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Saúde Indígena
Reforma da Casai em Manaus vai qualificar atenção aos povos indígenas do Amazonas
Uma nova etapa de reforma na Casa de Saúde Indígena (Casai) de Manaus vai reforçar ainda mais a assistência a centenas de indígenas que ali encontram suporte adequado para tratamentos de Média e Alta Complexidade realizados na capital amazonense. As obras, iniciadas ainda neste semestre, seguem adiantadas e com previsão de término para o início do próximo ano. Mais de R$ 1,5 milhão está sendo investido pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) na reestruturação da Casai.
Dois blocos inteiros de serviços serão reconstruídos para garantir melhores condições de trabalho às equipes e mais conforto aos pacientes. “Toda a área de enfermagem, por exemplo, será reformada, incluindo as alas de internação e isolamento. Do mesmo modo, a farmácia, o laboratório e os setores de nutrição e assistência social passarão a ter ambientes mais amplos e com boa infraestrutura”, afirma o chefe da unidade, Severo Gamenha, indígena da etnia Baré, que há 37 anos dedica seus dias de trabalho à saúde indígena.
Na Casai, Severo ocupa o cargo de chefia desde junho de 2011. Além dele, mais oito indígenas integram a equipe de assistência – uma enfermeira e sete técnicos de enfermagem. “São mais de 130 profissionais envolvidos no dia a dia, já que recebemos sempre um número expressivo de parentes dos setes Distritos [Sanitários Especiais Indígenas] do Amazonas e também do Acre e do Leste de Roraima. Em média, diariamente, temos conosco um total de 180 pessoas, entre pacientes e seus acompanhantes”, comenta.
Em meados de 2013, como resultado de outra etapa de obras, a Casa de Saúde Indígena de Manaus conseguiu duplicar sua capacidade de atendimento. Foram construídos dois novos blocos compostos por oito dormitórios cada um. À época, a Casai também passou a contar com uma nova cozinha e um amplo refeitório para atender todo o volume de indígenas que passam por ali, número que pode chegar a mais de 300 pessoas em algumas épocas do ano. A reforma em curso, hoje, contempla também a construção de lavanderia, almoxarifado e de uma caixa d’água com capacidade suficiente para a demanda.
ALÉM DA INFRAESTRUTURA
A indígena Lisolene Batista, de 23 anos, vive na aldeia Fortaleza, próximo ao município de Barreirinhas, distante 330 quilômetros de Manaus. Ela e o filho mais novo, Wellington, de pouco mais de um mês, precisaram de cuidados especiais após o parto; estão na Casai desde o início de outubro, sob o cuidado de equipes multidisciplinares. “Nosso trabalho é diferenciado, pois o cuidado não se resume à questão biológica. Os pacientes que aqui estão precisam de atenção especial dos profissionais, pois estão longe de casa, da família e de seus costumes, justamente num momento de saúde fragilizada”, pontua a assistente social Cristiane Oliveira.
“O esforço da gestão é sempre no sentido de qualificar cada vez mais as ações e serviços em prol dos povos indígenas, o que vai muito além da infraestrutura. Buscamos ter também equipes preparadas para acolher da melhor forma e atender a tantas especificidades”, destaca Adarcyline Rodrigues, coordenadora do Distrito Sanitário Especial Indígena de Manaus. O DSEI é responsável pela assistência a uma população superior a 25 mil indígenas, de mais de 30 etnias, que vivem em aldeias distribuídas nos territórios de 15 municípios localizados na área de abrangência do Distrito.
Por Bruno Monteiro
Fotos: Alejandro Zambrana / Sesai-MS