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Saúde Indígena
Carmem Pankararu assume chefia de gabinete da Saúde Indígena
A indígena, natural de Pernambuco, espera que o trabalho seja orquestrado entre base e gestão e que o controle social seja empoderado Com o ano que se inicia, o frescor da novidade chega não somente aos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), mas também ao nível central da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). A convite do secretário Antônio Alves de Souza, Carmem Pankararu assume, nesta segunda-feira (4), sua chefia de gabinete, trazendo a promessa da gestão compartilhada e do controle social ainda mais fortalecido.
“Precisarei muito de vocês, pois nossas experiências são diferentes. Minha maior expectativa é o trabalho orquestrado entre base e gestão. Precisamos dar autonomia a esses povos, para que tomem suas decisões de forma coerente com as necessidades da gestão e com as necessidades da população em ter a sua própria saúde. Este é o empoderamento e fortalecimento do controle social que espero na Sesai”, contou a nova chefe de gabinete da Secretaria, durante o primeiro contato com trabalhadores da Pasta.
Nascida no município de Tacaratu, interior de Pernambuco, Maria do Carmo Andrade Filha é a primeira indígena a integrar a equipe da chefia de gabinete da Sesai. Carmem Pankararu, como é mais conhecida, deixou a aldeia onde vive com a família para assumir a tarefa de gerir, ao lado do secretário Antônio Alves, a saúde dos povos indígenas do Brasil.
Questionado sobre a escolha, Alves explica que, desde antes da criação da Sesai, havia a defesa de que na direção da Secretaria pudesse ser contemplada a representação dos indígenas. “Ninguém melhor do que eles ou seus representantes para, juntamente conosco, definir e implementar políticas e programas que tragam mais benefício para seus povos”, alegou.
Perfil Completo
Para o secretário, Carmem possui um perfil completo para ajudar a saúde indígena e é uma grande aquisição tanto para a Sesai e o Ministério da Saúde, quanto para os povos indígenas do Brasil.
“Conheço o trabalho dela de outros movimentos sociais. Acompanho sua trajetória como representante da saúde indígena e, também, no movimento dos trabalhadores. Ela atende de forma completa ao perfil que precisamos aqui na Sesai, pois conhece o tema profundamente, trabalha com saúde indígena no DSEI Pernambuco e já foi presidente do Conselho Distrital de Saúde de Pernambuco, além de já ter sido coordenadora de Polo Base quando a saúde indígena ainda era gerida pela Funasa [Fundação Nacional de Saúde]. Então, a Carmem conhece o lado da gestão, o dos trabalhadores e o dos usuários”, avaliou.
No primeiro dia de posse, Carmem disse que batalhará pela saúde em todos os 34 DSEI e lembrou que o trabalho deve ser realizado em conjunto com as comunidades. “Aceitei o convite por que acredito no Subsistema e na força da Sesai. Nós construímos o SasiSUS; a saúde é nossa! O fortalecimento do controle social é fundamental para que os indígenas compreendam sua corresponsabilidade no Subsistema e zele por ele”, afirmou.
Direitos dos Trabalhadores
Atuando como protagonista em defesa dos direitos dos profissionais e trabalhadores da saúde indígena, ela ressaltou como um desafio o estabelecimento de uma política pública para a categoria. “Precisamos definir uma política e um modelo de contratação que, de fato, abrace o trabalhador que vem se doando para a saúde indígena, dando continuidade a um trabalho já estabelecido”.
Ela acredita que a inserção dos trabalhadores e o fortalecimento das categorias profissionais podem ser sanados com a aprovação do Instituto Nacional de Saúde Indígena (Insi).
“Este é um instrumento já bastante utilizado na administração pública, e com sucesso! Precisamos ter clareza de que o Instituto não vem para substituir a Sesai; ele não tirará da Sesai sua responsabilidade de gestora da saúde indígena, muito menos virá para substituir a Lei 9.836 [que estabelece e cria o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena]. E, sobretudo, acredito plenamente que para contemplar os trabalhadores que já atuam nas aldeias e valorizar os trabalhadores que já têm um trânsito respeitoso com as populações indígenas não há outro mecanismo, neste momento, de contratação simplificada”, garante.
Por Déborah Proença
Fotos: Alejandro Zambrana / Sesai-MS