Vírus Sincicial Respiratório
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é um vírus comum que causa infecções respiratórias em pessoas de todas as idades, com maior impacto em bebês, idosos e pessoas com condições de saúde que comprometem o sistema imunológico. No Brasil e em outros países, o VSR circula de forma mais intensa em determinadas épocas do ano, podendo causar desde sintomas leves até quadros respiratórios graves que requerem atendimento hospitalar, como a síndrome respiratória aguda grave (SRAG).
O VSR é um vírus altamente contagioso que infecta o trato respiratório. É uma das principais causas de bronquiolite viral aguda (BVA) em crianças menores de dois anos e pode ser responsável por um número expressivo de internações. A maioria das pessoas infectadas apresenta sintomas leves semelhantes aos de um resfriado; porém, a doença pode evoluir para manifestações mais graves em grupos vulneráveis.
Transmissão
O VSR é transmitido principalmente por meio de gotículas respiratórias e contato direto com secreções de uma pessoa infectada (por exemplo, ao tocar superfícies ou objetos contaminados e depois tocar olhos, nariz ou boca).
A transmissão do vírus pode ocorrer:
- Quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou conversa;
- Por contato próximo com pessoas infectadas;
- Pelo toque em mãos ou superfícies contaminadas.
Sintomas
Os sintomas geralmente se assemelham aos de um resfriado comum, mas podem evoluir para quadros respiratórios graves nos grupos com maior risco, especialmente em crianças abaixo de 2 anos.
Sinais e sintomas mais comuns:
- Coriza (nariz escorrendo);
- Tosse;
- Espirros;
- Febre;
- Congestão nasal;
- Chiado no peito.
Sinais e sintomas em casos mais graves:
- Respiração rápida ou com dificuldade;
- Perda do apetite ou dificuldade para se alimentar;
- Cianose (pele, os lábios ou as pontas dos dedos arroxeados ou azulados);
- Alteração do estado mental (irritabilidade ou sonolência).
Em bebês o VSR pode causar bronquiolite viral aguda, caracterizada pela inflamação dos bronquíolos, que são pequenas vias áreas dos pulmões.
Grupos com maior risco
Alguns grupos têm maior risco de desenvolver formas graves da doença, são eles:
- Crianças menores de 2 anos, especialmente menores de 6 meses;
- Bebês prematuros;
- Crianças com doenças cardíacas ou pulmonares crônicas;
- Crianças com condições neurológicas, síndrome de down ou com anomalias de vias aéreas;
- Idosos;
- Pessoas com condições que comprometem o sistema imunológico.
Diagnóstico
O diagnóstico do VSR é, na maioria dos casos, clínico, baseado na avaliação da história clínica e dos sinais e sintomas apresentados.
Em alguns casos, como em pacientes hospitalizados com quadros mais graves, podem ser realizados testes para identificação do vírus em amostras respiratórias por exame de biologia molecular (RT- PCR em tempo real).
Tratamento
Não existe medicamento específico para tratamento do VSR. O manejo clínico é de suporte e depende da gravidade do quadro.
O tratamento pode incluir:
- Hidratação adequada;
- Controle da febre;
- Lavagem nasal;
- Internação hospitalar e uso de oxigênio suplementar em casos mais graves.
Prevenção
Algumas medidas simples ajudam a prevenir a infecção e a disseminação do vírus, como:
- Lavar as mãos com frequência com água e sabão;
- Evitar contato próximo com pessoas gripadas ou resfriadas;
- Limpar e desinfetar objetos e superfícies de uso comum;
- Evitar aglomerações, especialmente para bebês e idosos;
- Manter ambientes bem ventilados;
Para proteger bebês é importante manter a vacinação e as consultas de rotina em dia, manter o aleitamento materno sempre que possível e evitar a exposição à fumaça de cigarro.
Vacinas para Gestantes
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacina contra o VSR para gestantes, com o objetivo de proteger o bebê nos primeiros meses de vida.
A vacina é aplicada em dose única a partir da 28ª semana de gestação. Após a vacinação, a gestante produz anticorpos que são transferidos para o bebê por meio da placenta, conferindo proteção passiva ao recém-nascido. Essa estratégia reduz o risco de formas graves da doença e de internações hospitalares por VSR nos primeiros seis meses de vida.
Imunização dos Bebês
Atualmente, não há uma vacina contra o VSR indicada diretamente para bebês. No entanto, os bebês podem receber anticorpos prontos, chamados de “anticorpos monoclonais”, que ajudam a protegê-los contra formas graves da infecção, como o palivizumabe e o nirsevimabe.
Palivizumabe
O palivizumabe é um anticorpo monoclonal utilizado há vários anos para a proteção de bebês com maior risco de desenvolver doença grave pelo VSR, como prematuros e crianças com algumas condições clínicas específicas.
Esse medicamento é administrado por injeções mensais durante o período de maior circulação do vírus, conforme critérios definidos pelo Ministério da Saúde. O palivizumabe ajuda a reduzir o risco de hospitalização por VSR nesses grupos com maior risco.
Nirsevimabe
O nirsevimabe é um anticorpo monoclonal mais recente, desenvolvido para oferecer proteção prolongada contra o VSR com apenas uma dose, cobrindo toda a temporada de circulação do vírus.
Ele atua de forma semelhante ao palivizumabe, fornecendo anticorpos prontos ao bebê, mas com a vantagem de maior duração da proteção, o que reduz a necessidade de aplicações repetidas. No SUS, o nirsevimabe será disponibilizado a partir de fevereiro de 2026 para bebês prematuros e para aqueles com condições clínicas específicas, que apresentam maior risco de desenvolver formas graves da infecção pelo VSR.
Atendimento médico
É importante buscar orientação médica imediatamente nos seguintes casos:
- Dificuldade para respirar ou respiração muito rápida;
- Chiado intenso no peito;
- Lábios ou unhas arroxeados;
- Sonolência excessiva;
- Dificuldade para mamar ou se alimentar, com diminuição da ingestão de líquidos;
- Febre persistente ou piora dos sintomas do resfriado.
Em bebês, qualquer sinal de agravamento deve ser avaliado rapidamente por um profissional de saúde.