentrações anuais e mensais de material particulado fino (MP2,5).
- Fornece dados por localidade nos mapas interativos, gráficos de séries temporais e listas dos municípios com maiores concentrações.
- Permite filtrar as informações por ano e localidade (região, unidade federativa ou município).
Populações Expostas:
- Mostra o percentual de populações expostas a diferentes níveis de MP2,5.
- Disponibiliza filtros por ano, localidade e grupos populacionais específicos (geral, idosos, crianças).
Estimativas de Impacto:
- Apresenta estimativas de mortalidade atribuíveis à exposição ao MP2,5.
- Permite filtrar por tipo de estimativa (proporção, número total ou número por 100.000 habitantes), ano e desfecho (mortalidade geral, doenças específicas).
- Inclui dados sobre mortalidade em adultos (30+ anos) e crianças (menos de 5 anos).
Fontes de dados:
- Exposição: Dados obtidos por meio do Copernicus (CAMS) e Centro Europeu de Previsões Meteorológicas em Médio Prazo (ECMWF); Sistema de Informações Ambientais Integrado à Saúde Ambiental (SISAM/INPE).
- Impacto: Estimativas baseadas no programa AIRQ+ da Organização Mundial da Saúde (OMS); Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS).