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Observatório Nacional instala terceira estação sismográfica do projeto RSBR-Mar em Ilhabela
O Observatório Nacional (ON/MCTI) concluiu a instalação da terceira estação sismográfica temporária do projeto RSBR-Mar, iniciativa estratégica apoiada pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) que busca ampliar o monitoramento de terremotos na margem sudeste do Brasil. A nova estação foi implantada na Ilha das Cabras, parte do Parque Estadual de Ilhabela, no município de Ilhabela, litoral de São Paulo. Está em andamento o projeto IlhaMuseu, coordenado pela UNESCO, que prevê a criação de um museu na Ilha das Cabras. A instalação foi executada pelo pesquisador, Dr. Gilberto Leite, e o Dr. André Nascimento, em parceria com a Fundação Florestal de São Paulo e a UNESCO.

A estação integra uma rede temporária de monitoramento sísmico que está sendo instalada ao longo da costa sudeste para complementar a cobertura das estações permanentes da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR). O objetivo é melhorar a capacidade de detecção de terremotos marinhos e ampliar o entendimento da atividade sísmica na margem continental brasileira.
“Essas estações temporárias foram instaladas em pontos estratégicos e permitirão reduzir o limiar de detecção de terremotos na margem sudeste do país. Em conjunto com as estações permanentes da RSBR e com os sismógrafos de fundo oceânico e hidrofones flutuantes lançados no mar no ano passado, as estações do RSBR-Mar proporcionarão uma cobertura inédita da atividade sísmica na região, possibilitando um estudo mais detalhado desses eventos”, destacou o Dr. Gilberto.

As duas primeiras estações terrestres do projeto foram instaladas em junho de 2025 no estado do Espírito Santo, em parceria com o Laboratório de Neotectônica e Sismológico (LANESI). Uma delas foi implantada na Base Oceanográfica da Universidade Federal do Espírito Santo, no município de Aracruz, com o apoio do Departamento de Oceanografia da Universidade. A segunda estação foi instalada no Parque Estadual de Itaúnas, localizado em Conceição da Barra, com suporte do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA).
Ao todo, o projeto prevê a instalação de seis estações sismográficas terrestres temporárias que irão compor essa rede de monitoramento complementar ao longo da costa. As próximas estações devem ser instaladas em Arraial do Cabo (RJ), Pedra Lisa (RJ) e Guarujá (SP).
Sismógrafos oceânicos
Além das estações em terra, o projeto também realizou uma expedição científica marítima, entre 25 de setembro e 3 de outubro de 2025, para instalar oito sismógrafos flutuantes do tipo MERMAID e cinco sismógrafos de fundo oceânico (OBSs) na margem sudeste do Brasil, entre os estados de São Paulo e Espírito Santo.
Os sismógrafos flutuantes permanecerão em operação por até cinco anos, enviando periodicamente os dados registrados via satélite. Já os sismógrafos de fundo oceânico serão recuperados após um ano para coleta dos dados e posteriormente relançados, totalizando cerca de dois anos de aquisição de dados.
Coordenado pelo pesquisador Dr. Sergio Fontes, do Observatório Nacional, o projeto RSBR-Mar tem como objetivo expandir a RSBR para o ambiente marinho, ampliando a capacidade de monitoramento de terremotos e contribuindo para estudos sobre a dinâmica geológica da margem sudeste do país.
“A margem sudeste do Brasil é uma área estratégica dos pontos de vista geopolítico, ambiental e econômico. Isso porque a região faz parte da chamada Amazônia Azul, porção do Atlântico Sul sob jurisdição brasileira, que concentra a maior atividade sísmica offshore do país. Apesar disso, a origem e os riscos associados aos eventos sísmicos que ocorrem nesta região ainda são pouco compreendidos, sobretudo no que se refere à segurança de infraestruturas críticas, como plataformas e dutos submarinos”, destacou Sergio.
A rede terrestre atual conta com 100 estações sismográficas. Apesar de robusta, ela apresenta limitações para detectar tremores no mar com magnitudes iguais ou inferiores a 3, dificultando a avaliação de risco sísmico em áreas estratégicas como as bacias de Santos, Campos e Espírito Santo, importantes polos de exploração de petróleo e minerais.
Além de ampliar o conhecimento científico, o RSBR-Mar também tem foco na prevenção de desastres ambientais. Afinal, vazamentos de óleo provocados por terremotos representam uma ameaça significativa ao meio ambiente e à economia. Com dados mais precisos sobre a origem dos eventos sísmicos, a iniciativa busca mitigar riscos e subsidiar projetos offshore mais seguros e sustentáveis.